Como mães atípicas podem cuidar da saúde mental sem culpa em meio à sobrecarga da rotina (Foto: Divulgação)

Neste Dia das Mães, o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, CEO da GnTech, chama atenção para os impactos emocionais enfrentados por mães atípicas e para a importância de estratégias que ajudem a reduzir a sobrecarga, culpa e exaustão sem abrir mão do autocuidado. “A maternidade atípica envolve demandas contínuas, muitas vezes intensas e imprevisíveis. Há uma carga adicional relacionada à gestão de terapias, consultas, intervenções precoces e adaptações na rotina”, explica.

Muitas mães acabam vivendo em estado contínuo de alerta, frequentemente negligenciando a própria saúde mental e esgotamento emocional. “Os sinais mais comuns incluem fadiga persistente, irritabilidade, sensação de sobrecarga constante, dificuldades de concentração e alterações no sono. Em casos mais avançados, podem aparecer sintomas ansiosos ou depressivos”, pontua Guido.

Para o especialista, um dos maiores desafios é que muitas mães passam a enxergar o autocuidado como segundo plano. “Fatores como culpa, pressão social e a escassez de tempo contribuem para que o autocuidado seja visto como secundário ou até como um luxo. Em muitos casos, essa negligência não é uma escolha consciente, mas uma consequência do nível de exigência da rotina”, exemplifica.

Entre as estratégias que podem ajudar no dia a dia, o psiquiatra destaca micro-momentos de autocuidado para diminuir a sobrecarga; uma rede de de apoio estruturada, envolvendo família, parceiros e profissionais; a psicoeducação para compreender as condições da criança; rotinas previsíveis que diminuem o stress associado à imprevisibilidade; e a psicoterapia que elabora o fortalecimento interno.

Ele também reforça que tais estratégias não podem ser associadas à culpa. “A culpa é um elemento frequente e, muitas vezes, está associada a padrões internos rígidos sobre o que significa ser uma boa mãe. Trabalhar essa questão envolve reestruturar essas crenças e compreender que o autocuidado não compete com o cuidado da criança: ele o sustenta”, destaca.

Outro ponto sustentável, é que o diagnóstico correto e o acompanhamento adequado da criança ajudam a reduzir a sensação de insegurança e incertezas. “Um diagnóstico preciso permite acesso a intervenções baseadas em evidência, orientação profissional adequada e maior compreensão sobre os comportamentos da criança, o que contribui para diminuir a sobrecarga e responsabilidade deixa de recair exclusivamente sobre a mãe”, explica o especialista.

Apesar dos desafios, Guido reforça que a maternidade atípica não deve ser reduzida apenas ao sofrimento. “Muitas mães relatam desenvolvimento de resiliência, ampliação de repertórios emocionais e uma relação profundamente significativa com os filhos. No entanto, romantizar essa experiência pode invisibilizar necessidades reais de suporte. O equilíbrio está em validar tanto as dificuldades quanto às potências dessa vivência”, finaliza.

Sobre Guido Boabaid May

Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro “Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.


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Como mães atípicas podem cuidar da saúde mental sem culpa em meio à sobrecarga da rotina