Chocolate em excesso: exageros da Páscoa podem prejudicar pele e piorar condições inflamatórias (Foto: Divulgação)

Após períodos de maior consumo de açúcar, como a Páscoa, a pele costuma dar sinais claros de sobrecarga, e isso não é apenas percepção estética. O impacto do chocolate está menos no alimento isolado e mais na resposta metabólica que ele provoca no organismo. Segundo a médica com foco em dermatologia Isadora Ragognete, dietas ricas em açúcar e alimentos de alto índice glicêmico desencadeiam um efeito cascata no corpo. “O excesso de açúcar aumenta a liberação de insulina e IGF-1, hormônios que estimulam a produção de sebo e intensificam processos inflamatórios na pele”, explica a doutora.

O resultado aparece rápido. Entre 24 e 72 horas após os excessos, é comum observar aumento da oleosidade, acne inflamatória, poros mais aparentes e perda de viço. Em alguns casos, há também piora de quadros como rosácea e dermatite seborreica. “Pacientes com tendência à acne ou pele oleosa sentem esse impacto de forma mais intensa, porque o organismo já está em um estado inflamatório basal”, afirma. A relação entre alimentação e acne, segundo ela, já está bem estabelecida na literatura médica. “Dietas de alto índice glicêmico aumentam a atividade das glândulas sebáceas e favorecem a inflamação cutânea. Não é mito, é fisiologia”, reforça.

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Outro ponto importante está na escolha do tipo de chocolate. “O chocolate ao leite costuma ter maior quantidade de açúcar e leite, fatores que podem piorar a acne. Já o chocolate amargo, especialmente acima de 70% de cacau, tem menor carga glicêmica e maior concentração de antioxidantes, sendo uma opção menos prejudicial”, orienta.

Apesar dos efeitos rápidos, a recuperação também pode ser acelerada com ajustes simples. O foco deve ser restabelecer o equilíbrio metabólico e cutâneo. “Mais do que compensar excessos, o caminho é voltar ao eixo, reduzindo a carga glicêmica da alimentação, aumentando a ingestão de água e mantendo consistência na rotina de cuidados”, explica.

No skincare, ativos como ácido salicílico, niacinamida, ácido azelaico e retinoides ajudam a controlar a oleosidade  e inflamação, sempre com orientação dermatológica. Hidratantes leves também são essenciais para preservar a barreira cutânea sem obstruir os poros. Procedimentos dermatológicos entram como aliados quando há piora mais evidente. “Limpeza de pele profissional, peelings químicos superficiais e lasers com ação anti-inflamatória são ótimas opções para acelerar a recuperação da pele”, afirma.

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Para quem não abre mão do chocolate, a recomendação é moderação e estratégia. “Preferir versões com maior teor de cacau, consumir com moderação e evitar a associação com outros alimentos de alto índice glicêmico já reduz bastante o impacto na pele”, orienta. No longo prazo, o que realmente faz diferença não são episódios pontuais, mas a repetição de hábitos. “Episódios pontuais, como a Páscoa, não são o problema. O que realmente impacta a pele é a consistência dos hábitos ao longo do tempo”, finaliza.

Sobre a Dra. Isadora Ragognete

Isadora Ragognete é médica com foco em dermatologia e estética facial e integra a equipe da clínica Dr. Carlucio Ragognete, especializada em cirurgia plástica da face e dermatologia, localizada em São Paulo. Com abordagem focada na naturalidade e na individualidade de cada paciente, trabalha com técnicas modernas que valorizam harmonia, segurança e resultados sutis. Ao lado do Dr. Carlucio, participa de uma prática clínica que une tecnologia, conhecimento anatômico avançado e olhar humanizado para o cuidado estético.


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