Reprodução/Instagram Antonio, Raissa, Laima e Iggor num montinho em Hampstead Heath

De ícone do metal, com o Sepultura, a herói da eletrônica com o Mixhell, projeto que mantém com a mulher Laima Leyton, Iggor Cavalera passou por muitas mudanças na carreira e sempre se saiu bem. Mas como pai de cinco filhos ele também nunca perdeu o ritmo.

Reprodução/Instagram Raissa e Antonio no Hyde Park

“O que é mais legal de tudo é ver eles crescendo e se tornando pessoas muito legais, é a coisa mais satisfatória que um pai pode ter, saber que eles são além de família, bons amigos e companheiros. Sempre tento passar para eles que busquem serem pessoas felizes e que respeitem os outros”, diz o paizão.

Reprodução/Instagram Raissa e Iggor no estádio Emirates, do Arsenal

Em relação ao impacto da paternidade na música, Iggor deixa claro que não é fácil. “Na música acho que nenhum, faço música como antes, mas saber que consigo viver de musica e criar cinco filhos resume o maior dos impactos”, aponta.

“Deixo eles pesquisarem e gostarem do que quiserem. Eles nos acompanham a festivais de rock e eletrônico e já têm bastante senso crítico. Lógico que os aceito, acho que é função dos filhos provocarem um embate musical na família e isso é saudável. Pai e filho curtindo todas as mesmas músicas não é a minha linha”, diz o baterista.

Ouça o Mixhell:

Leia a entrevistona que fizemos com um dos bateras mais monstros de todos os tempos e com a também incrível Laima Leyton.

Por que vocês foram morar em Londres?
Iggor Cavalera e Laima Leyton – Mudamos por uma questão de logística. Há anos, passávamos longas temporadas indo e vindo para a Europa em longos e cansativos voos. Assim que nossos filhos ficaram mais velhos, resolvemos estabelecer a base em Londres. É uma cidade dinâmica para o entretenimento, mas também bem mais calma e organizada do que São Paulo, por isso a escolhemos.

O som de vocês mudou em Londres?
Iggor e Laima – Hum, não mudou muito, mas sofreu um processo natural. Por aqui trabalhamos bem mais no estúdio, e produzimos mais, as referências são mais acessíveis assim como o mercado tem mais força e portanto mais gente trabalhando sério em musica. Não dá para ficar para trás, tem que trabalhar bem mais do que no Brasil. Deixamos de ser os exóticos que vez e outra estava por aqui, para competir com o mercado local, tem as desvantagens e vantagens. O som mudou nesse sentido.

Como são as apresentações ao vivo? Percebem que outros artistas da música eletrônica vêm incorporando a bateria em seus sets?
Iggor e Laima – Em nossos sets ao vivo, incorporamos a bateria acústica e dois sintetizadores a bases pré-programadas, dando uma energia especial para o som eletrônico que tocamos. Sim, alguns artistas têm incorporado instrumentos acústicos aos sets de musica eletrônica, isso não é tão novo, mas o que importa mesmo para nós é incorporar a energia dos instrumentos tocados, apesar de muitas vezes um DJ set, sem live pode também esta energia, depende do lugar, do horário, do line-up. Hoje mesmo discotecamos na Fabric das 5 às 7 da manhã e a energia estava lá!

Vocês lançaram um vinil recentemente, falem um pouco sobre o que vêm criando ultimamente…
Iggor e Laima – Neste último semestre tivemos três lançamentos e ainda tem mais um EP para sair. O primeiro foi um cover num split para a Trax Records de Chicago, fizemos a nossa versão de No Way Back do Adonis, um clássico da acid house.

Na sequência teve a colaboração com o Gui Boratto num single para o selo dele o D.O.C. A faixa Animal Machine gravamos juntos em São Paulo. Em julho, lançamos um EP com uma banda de Londres chamada The Dead Pirates. Neste fizemos uma versão eletrônica de uma música deles enquanto eles tocaram um som nosso eletrônico com guitarras, baixo e instrumentos acústicos. Para este lançamento também rolou um print com edição limitada de uma arte bem especial pelo artista MC Bess.

Sentem que a música eletrônica está crescendo e foi impactada pelo advento da EDM ou não dialogam muito com a música comercial?
Iggor e Laima – O termo EDM veio dos Estados Unidos e foi inevitável. A musica eletrônica não esta crescendo, mas esta sólida como estilo, assim como o rock e outros gêneros, e por ser sólida, abrange muita coisa boa e muita ruim também. O termo EDM, confirma isso. Se ao mesmo tempo é incrível que mais e mais pessoas estejam se divertindo nas pistas de dança, é triste que muitas delas estejam vivenciando de maneira supérflua, através de músicas descartáveis e caras garrafas de champagne.

Que lugares que mais gostam de tocar aí na Europa?
Iggor e Laima – Fabric em Londres, Razzmatazz em Barcelona, clubes alternativos da Bélgica e de Berlim.

O que mais gostam e indicam da cena atual?
Iggor e Laima – Gostamos de Silent Servant, the Body, Drvg Cvlture, Barnt, entre outros.

Iggor, como sua história e experiência com o Sepultura, onde você já fazia fusões e trabalhava com ritmos e andamentos te ajuda no MixHell?
Iggor Cavalera – Para mim é um processo orgânico e contínuo, sempre fui muito ligado a pesquisa de ritmos e influências fora do rock ou metal. Apesar de ser um gênero musical diferente, para mim não há distinção.

Creem que hoje o metal e a eletrônica estejam mais integrados que na época em que começaram a fazer música eletrônica?
Iggor e Laima –  Sim, com certeza, quando começamos era uma coisa muito mais obscura, hoje você já vê shows eletrônicos que mais parecem de metal. Há uma troca maior.


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Pai de cinco filhos, Iggor Cavalera diz que os cria pra serem bons amigos e companheiros

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