Lorena Comparato comenta “Cine Holliúdy”, “Rensga Hits” e exalta sertanejo (Foto: Pupindeleu)

A nova temporada de “Cine Holliúdy” estreia nesta quinta-feira (27) na TV Globo. Lorena Comparato, uma das estrelas do sitcom, conversou com exclusividade com o Virgula sobre o novo ano do programa. Na entrevista, a atriz ainda falou sobre a importância de viver personagens como Formosa, que já foram institucionalizadas e são constantemente estigmatizadas na sociedade em que vivem.

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Durante o papo, a artista ainda contou novidades sobre sua nova paixão pelo sertanejo e como foi trabalhar em  “Rensga Hits”, cujas próximas duas temporadas devem ser filmadas em breve. De acordo com Comparato, podemos esperar para ver Glaucia novamente nas telinhas da Globoplay. Confira a entrevista completa: 

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A Formosa vai ter um papel diferente nessa nova temporada de Cine Holliúdy? 

É muito emocionante, eu acho – e eu já passei por isso algumas vezes na minha carreira –  de você fazer uma série que faz sucesso e volta com uma nova temporada. A gente vê tantas séries sendo canceladas que, em primeiro lugar, é emocionante estar fazendo mais uma temporada dessa série. É um trabalho que começou com um episódio só na primeira temporada, e daí a gente vê essa personagem que super cresceu na segunda. E, na terceira, ela mudou muito!

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A Formosa tem muito histórico de institucionalização. Ela é a “doidinha” da cidade, “abirobada”, então ela já foi internada em Fortaleza e, dando um spoiler, ela é internada mais uma vez. Só que ela volta muito mais forte e muito mais religiosa! E o Francisgleydisson (Edmilson Filho), que é o amor da vida da Formosa, faz um pacto com o Diabo (Alexandre Borges)… E a Formosa é a louquinha da cidade, mas ela é uma das únicas que sabe do pacto! Então, ela vai passar essa temporada toda tentando alertar a cidade desse pacto que ele tem, e também tentando salvar a vida da Rosalinda (Larissa Góes), essa nova amiga dela, tentando fazer ela entender o que está acontecendo ali. 

É muito engraçado porque, eu contando aqui, é trágico, né? Um cara faz um pacto com o diabo, daí a outra, que foi institucionalizada, é a única que sabe. É um dramão! Só que é tudo muito engraçado… Então a temporada é essa, a Formosa muito religiosa, mas também muito em busca da verdade. 

Você acredita que, em algum novo, a história da Formosa reverbera mais em você ou no público feminino? 

A essência da Formosa sempre foi o amor, então eu acho que tem uma identificação muito grande com essas experiências femininas frustradas no amor. 

E também tem sanidade. Mas, quando eu falo dessa sanidade, é porque ela é muito apontada como “a maluca”… E, se você ver os pais que ela tem – Lindoso (Carri Costa) será prefeito da cidade na nova temporada -, eles são dois loucos. Por isso que eu falo muito dessa sanidade da Formosa, porque ela vive no “mundo da lua”, mas é claro que ela inventou um universo na cabeça dela! Olha os pais que ela tem, sabe? Ela tem um pai que se diz em oposição a corrupção mas tudo que ele faz é por debaixo dos panos, e uma mãe que é uma religiosa insana. Eu acho que a Formosa vai para esse lugar porque é uma fuga da realidade. 

Você sente que aprendeu alguma coisa interpretando ela?

Com certeza! Eu não tenho dúvidas. A Formosa foi uma personagem que me trouxe uma liberdade em cena, porque é isso. Quando você tem o aval de ter uma personagem que é vista como louca, você sente ela muito presente nas cenas. E vem umas ideias para mim que eu não sei de onde vieram. 

Um dia a gente estava gravando na cidade cenográfica, 2h da manhã, uma invasão alienígena. A Formosa estava agachada, com os braços para cima, comendo uma macaxeira num prato, e a macaxeira com os palitinhos. E eu enfiei a cara no prato e o palito entrou no meu olho! Eu furei o olho às 2h da manhã na Rede Globo, e eu fui parar na emergência oftalmológica para passar pomada. Agora, tá tudo certo, tudo ótimo! Então, é essa liberdade em cena da Formosa que quero dizer, ela me deixava muito alerta, de deixar as personagens virem mais, principalmente em cena. 

Eu lambia coisas sujas às vezes [no set]. E essa liberdade vem da Formosa. Às vezes, eu estava sentada, sem gravar nada, eu virava e falava: “Rê [Renata Porto], essa hora posso fazer isso?”, e a resposta sempre foi, “pode”. É uma loucura muito bem-vinda. Esse improviso, essa liberdade em cena é algo que vou levar para todas as minhas personagens. Quando você tem uma personagem que tem um universo tão rico quanto ela, a liberdade ultrapassa. Essa é a beleza da personagem e isso eu vou levar para todas as minhas personagens. 

E a experiência de fazer duas temporadas juntas também foi muito diferente. E eu vou passar por isso agora de novo, com “Rensga Hits” (a série  gravará as suas segunda e terceira temporadas). E é algo muito difícil, cansativo, mas vale muito a pena. Você fica muito orgulhosa, da equipe, do elenco… 

A Gláucia vai estar então nessa nova temporada de Rensga?

Espero que sim, né? Eu tô aqui torcendo… A gente está conversando já. 

As duas séries são de lugares totalmente diferentes do Brasil, mas as duas retratam os interiores do país. Para você, tem alguma diferença, ou talvez importância, contar histórias que saiam do eixo Rio-São Paulo? 

Com certeza! Primeiro de tudo, acho que é uma gratidão e uma reverência muito grande eu estar podendo viver isso. Como uma pessoa que nasceu em Portugal e foi criada no Rio de Janeiro, então sudestina… Eu poder representar pessoas do Centro-Oeste ou Nordeste brasileiro, que, por muito tempo foram representadas por sudestinos com um tom pejorativo, é muito bom. Agora, a gente tem essa abertura de poder viver esses personagens, mas reverenciando. 

Quando muda a proporção é que é legal. Quando você pega um “Cine Holliúdy” da vida, que a maioria é cearense, e só tem um ou outro sudestino ali, isso é muito legal. Então, para mim, a honra de estar podendo estar nesse elenco é gigantesca. E fazer parte desse movimento que vangloria as pessoas desse interior também é muito importante. Esses lugares são a maioria do Brasil, a população de verdade do Brasil é a galera do interior! Então, se pensar que eu estou ali representando “a brasileira”, eu fico muito honrada. 

Eu me esforço ao máximo, estudo muito, para conseguir representar essas pessoas de uma forma digna, maneira, que essas pessoas se sintam orgulhosas. A parte que mais me dá prazer é postar uma coisa da Formosa e ter gente falando, “cara, não acredito que essa portuguesa faz cearense assim! Você tem certeza que não é do Ceará?”. Esse tipo de coisa é muito bonito. 

E “Rensga” também foi muito bonito, ter morado em Goiânia e ter feito um sotaque tão carregado, sabe? Minha mãe é fonoaudióloga, então para mim todo sotaque é carregado – o meu é muito carregado, muito carioca. Essa ideia de uma neutralidade de um sotaque é muito difícil… Mas, eu acho que quanto mais a gente abraçar a nossa cultura brasileira como essa coisa plural, ampla, é melhor, né? Do que pensar que tudo é no sudeste. 

“Rensga” é do sertanejo. Esse era um universo conhecido para você?

É engraçado porque, quando começou a pandemia, eu não sabia nada, sertanejo era algo muito distante de mim. Mas, quando começou a pandemia, eu comecei a ouvir muito Marilia Mendonça e fui me apaixonando. Dela, fui para Maiara e Maraísa, e comecei a me apaixonar pelo sertanejo – em casa, sozinha, sem ter contato com ninguém. 

Eu fico muito impressionada com o apelo ao público que o sertanejo tem, porque o sertanejo fala do nosso dia a dia, das nossas relações. Se você já foi corna, tem música; se você já foi largada por um cara, tem; você já tá apaixonada por um cara e ele está te largado, também tem. E quando você vai pensar no movimento feminino no sertanejo, é o dessa onda dessas mulheres que escrevem uma experiência universal. Quando eu comecei a escrever como roteirista, a gente escrevia histórias femininas universais, porque o feminino sempre foi de nicho, mas somos metade da população! Então histórias de homem eram para todo mundo, mas, de mulheres, eram só para mulheres? Chega, sabe? Então, esse movimento no sertanejo das mulheres foi muito interessante e me fisgou. Aí, quando me chamaram para fazer a Glaucia, mergulhei de cabeça no sertanejo. Eu acho que esse é um ambiente que fala muito das nossas dores, desse lugar da sofrência… Eu me identifico! Então me pegou bastante. Eu não tinha um histórico muito grande com o sertanejo, mas ele me fisgou de jeito e eu ouço mesmo quando não estou trabalhando! 


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Lorena Comparato comenta "Cine Holliúdy", "Rensga Hits" e exalta sertanejo