Placebo faz show da turnê Loud Like Love em São Paulo


Créditos: Camila Cara/ Divulgação T4F

“Não, vai se enfiando. A gente vai chegar na grade custe o que custar”. Olhei para o meu lado esquerdo: uma adolescente puxando a amiga pela mão e cortando a multidão. Atrás de mim, um senhor com seus quarenta anos aguardava, sozinho e em silêncio, com um copo da (cara) cerveja vendida no Citibank Hall na mão.

O Placebo conseguiu reunir gerações no show desta segunda (14) em São Paulo. Ainda que em menor número, havia jovens presentes, e uma coisa ficou clara ao longo das quase duas horas de show: o Placebo não constrói a sua base em cima do passado. Um terço do setlist era de músicas do mais recente trabalho da banda, Loud Like Love (2013) — o seu sétimo álbum de estúdio — e foram cantadas com tanto entusiasmo quanto os sucessos vindos do bem sucedido Meds (2006), por exemplo. Inclusive com direito a plaquinhas onde se lia “We are loud like love” quando a música-título do álbum de 2013 começou a tocar.

“Irmãos e irmãs, crianças do Brasil. Esta noite nós estamos tão barulhentos quanto o amor”, cumprimentou o andrógeno Brian Molko, após abrir o show com B3, do EP de mesmo nome, seguido por For What It’s Worth, do álbum Battle For The Sun (2009). O vocalista ficou, ao contrário da maior parte dos shows, não no centro, mas sim no canto esquerdo do palco, de onde mal saiu. As interações com a plateia foram poucas — talvez por um jeito mais frio da banda em si do que por algum tipo de arrogância, já que não havia traço nenhum desse aspecto nas poucas vezes em que Molko se dirigiu ao público.

O show teve a sua comodidade: a casa, ainda que cheia, não estava lotada, e permitia que os mais empolgados pulassem, enquanto o casal quieto se deu a liberdade de deixar um moletom aos seus pés e uma mulher cansada sentou no chão, no meio da pista vip. Sem apertos, sem empurra empurra. Mesmo com um atraso de 25 minutos, não houve grande sofrimentos para quem esperou a banda europeia aparecer.

O setlist percorreu toda a trajetória da banda, ainda que os álbuns dos anos 1990 não tenham tido muita chance. Do primeiro álbum da banda, Placebo (1996), apenas Teenage Angst. Do álbum seguinte, Without You I’m Nothing, só foi tocada Every You Every Me, que também é o carro-chefe da trilha sonora do clássico adolescente Segundas Intenções (Cruel Intentions, 1999). Logo atrás de Loud Like Love, que teve sete músicas tocadas, estava Meds (2006), com seis músicas presentes no setlist. Também teve lugar no show Running Up That Hill, de Kate Bush, cover eleito para a turnê.

“Nós nos vemos na próxima vez”, Molko disse antes de Infra-red, que fechou o show e deixou o público ensandecido. O vocalista deixa o palco por alguns momentos, e deixa o baterista Steve Forrest e o baixista Stefan Olsdal agradecendo a plateia e distribuindo palhetas e baquetas, enquantro agradecem  ao público profusamente. Molko volta, a banda se une aos três instrumentistas e agradece ao público. Mesmo com o jeitão fechado e sem bandeiras do Brasil ostentadas, o Placebo parece ter gostado do que viu. O público, com toda a certeza, gostou.

Veja o setlist completo:

B3
For What It’s Worth
Loud Like Love
Twenty Years
Every You Every Me
Too Many Friends
Scene of the Crime
A Million Little Pieces
Speak In Tongues
Rob the Bank
Purify
Space Monkey
Blind
Exit Wounds
Meds
Song to Say Goodbye
Special K
The Bitter End

Encore:
Teenage Angst
Running Up That Hill (Kate Bush cover)
Post Blue
Infra-red


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Sem saudosismo, Placebo faz show centrado em álbum mais recente

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