Papisa

Após ter lançado o vídeo de Espelho, em sessão feita nas terras celtas e místicas de Glastonbury, na Inglaterra, Papisa se apresenta no primeiro dia do PicniK Festival, em Brasília.

O evento ocorre nos dias 23 e 24 de junho com Tulipa Ruiz, Curumin, Anelis Assumpção, Bike, Supervão e Rakta entre as atrações.

Papisa também está na estrada com a banda Bike e passa por Uberaba e São Paulo. Leia nossa conversa com a artista que é uma das revelações da música atual.

De que maneira Glastonbury foi transformador pra você enquanto pessoa?
Papisa – Glastonbury em si é um lugar mágico e incrível, mas sinto que só consegui perceber isso de verdade pelo fato de ter ido para lá após um retiro muito intenso que fiz pela região, um complemento de trabalhos que venho fazendo aqui pelo Brasil. Devo muito dessa percepção à Cecília Valentim, aqui de São Paulo, quem me indicou a Jill Purce, que dá o retiro na Inglaterra. Os trabalhos conduzidos por elas trazem a música para um lugar de experiência e sensibilidade e tiram o foco da performance artística por si só. O canto, aqui, serve como um fio condutor que cria o campo da experiência coletiva dentro dos rituais, e viver isso foi muito poderoso pra mim porque abriu um universo de exploração dentro da música, trouxe um quê de alquimia para a arte, o que me estimula muito a continuar criando.

Em que aspectos festivais como o PicniK são importantes?
Papisa – Um festival com entrada gratuita como o Picnik, em um local público, com atrações de diferentes tipos e locais do país, é de extrema importância para a democratização da cultura e da arte. Como artista, sinto que é um privilégio fazer parte desse tipo de festival fora de São Paulo, e levar o show para outras regiões ao lado de tanta gente que admiro. Em julho vamos integrar a programação do Centro do Rock, no CCSP (Centro Cultural São Paulo) em São Paulo, e que também é um exemplo de evento gratuito, assim como o Dia da Música no fim de junho. Essas iniciativas de fomento à cultura, arte e música têm grande valor tanto para artistas quanto para o público, e é muito importante que continuem acontecendo.

O que podemos esperar do seu primeiro disco cheio e o que você pode contar?
Papisa –  O que posso dizer é que está bem diferente do EP. Sinto que as músicas que lancei em 2016 tinham um caráter de urgência. Esse disco está surgindo de uma jornada intensa de shows, onde experimentei muita coisa ao vivo. Isso me ajudou a amadurecer as ideias e refletiu nas músicas de muitas maneiras. Hoje, me sinto mais segura no processo de produção – que faço em casa na grande maioria do tempo – e isso está muito relacionado a tudo o que vivi e aprendi nos últimos anos e também a uma mudança no olhar em relação à produção feminina, tanto interna quanto externamente. Sinto isso como uma pequena vitória que merece ser celebrada.

Levar as músicas para o shows em formações diferentes me trouxe, de alguma forma, mais clareza na escolha dos timbres, dos arranjos, do caminho criativo. As composições vão tomando forma simultaneamente à produção, então as camadas e climas que encontro musicalmente também me ajudam a definir a narrativa do disco, em um sentido mais imagético. Os assuntos já estão pairando no ar faz algum tempo e são densos pra mim, por isso tenho buscado um processo lúdico que me guie na criação, relacionado à cura e à auto descoberta.

O que está acontecendo de mais interessante na música hoje?
Papisa – Em tempos de grande dispersão, imediatismo e superficialidade, também em relação às causas que defendemos, vejo a música como uma ferramenta poderosa que pode trazer a gente pro momento presente, induzir ao aprofundamento, ao questionamento e à troca. Falando mais especificamente, um disco que acabou de sair e me impressionou foi o da Maria Beraldo, Cavala, tanto pela produção impecável quanto pela forma sensível e forte de falar sobre sexualidade.

Qual é a coisa mais legal e a mais chata de fazer tour?
Papisa –  A coisa mais legal é conhecer pessoas, levar o trabalho para mais gente, conhecer o que está rolando em outros lugares. Fiz muita tour sozinha, então pra mim, hoje em dia é uma grande alegria viajar acompanhada da banda. A coisa mais chata é ficar longe dos meus gatos e de casa.

SERVIÇO

PicniK *Festival*

Arte – Moda – Música – Dia – Bazar – Festa – Sorrisos – Comidinhas – De graça

23 e 24 de junho de 2018 (sábado e domingo)

Local: Torre de TV

Horário: das 13h às 22h

Acesso gratuito

Classificação indicativa livre

Obs: a partir das 16h será necessária a doação de 1kg de alimento ou 1 livro ou 1 agasalho para acessar perímetro do evento (Instituições beneficiadas = Abrace e Ler Liberta)

PAPISA – AGENDA

UBERABA:

PAPISA e BIKE

Data: 21/06

Local: Laboratório96 – Praça Comendador Quintino, 144, Estados Unidos

Horário: 21h

Valor: R$15,00

BRASÍLIA:

Festival PicniK

Data: 23/06

Local: Torre de TV – Eixo Monumental, s/n, Jardim Burle Marx

Horário: 16h

Valor: grátis

SÃO PAULO:

Data: 29/06

Local: Breve Pompéia – Rua Clélia, 470, Barra Funda

Horário: 21h

Valor: R$20,00

SÃO PAULO:

PAPISA e Cora

Data: 07/07

Local: Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1000

Horário: 19h

Valor: gratuito


int(1)

'Vejo a música como ferramenta poderosa', diz Papisa

Sair da versão mobile