A noite desta quinta-feira (30) foi de muito rock. O Living Colour levou sua batida pesada e virtuosa a muitos fãs que encheram o Via Funchal. Depois de três anos sem aparecer pelo Brasil, o show agradou aos fãs, que saíam do local sorrindo e comentando as partes preferidas.

O virtuosismo de Corey Glover (vocais), Vernon Reid (guitarra), Doug Wimbish (baixo) e Will Calhoun (bateria) foi admirado por pouco mais de duas horas. A banda entrou no palco por volta das 10 e 20 da noite e logo no começo, uma surpresa. O Living Colour começava a tocar a primeira música, Desperate People, quando, após a introdução, a voz de Glover não foi ouvida. O microfone estava desligado. Pararam o show para recomeçar, agora com novo aparelho. Agora com erro de Vernon Reid, interromperam novamente a apresentação.

Com muito bom humor, a banda brincava com o público e tomou uma decisão: era melhor mudar de música. Assim, abriram o show com a clássica Type, do CD Time’s Up. Já na primeira canção do show, uma das mais marcantes características do grupo ficou evidente. A mistura de ritmos variados aliado ao rock pesado.

Em Type, em meio à pancadaria da bateria de Calhoun, um breque marcou a mudança para uma levada de reggae. Durante toda a apresentação, eles passearam por blues, soul e, principalmente, o funk, aliados à técnica jazzística, estilo de formação de todos os músicos. Como resultado dessa mistura, todo o peso do som deles é carregado de muito swing.

O show foi anunciado como da turnê do último disco da banda Collideoscope (2003), mas para surpresa dos fãs, a maior parte das músicas era de álbuns antigos. Middle Man, Funny Vibe e Sacred Crowd levantaram o público. No entanto, as canções ganharam arranjos diferentes e deram nova vida à banda. Quem achava que não precisava ir ao show e podia escutar os CDs em casa pode se arrepender.

Por volta da metade do show, o Via Funchal se incendiou com um dos maiores hits da banda, Glamour Boys. Na seqüência, Go Away aqueceu os fãs para uma surpresa. A apresentação de uma música nova, de autoria do baixista Doug Wimbish, que ficou responsável pelo vocal.

Gritando “Elvis está morto” (quase sem sotaque), Corey Glover anunciava “Elvis is dead”, outro ponto divertido da apresentação. Em meio à canção, ele começou a entoar cinicamente Unchained Melody, para depois desdenhar de Elvis e seguir com o show. Logo depois, executaram Desperate People, a problemática música do início do show.

Após longo solo de bateria de Will Calhoun, recheado de técnica e peso, a banda tocou os maiores hits, já na reta final do show. Na seqüência, ao som de Love Rears Up it’s Ugly Head, Time’s Up e Cult of Personality, não se via um só fã presente parado, todos pulavam e cantavam.

Para encerrar a noite, o Living Colour escolheu dois covers: Sunshine of Your Love, do Cream e Should I Stay or Should I Go?, do The Clash.

O show do Living Colour não tem atrações visuais, pirotecnias comuns às grandes bandas. Com um palco simples, a peculiaridade deles é a experimentação sonora, os inesperados timbres de baixo e guitarra e a mistura de estilos. Além da virtuose, que é uma marca, mas não maçante, como muitas vezes acontece em shows de músicos muito habilidoso. O que faz o show da banda inesquecível é exatamente o som que eles produzem. E a banda se encarrega de passar duas coisas para o público: sentir a música (o tal do feeling) e se divertir. E foi o que se viu na noite de quinta-feira no Via Funchal.


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Noite de Rock e muita diversão no show do Living Colour

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