Buchecha


Créditos: Adriano Alves

Em turnê que comemora os 15 anos de carreira e prestes a lançar um DVD ao vivo para marcar o aniversário, o cantor Buchecha está há quase dez anos sem a parceria do cantor Claudinho, morto em um acidente de carro em 2002. Em entrevista exclusiva ao Virgula Música, o carioca de São Gonçalo, de apenas 36 anos, relembrou o início da carreira e revela o que o motivou a voltar aos palcos após a tragédia.

“Fazem dez anos que ele se foi, e parece que foi ontem”, lamenta Buchecha. “É tudo tão recente, mas tudo faz lembrá-lo e eu acabo me beneficiando dessa lembrança. É uma forma de matar a saudade e continuar firme com minha carreira”.

Claudinho e Buchecha estouraram em todo o país em 1996. O primeiro álbum da dupla ultrapassou a marca de 750 mil cópias vendidas, embalado pelo sucesso de faixas como Nosso Sonho, Conquista e a regravação de Tempos Modernos, de Lulu Santos. A maré alta seguiu nos anos seguintes: juntos, os três primeiros álbuns da dupla venderam 2 milhões de CDs.

Em 13 de julho de 2002, após um show em Lorena, interior de São Paulo, Claudinho decidiu voltar para o Rio de Janeiro em um carro separado do restante da equipe, dirigido pelo então empresário da dupla, Ivan Manzielli. Por volta das 6h30 da manhã, Manzielli perdeu o controle do veículo, que bateu em uma árvore e caiu em uma ribanceira. Claudinho morreu na hora.

“Pensei em parar de cantar logo que ele faleceu”, relembra Buchecha. Somente no ano seguinte viria MC Buchecha, o primeiro álbum solo do cantor. E o que motivou Buchecha a voltar a cantar?

“Um dia, umas crianças pararam em frente à minha casa, desceram do ônibus escolar e começaram a gritar meu nome, pedindo pra que eu continuasse a cantar. Elas desenharam uns cartazes lindos, eu fiquei muito emocionado”, conta. “Eu não tinha noção da importância que nos tínhamos pra algumas pessoas, para as nossas famílias, para outros artistas e principalmente para o público”, avalia.

Autor de boa parte dos hits da dupla, o carioca relembra o começo da carreira. “Tudo começou meio de brincadeira, faço canções desde a época da escola. Acho que já estava no sangue”, conta.

Em um festival de rap em São Gonçalo, no início dos anos 1990, a brincadeira ficou séria. Buchecha foi convencido por Claudinho a participar do concurso, e os dois saíram do festival com o 1º lugar. Na época, os dois tinham 17 anos. “De ali em diante as coisas fluíram naturalmente”.

Hoje, regravado por artistas como Ivete Sangalo, Lulu Santos e Kid Abelha, Buchecha se orgulha do passado, e se diz agradecido pelo reconhecimento. “Não quero ser pretensioso, mas acho que música boa não tem fronteiras ou limites”, afirma. “E é por isso que fico feliz com o aval dessas pessoas”.

E se Conquista – e a coreografia da música – atingiu todo o Brasil em 1996, em 2011 é a vez do sertanejo Michel Teló, com Ai se eu te Pego. Assim como o paranaense nos dias de hoje, a dupla foi alvo de críticas duras, mesmo sem a velocidade e a ferocidade das redes sociais.

“É algo inevitável, sempre vai haver esse tipo de coisa”, avalia. “Acho que o Michel Teló tem se saído muito bem. Eu particularmente gosto dessa música, e penso que ele deve continuar fazendo o que gosta”, recomenda.

E depois de tanto caminho percorrido, o que vem pela frente? “Penso em muitas coisas, muitas surpresas sobre as quais ainda não posso falar”, diz. “Mas sei que virão outros DVDs, outros CDs, e mais shows pelo Brasil”. Com participações do cantor Belo e de Jorge Vercilo, o CD e DVD ao vivo Só Love: 15 anos de sucessos chega às lojas em fevereiro.

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Há dez anos sem Claudinho, Buchecha lamenta tragédia: "a lembrança é uma forma de matar a saudade"

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