(Foto: divulgação) Idlewild – Foto promocional

Eles já foram resenhados pela imprensa gringa como uma mistura de Radiohead e R.E.M, e alçados a aposta britânica no início dos anos 2000. Os escoceses do Idlewild, que acabaram de completar 20 anos de banda, estouraram com a balada American English, e com o hit You Held the World in Your Arms, do disco The Remot Part, de 2002. Porém, por causa do destino o sucesso esperado não foi tão distante assim. Altos e baixos na carreira (várias mudanças de formação e pausa para os integrantes se dedicarem a projetos solos), fizeram a banda perder força, mas não ao ponto de desanimar. Eles continuam firmes e fortes. Em 2015, por exemplo, retornaram com tudo, reformulados e lançaram o álbum Everything Ever Written. Agora, em março chega ao mercado Idlewild Live, primeiro registro ao vivo que conta com performances acústicas e elétricas.

O Virgula esteve na Escócia  para acompanhar dois shows deles (em Aberdeen e Glasgow) que foram registrados para o álbum ao vivo, e aproveitou para trocar uma ideia com a banda, que falou sobre a trajetória dessas duas décadas, relembrou os bons momentos, contou da emoção em voltar aos palcos, e que sonha com o dia em que possa pisar em solo brasileiro para fazer o primeiro show no país. Sim, infelizmente, eles nunca tocaram no Brasil, mas mantêm a esperança. Dá uma olha no papo, que é dos mais interessantes.

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“É um prazer falar contigo. Pelo que lembro nunca falamos com a imprensa brasileira”, disse em tom empolgado o guitarrista Rod Jones, um cara bastante simpático e que adora conversar. “Sabe, quando começamos a banda nunca pensamos em completar 20 anos de carreira e temos sorte de chegar até aqui. No início, as coisas começaram a acontecer muito rápido pra gente. Pessoas lotavam os shows, os singles não paravam de tocar nas rádios e estávamos em todos os festivais. Íamos sempre ao Top of The Pops. Éramos a banda do momento. Claro que, muita coisa aconteceu, os tempos mudaram, a banda precisou dar um tempo para depois retomar às atividades, e da primeira formação ficou eu, o vocalista Roddy Woomble e o batera Colin Newton.

Dessas duas décadas de banda, Rod aproveita para relembrar os momentos inesquecíveis: “Quando tocamos com o R.E.M. foi realmente um momento especial para nós. Me lembro que Michael Stipe dedicou uma canção para nós, e estávamos assistindo ao show no palco. Sou muito fã deles e foi um grande momento. Até hoje guardo uma foto em que tiramos no backstage e que estávamos todos sorrindo ao mesmo tempo. Outro momento especial foi quando fizemos o nosso primeiro show em Londres após a nossa pausa. Foi o nosso retorno e estávamos nervosos. Era um local bem grande, estava lotado e foi muito emocionante”.

Sobre o novo álbum, o guitarrista conta como tudo rolou: “Em Everything Ever Written pareceu que estávamos gravando o nosso debut, pois estávamos retornando do nosso ‘break’. Ficamos cinco anos separados, sem tocar juntos e cada integrante viveu experiências diferentes. Então, trouxemos elas para o estúdio para compor as canções. Nós também adicionamos novos instrumentistas, Luciano Rossi (teclados), Andrew Mitchell (baixo e guitarra) e Hannah Fisher (violino, backing vocals e guitarra), que trouxeram novas ideias e colaborações para as músicas. É como se fosse um novo Idlewild, mas sendo o mesmo.”

No álbum ao vivo, dois grandes hits, No Emotion e Every Little Means Trust, ficaram de fora do setlist e Rod explica o porque: “Os shows que fizemos para o álbum ao vivo realmente foram extensos. Foram 25 músicas ao todo. Estamos com três integrantes novos na banda e são muitas músicas para aprender (risos). Então, tivemos que deixar algumas de fora do setlist, como No Emotion e Every Little Means Trust. E, também tivemos que ensaiar bastante as novas versões acústicas para soar da melhor forma possível. American English, por exemplo, nunca tínhamos feito uma versão de violão dela. Acho que No Emotion soa melhor nas pistas de dança mesmo. É uma música ‘disco’ (risos).

Com o passar do tempo, os escoceses foram ‘amadurecendo sonoricamente’. Começaram fazendo um hardcore juvenil e lá pelo quarto disco já estavam mais calmos, totalmente influenciados pelo folk, o que mudou a cara da banda.”Para cada álbum tentamos dar uma direção diferente. Música é experiência e acho que os nossos fãs gostam que a cada trabalho damos novas experiências a eles. Com o tempo vamos nos educando melhor musicalmente, de referências e como músicos, e tentamos colocar isso em cada gravação. Nós mudamos e os nossos fãs também vão mudando de acordo com a gente. Digamos que crescemos juntos (risos). A vida é feita de vários momentos diferentes, temos músicas hardcore, balada, country, dançante, etc. Então, se for ver temos uma trilha sonora adequada para todos os momentos da vida (mais risos).”, conta Rod.

No mesmo tópico, o guitarrista continua: “Outra coisa que influência muito o nosso som é o local em que gravamos os álbuns. Se gravamos em Los Angeles, ele soa mais americano. Se gravamos em Glasgow, ele soa mais britânico. Acho que isso é natural. Mas ao vivo, as músicas sempre foram para um lado mais ‘noise’, com guitarras barulhentas. O que importa é você ter uma boa melodia, e se tem isso vai soar bem em qualquer formato”

Já que os escoceses passeiam por várias influências, qual seria a música que mais representa a banda? “Ahh, essa é quase impossível de responder (risos)”, diz Rod. “Collect Yourself, o novo single, é o que mais me representa. Mas pensando na banda e em toda a história que temos, acho que Roseability, ou Little Discourage, são canções que podem nos definir. Elas conversam bem com os nossos fãs e nunca podem faltar nos shows”.

Para a frustração dos fãs brasileiros, o Idlewild nunca passou perto do nosso país para shows, e Rod tenta achar uma explicação para isso: “Já fomos várias vezes aos EUA e Japão, mas nunca até o Brasil. O que é uma pena. Acho que o fato de nunca termos ido é porque a banda não foi bem trabalhada no Brasil. Nenhuma gravadora se interessou em lançar todos os nossos discos. O único foi The Remote Part, de 2002, pela EMI, eu acho, pois esse disco alcançou muitos países. E, consequentemente não tivemos oportunidade de fazer shows na América do Sul. Ao que me lembro não tivemos propostas vindas do Brasil. Mas gostaríamos muito de tocar lá. Se tivéssemos convites iriamos muito felizes. Seria como um sonho. Como férias. Fale para os ‘promoters‘ locais nos chamarem (risos).”

E sobre a nossa cultura, sabe de algo?. “Não conheço nenhum artista brasileiro em especial. Mas tenho em casa um CD coletânea de música brasileira, que é um tipo de jazz mais rítmico”, conta Rod. Samba você quer dizer? “Isso, Samba! Eu não lembrava o nome do estilo. Vou te contar, uma vez fui para a Espanha de férias e fiquei fascinando pela música local de lá. Se formos ao Brasil prometo estudar mais sobre a música brasileira e quem sabe até trazer umas influências pra banda. A música que fazemos é muito britânica e americana, acho que precisamos de umas coisas novas (risos).”

“Recebemos bastante mensagens de fãs do Brasil e da Argentina. Ainda não os conhecemos, mas queria agradecer pelo apoio. É incrível saber que a nossa música chega até a América do Sul, e quem sabe não nos encontramos em breve”, finaliza o guitarrista.

Estamos torcendo, Rod. Estamos torcendo.

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Para mais informações sobre o Idlewild –  idlewild.co.uk

 


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