Campeã do “BBB23” rebate críticas após falar sobre lipedema e mudanças no corpo (Foto: Instagram/Amanda Meirelles)

A campeã do Big Brother Brasil 23, Amanda Meirelles, afirmou que a mudança em seu corpo está relacionada ao tratamento contra o lipedema, condição crônica que provoca acúmulo anormal de gordura e inflamação, principalmente nas pernas. Presente ao Camarote N1, na Sapucaí, a médica explicou que utilizou o medicamento Mounjaro como parte do tratamento médico, destacando que o emagrecimento ocorreu junto aos resultados do acompanhamento.

“Não acho que mudei tanto assim. Emagreci porque fiz tratamento de lipedema. Tenho uma clínica disso, inclusive. Estamos aqui para melhorar, não vamos ficar sempre com apenas uma versão. Temos que nos amar de qualquer fora. Estou feliz e me amando.…”, declara Amanda.

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A transformação da famosa reacende o debate sobre a condição, que também já foi relatada por Rafa Brites, Yasmin Brunet, entre outras famosas. O assunto levanta dúvidas comuns entre pacientes: como definir o tratamento ideal? Quando é possível controlar a doença sem recorrer à cirurgia?

Segundo a dermatologista Fabiola Bordin, a decisão deve ser individualizada e considerar fatores como intensidade da dor, grau de inflamação e possíveis alterações associadas, como insuficiência venosa.

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A seguir, a especialista esclarece como é o diagnóstico, quais são as principais abordagens, como é possível evitar a cirurgia, escolher o melhor tratamento e demais cuidados que ajudam no controle da doença.

O que é o lipedema?

Fabiola Bordin: É importante entender que lipedema é uma doença do tecido gorduroso e é diferente de celulite ou apenas ter pernas grossas. Lipedema é uma alteração do tecido gorduroso que não causa apenas desconforto estético. Pode ser uma inflamação, pode gerar dor, sensação de peso nas pernas, equimoses (roxos na pele) sem ter batido no local.

Esta inflamação gera aumento do tecido gorduroso, em pernas, coxas e até braços, mas preserva os pés (diferente do linfedema que tende a acometer os pés). Usar cremes com certeza não melhora o lipedema.”

Como escolher o tratamento para lipedema?

Fabiola Bordin: Avaliando caso por caso. Paciente tem muita inflamação? Muito depósito de gordura? Se incomoda mais com a dor ou com a parte estética? Tem insuficiência venosa associada? Edema? Tem flacidez de pele ou apenas excesso de gordura?

Na verdade, dieta, treino e controle de peso entram para todas, com ajustes individuais. Os tratamentos de consultório escolhemos para cada paciente.Quando o que incomoda é mais a gordura localizada e a inflamação e menos flacidez, por exemplo, prefiro o aparelho de microondas, o Onda. Caso esta paciente se incomode com gordura e flacidez, podemos fazer o aparelho de microondas intercalado com radiofrequência ou bioestimulador, por exemplo.

Como é possível tratar em consultório sem cirurgia?

Fabiola Bordin: Fazer o diagnóstico diferencial com sobrepeso/obesidade, doenças linfáticas e vasculares é muito importante. Sendo assim, controlar esta inflamação do tecido gorduroso é o ideal e isso normalmente envolve: procedimentos de consultório, dieta, atividade física e uso de medicamentos.

Nestes casos, precisamos de aparelhos potentes, que penetrem no tecido gorduroso, mas sem piorar a inflamação. A tecnologia de micro-ondas é uma das mais comentadas, pois é um procedimento não-invasivo, indolor e que pode agir seletivamente no tecido gorduroso.

O aparelho Onda Coolwaves é um exemplo, atuando tanto na gordura e podendo melhorar a flacidez da pele. Melhora a inflamação e pode diminuir a gordura localizada no local. Uma boa radiofrequência que consiga penetrar mais profundamente também pode ajudar bastante.

Drenagem linfática ajuda nas pacientes que possuem inchaço no local. A massagem modeladora com certeza não ajuda, pois nenhuma massagem consegue agir ou destruir a gordura”.

O que pode ser feito em casos mais graves?

Fabiola Bordin: Em casos mais avançados, a cirurgia pode ser o tratamento de escolha, para diminuir o volume do tecido gorduroso no local. Cuidar do peso também é importante, pois o sobrepeso não necessariamente causa lipedema, mas piora o quadro das pacientes que já possuem a doença.

E mesmo depois da cirurgia, a manutenção do tratamento com os cuidados de dieta, atividade física e procedimentos de consultório são importantes, afinal estamos falando de algo crônico, que ainda não tem cura.

Sobre cirurgia, ela explica: “A indicação de cirurgia é por não responder ao tratamento com procedimento de consultório, dieta e atividade física.”

Restrição de movimentos pode exigir cirurgia

Mesmo assim, pondera que “mesmo nos casos mais graves, cuidados de dieta, medicamentos orais, atividade física e procedimentos de consultório podem ajudar.” E ressalta: “dificilmente um paciente é encaminhado diretamente para a cirurgia hoje em dia. Muito difícil.”

Segundo a Dra. Fabiola, a cirurgia costuma ser considerada “nos casos mais graves mesmo (em que muitas vezes essas mulheres possuem restrição de movimentos dos joelhos e pernas por causa do acúmulo de gordura) ou naqueles em que as pacientes não observam melhora depois de meses de tratamento.”

Existe um perfil de paciente com lipedema que precisa de cirurgia? 

“Não existe um perfil de paciente que precise mais de cirurgia.” A especialista reforça a importância do controle de peso, “controlar o peso é importante, mas peso não é causa. Aumento de peso piora o lipedema.”

E conclui: “Então pacientes que não conseguem emagrecer, por exemplo, podem ter mais dificuldade de controle do quadro.”

Quais exames dermatológicos (avaliação da pele, fotografias, ultrassom cutâneo) você costuma usar para confirmar lipedema?

“O diagnóstico do lipedema é clínico. Ou seja, chegamos a ele através da história e do exame físico do paciente. Não são necessários exames.”

A especialista explica que “Nós sempre fazemos fotos, mas o mais importante do que a estética é a persistência dos sintomas de dor e queimação, por exemplo.” Ela reforça ainda: “É importante entender que o lipedema causa dor e desconforto. Não é algo puramente estético.”

Sobre exames complementares, esclarece: “Apenas em caso de suspeita de alterações vasculares ou linfedema (outra doença) o exame de ultrassom com doppler é importante.”


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Campeã do "BBB23" rebate críticas após falar sobre lipedema e mudanças no corpo