Aos 47 anos, Ana Salinas decidiu colocar a saúde em primeiro lugar e retomar uma paixão antiga, o nado artístico. Hoje, aos 53 e defendendo o Fluminense, ela transformou a modalidade em parte importante da sua rotina e em uma forma de incentivar outras pessoas a acreditarem que nunca é tarde para começar ou recomeçar.

A relação de Ana com o nado artístico, na verdade, vem de antes. Na juventude, foi árbitra da modalidade e chegou a praticar o esporte por um curto período aos 22 anos. Décadas depois, a paixão voltou a ganhar espaço em sua vida, também impulsionada pela filha, que começou a praticar a modalidade aos 12 anos.

O retorno às piscinas trouxe uma mudança de rotina e os primeiros resultados competitivos. Já no primeiro ano de competições, em 2019, Ana conquistou medalhas internacionais. Após o período de interrupção provocado pela pandemia, retomou os treinos e, em 2026, passou a defender a equipe master do Fluminense.

Representando o clube, Ana conquistou duas medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano Master de Nado Artístico, uma no Solo Técnico e outra no Dueto Misto Técnico, ao lado de Edison Fortunato.

Além dos resultados, é fora do pódio que Ana encontra uma das principais razões para continuar. O nado artístico passou a representar saúde, bem-estar e qualidade de vida em uma fase marcada também pela menopausa. A modalidade exige força, resistência, coordenação, memória e controle da respiração, e a prática esportiva tornou-se uma aliada para manter o corpo e a mente ativos.

A história dentro das piscinas se soma a uma trajetória profissional já consolidada. Formada em Desenho Industrial, Ana é reconhecida internacionalmente pela confeitaria artística. Empresária e professora, tornou-se referência no segmento, ministra cursos e já levou seu trabalho para diferentes países. Entre os trabalhos realizados ao longo da carreira está até um bolo produzido para o aniversário da cantora Anitta.

Agora, é no esporte que Ana também busca deixar uma mensagem. Ao conciliar uma carreira consolidada com treinos e competições, ela quer incentivar principalmente quem acredita que a idade pode ser um impedimento para experimentar algo novo.

Mais do que os resultados conquistados nas piscinas, sua trajetória mostra que começar de novo não precisa estar ligado a uma determinada idade. Para Ana, o esporte master se tornou justamente a oportunidade de descobrir novos desafios e continuar construindo conquistas depois dos 50.