A atriz e cantora Calu Manhães tem vivido um reencontro emblemático com Maria Bethânia nos palcos. Depois de interpretar a artista em “Gal, O Musical”, ela voltou a viver uma das maiores vozes da música brasileira em “Gil – Andar com Fé”, primeira biografia musical dedicada à vida e à obra de Gilberto Gil. O espetáculo estreou na última quinta-feira, 20 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo.

A preparação exigiu um mergulho profundo no universo da artista. Calu buscou entrevistas, apresentações e registros que lhe permitissem observar não apenas a voz, mas detalhes de sua presença, dos movimentos das mãos à maneira de ocupar o palco. Durante sua primeira experiência no papel, no primeiro semestre de 2026, ela também teve a oportunidade de encontrar pessoalmente Bethânia. “Ter me encontrado com ela me trouxe um alívio. A maneira como ela me recebeu, me desejando força e coragem, me deu um norte, um aval para que eu pudesse viver essa experiência completamente entregue e abençoada”, recorda.

Com direção de Miguel Falabella e texto de Newton Moreno, o musical percorre momentos importantes da trajetória de Gil, passando pela infância na Bahia, Tropicália, prisão, exílio em Londres, família e encontros que marcaram sua história. Entre as personalidades retratadas estão Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Luiz Gonzaga, João Gilberto, Elis Regina e Rita Lee.

Para Calu, baiana da Chapada Diamantina, interpretar Bethânia novamente carrega um significado especial. A atriz conta que, quando recebeu pela primeira vez a missão de viver a cantora, a empolgação veio acompanhada do peso da responsabilidade. “Houve um misto de uma grande empolgação com uma grande responsabilidade. Eu sabia que precisava ter total dedicação e cuidado para não fazer uma Bethânia caricata. Queria que tivesse a essência dela no meu corpo, na voz, no timbre, mas que fosse uma Bethânia que habita Calu. Acaba sendo uma ‘Calu Bethânia’”, explica.

Apesar da familiaridade conquistada, Calu afirma que o processo de pesquisa não parou. “É como se meu corpo já tivesse entendido essa personagem. Para mim, agora é mais fluido, é gostoso, não tenho mais tanto medo, apesar de sempre ter muito respeito e cuidado. Não caí no lugar de achar que já tinha tudo para entregar”, afirma. “Bethânia me ensina tanto profissionalmente quanto pessoalmente. A força que ela traz, a coragem, a visceralidade, a fome de vida e essa grande entrega para a arte me atravessam. Ela fala do cantar como uma grande missão, e é algo que sempre pensei desde que comecei a cantar e atuar. Acredito muito nesse lugar da arte como comunicadora de algo maior”, emenda.

Com Gui Ventura no papel de Gilberto Gil, “Gil – Andar com Fé” apresenta clássicos como “Andar com F锓Aquele Abraço”“Domingo no Parque”“Tempo-Rei”“Drão”“Palco” e “Realce”. “Acredito que vou estar sempre descobrindo novas Bethânias, sempre entrando em novas camadas. Pretendo continuar mergulhando nela durante toda a temporada. É intenso, é uma vida de atleta da arte, mas me sinto inteira, entregue e com vontade de fazer cada vez mais”, afirma a atriz.