Tincho Acosta fala sobre lirismo, Patagônia e nova fase artística em retorno ao Brasil (Foto: Divulgação)

Após 11 anos longe do país, o cantor e violonista argentino Tincho Acosta retorna ao Brasil para apresentar o EP Bandurria En El Fondo em shows intimistas em São Paulo. Conhecido por uma estética que cruza folclore latino-americano e lirismo contemporâneo, o artista vive um momento de maturidade criativa e expansão sonora.

Sem se prender a rótulos, Tincho explica que sua composição nasce muito mais da experiência pessoal do que de um cálculo estético.

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Linda pergunta. Tento ter uma forma de dizer e de tocar que seja própria, buscando profundidade dentro das minhas vivências mundanas… Então não penso nem em tradição nem em modernidade, apenas em fazer a canção que eu puder fazer. Isso não nega nem uma coisa nem outra; acho inevitável que apareçam traços folclóricos porque escuto muita música folclórica também, assim como leio poesia contemporânea e escuto músicas muito diversas.”

Revisitar para reinventar

O EP Bandurria En El Fondo revisita o álbum anterior, mas nasce de uma transformação interna na banda. A mudança aconteceu após o acordeonista se mudar para Berlim, abrindo espaço para uma nova formação com o pianista Federico Arreseygor.

Houve uma mudança na formação. Apresentamos o álbum com a formação nova e daí surgiu a ideia de poder tocar as canções e gravá-las novamente. Para começar esta etapa nova, achei bom incluir uma canção inédita, ‘Animal’.”

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A faixa inédita funciona como ponte entre fases, sem apagar o passado — apenas ampliando horizontes.

A Patagônia como paisagem sonora

Natural de Quilmes e criado na Patagônia, território que influencia diretamente sua construção poética, Tincho carrega na música as imagens da cordilheira.

“É o lugar onde cresci, principalmente a parte da cordilheira em Bariloche. A paisagem da floresta, rios, lagos e montanhas e suas magias se conectam com a vida na cidade de uma maneira muito orgânica.”

Essa relação com o território molda não apenas sua estética, mas também a atmosfera de seus shows, que transitam entre o silêncio contemplativo e a vibração intensa.

Show como experiência sensorial

No palco, a proposta não é contar uma história linear, mas provocar sensações.

“Poderia se dizer que sim, mas não é uma narrativa linear no tempo. É mais como visitar sensações, sons, cores da infância que se misturam com o ruído da vida adulta e que vai e vem… Eu gostaria que o público construísse sua própria narrativa com o que for ouvindo.”

O formato enxuto — voz e violão de sete cordas, acompanhado por uma banda coesa — reforça o caráter quase cinematográfico da apresentação.

Uma fase de maturidade

Para Tincho, este momento representa a consolidação artística.

Minha banda está muito bem constituída. Eu e os músicos nos conhecemos muito bem e isso se traduz em uma certa maturidade para tocar e fazer arranjos. Estou muito entusiasmado para ver como essas novas sementes vão florescer.”

Entre tradição e contemporaneidade, entre paisagem e cidade, Tincho Acosta retorna ao Brasil reafirmando que sua música não pertence ao tempo — mas às emoções.


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Tincho Acosta fala sobre lirismo, Patagônia e nova fase artística em retorno ao Brasil