Mesmo desconhecido por grande parte do público presente na noite bossa nova do festival Música em Trancoso, realizada ontem e na qual César Camargo Mariano aparecia como o grande anfitrião, o harpista colombiano Edmar Castaneda, de 35 anos, surpreendeu e levantou a plateia, literalmente.

Em uma virtuosa exibição, Castaneda tornou sua enigmática participação em um dos pontos altos do show, que também contou com um inspirado Ivan Lins e uma linda homenagem a Sabine Lovatelli, idealizadora e diretora artística do festival.

Na ocasião, César apresentou novos arranjos para canção que leva seu nome, um presente do pianista canadense Oscar Peterson.

Apesar da chamada César & Friends ter sido emocionante como um todo, a presença de um harpista em transe com seu instrumento certamente não passaria despercebida. No final da noite, o assunto era um só: Castaneda, instrumentista que revoluciona o modo de tocar harpa ao se aproximar do jazz e, inclusive, do samba.

Questionado sobre esse método particular, o colombiano diz não saber explicar, alega ser um dom de Deus e exalta o jazz como “um ritmo que te empurra e te motiva para vida”.

“Encontro na harpa levadas de três ou quatro instrumentos. Trata-se de algo muito pioneiro mesmo, tanto que nem eu sei o que faço”, revelou o instrumentista em entrevista à Agencia Efe.

Castaneda, que vive desde 1994 em Nova York, onde mora com sua esposa (cantora) e seu casal de músicos – uma harpista de seis anos e um baterista de três -, admite ser mais conhecido no cenário internacional do que em sua terra natal, Bogotá, e também reconhece as dificuldades de levar a harpa ao jazz.

“Todos observam a harpa como algo mais folclórico, regional ou algo isolado, distante, como solistas. No entanto, após verem minha proposta, todos acabam me incentivando de alguma forma”, apontou o artista que traz uma boina como marca registrada e que começou a tocar ainda criança, após ter ganho uma harpa da família.

Após ter passado discretamente pelas principais cidades do país, o harpista colombiano, apadrinhado pela lenda cubana Paquito D’Rivera, chegou a Trancoso sem medo de exaltar sua paixão pela música brasileira e pelo samba, citando o violinista e compositor carioca Guinga, Hermeto Pascoal e outros “que, por ser tantos”, acabou não lembrando o nome.

“Eu gosto muito da música brasileira e, inclusive, tenho vontade de gravar um disco somente com artistas brasileiros, como uma bônus track misturando harpa e bateria de escola de samba”, revelou Castaneda, que tocou três faixas no show – um solo, a autoral “Samba” e “Antes que Seja Tarde”, com Ivan e César – e arrancou aplausos de pé.

Além do reconhecimento e aprovação da plateia, o harpista também arrancou elogios do próprio maestro da noite, o elegante César Camargo Mariano. “Eu já tive o prazer de tocar com ele outras vezes antes e eu sou apaixonado por esse cara”, disse o pianista antes de anunciar Castaneda – o primeiro convidado a subir ao palco.

Antes de voltar para suas familiares jam sessions em Nova York, o harpista tocará em um festival em Porto Rico no próximo sábado e, no início de abril (dias 4, 5 e 6), em Santiago de Compostela, no noroeste da Espanha. 


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Harpista colombiano levanta Festival de Trancoso em virtuosa exibição

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