Na noite desta quinta-feira (19), aconteceu a primeira apresentação do norte-americano John Mayer em solo brasileiro. A Arena Anhembi ficou lotada em um show intimista – o público total foi de 30 mil pessoas. Com a produção simples e a decoração do palco se resumindo a alguns tapetes no chão, ficou óbvio que o tipo de estrutura oferecida não foi apropriada para o tipo de apresentação proposta por Mayer. Mas, ainda assim, ele conseguiu dominar a platéia e envolvê-la com o que há de mais simples e essencial, e que muitas vezes fica de lado nesse vasto mundo de espetáculos grandiosos – a própria música.

Não se engane: John Mayer é um músico. Passou o show inteiro basicamente no centro do palco, a não ser quando sentava, no chão ou no elevado da bateria, para tocar guitarra ou violão. Naqueles instantes, o público desaparecia. Mayer se envolvia tanto com o próprio instrumento que ficava claro que aquele momento era pessoal, ainda que estivéssemos convidados a assistir. A sua conexão com o público se dá pela emoção com que ele dedilha suas cordas e canta as suas canções. Sem pirotecnias ou rebolados. Apenas o essencial.

A abertura ficou por conta de Phillip Phillips, pontualmente às 8h45. Ganhador da décima primeira edição do reality show American Idol, o cantor era um completo desconhecido para a maior parte do público – que ainda assim se mostrou receptivo. Um problema técnico, contudo, marcou o show do americano: os telões ficaram desligados a apresentação inteira. O que não deveria ser sequer uma possibilidade em um local grande como a Arenha Anhembi.

Alguns minutos após às 10h, a banda de John Mayer subiu ao palco acompanhada pela banda de percussão do projeto Meninos do Morumbi. Após uma rápida apresentação, o músico americano se juntou às crianças brasileiras para a música No Such Thing, do primeiro álbum, Room for Squares. Em seguida, ele apresentou Wildfire e Queen Of California dos álbuns Born and Raised e Paradise Valley, respectivamente. Seguindo a pegada das duas músicas anteriores, Half Of My Heart teve seu arranjo alterado para um estilo mais country, marca dos álbuns mais recentes de Mayer. Um coro de “we love you” dominou a arena.

Então, foi a vez da música Paper Doll – que rumores dizem ser uma resposta para Taylor Swift, de quem Mayer já recebeu a nada agradável Dear John. Com I Don’t Trust Myself (With Loving You), Mayer empolgou o público com mais um de seus impecáveis solos de guitarra, se conectando à audiência de uma maneira que não tinha acontecido até então.

Após o cover de Going Down The Road Feeling Bad, Mayer apresentou uma sequência com alguns de seus maiores sucessos, iniciada pela dolorida Slow Dancing In a Burning Room. Depois, apenas com o violão, ele tocou Daughters, em um dos momentos mais emocionantes da noite. A multidão acompanhou em coro, e não foram poucas as pessoas em lágrimas mostradas no telão. Em seguida, ele apresentou Free Falling e Stop This Train, esta última a pedido do público, que reagiu de forma intensa. “Eu amo vocês. Muito obrigado”, o artista disse, visivelmente emocionado.

Com a banda de volta ao palco, tocaram Waiting On The World To Change e em seguida Dear Marie, do último álbum, Paradise Valley. Ele a apresentou como sendo uma música sobre “um amor antigo, um amor jovem”. Ainda que não fosse conhecida da maior parte do público, houve uma grande conexão durante a canção, uma carta melancólica de Mayer para um antigo amor. “Eu nunca vou esquecer esse momento”, ele disse. “Às vezes você se preocupa se sua música vai durar daqui há anos. Eu me preocupo com isso. Mas a cada momento em que vocês cantam comigo, mostram que se importam”.

“Ela tem 19 anos”, disse Mayer sobre a sua guitarra, depois de tocar Something Like Olivia. “Essa é a guitarra que eu tocava no meu quarto, sonhando em tocar pra várias pessoas. Agora eu estou com ela aqui, em São Paulo, tocando para 30 mil pessoas.” Após Wheel, música de Heavier Things, segundo álbum da sua carreira, ele prometeu: “Eu decidi, vou vir aqui todos os anos pelo resto da minha vida. Eu amo vocês”.

Em Who Says, ele trocou o verso “it’s been a long time in New York City”, por “it’s been a long time in São Paulo too”, empolgando o público. Depois foi a vez de If I Ever Get Around With Living, Vultures e Age of Worry, que fez a audiência reagir após os primeiros acordes. “Vocês estão cantando tão alto depois de esperarem tanto”, ele disse. “Essa noite está sendo incrível. Eu nunca vou esquecê-la”. Ele encerrou o show de duas horas e quarenta minutos com Why Georgia, outra música inesperada e que enlouqueceu o público, e Gravity.


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John Mayer promete: "Vou voltar aqui todos os anos pelo resto da minha vida"

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