No último sábado, dia 1 de dezembro, quem foi ao Manifesto Bar pôde ver um dos primeiros shows que marcam a volta do Viper à ativa. Quem é do metal conhece bem a banda e sabe que ela foi uma das mais famosas do Brasil em seu gênero e também fez muito sucesso no exterior. Músicas como Rebel Maniac, Coma Rage, Evolution, Living for the Night, são bem conhecidas por quem assistia a MTV e ouvia rádios rock lá pelo meio dos anos 90.

Depois de um tempo parados por vários motivos, Pit Passarell e Felipe Machado – membros originais – reuniram novos músicos e colocaram o Viper pra andar. Eles lançaram há poucos meses o CD All My Life, pela gravadora Eldorado, novamente cantando só em inglês. O guitarrista Felipe Machado conversou com o Virgula e você acompanha tudo agora:

Por que o Viper voltou?
Felipe Machado – A banda nunca acabou. Em 96, quando gravamos em português, tivemos problemas com a gravadora, que faliu logo em seguida. Brigamos com o empresário e entramos em stand by. Ficamos uns cinco anos paradões, demos uma desencanada. Em 2001 voltamos pra fazer um show no Citibank Hall (antigo Palace), mas logo na seqüência o Yves (Passarell) saiu e foi pro Capital Inicial. Demos umas paradas e fazíamos uns showzinhos vez ou outra. Em 2005, nos juntamos pra fazer o DVD (chamado de Living for the Night) e pintou a idéia de voltar.

Vocês estão com um novo vocalista, como foi a escolha?
FM – Entramos na nossa comunidade no Orkut e colocamos um post pedindo pra mandarem demos. Aí o Ricardo (Bocci) mandou e a gente achou muito bom. Ele já teve até aula com o André Matos (ex-vocalista do Viper, Angra e Shaman). Voltamos a ensaiar, aí pintaram convites de show e da Eldorado pra gravar o disco. A volta foi natural.

Como classifica o disco novo em relação aos anteriores?
FM – O estilo do novo estaria entre o Theater of Fate (de 1989) e o Evolution (de 1992). Tem partes melódicas, mas também é pesado e tem sons atuais. Acho um dos melhores da gente. O Pit tinha muitas músicas que a gente não gravou. Quando entramos no estúdio deu pra criar bastante. Tem muita coisa legal que poderia virar singles, na nossa opinião. Isso é um clichê, mas clichê ou não estamos felizes com o disco.

O negócio do Viper é cantar em inglês mesmo? Não pretende lançar nada em português (o disco Tem Pra Todo Mundo, de 96, é em português)?
FM – É, com certeza. A gente fez português porque era uma coisa que queríamos. Mas deveríamos ter lançado com um nome diferente. Tanto que muita gente reclamou, o pessoal de Heavy Metal é mais radical. Mas sempre fomos cabeça aberta com isso, era um passo natural. Só que pra voltar decidimos que tem de ser em inglês, metal, pesado.

E o mercado externo, ainda interessa pra vocês?
FM – Ah, acho que sim. Queremos atingir. O disco sai na Argentina em fevereiro e mandamos o disco pra Europa e Japão. Queremos voltar a tocar nesses lugares. Especialmente no Japão, que era um mercado que o Viper tinha.

E como vocês estão de tempo? Você, por exemplo, é jornalista hoje.
FM – Sou o único que tem emprego fixo fora da música. Sou escritor, tenho blog, trabalho no jornal. Preciso disso para me bancar, é minha atividade hoje. Os outros têm atividades ligadas à música. O Pit compõe pra outras bandas, os outros dão aula de música. No meu caso é mais complicado, numa turnê grande tenho que tirar férias e tal. Ou chamar alguém pra participar de um show no meu lugar.

E chegou a passar pela cabeça chamar o André Matos para voltar à banda?
FM – Passou e ele participou desse disco. O Viper tem uma coisa meio de manter a amizade apesar dos anos. Mas quando voltamos mesmo não chegamos a cogitar porque o Ricardo já estava entrosado, ele colocou gás na banda. Não teria sentido o André voltar porque também já estava encaminhado na carreira solo. Ele também está lançando disco solo, mas dá pra rolar uma turnê juntos.

Como tem sido a volta? É difícil tocar em lugares pequenos para quem já foi tão grande?
FM – A gente sente falta dos shows maiores. Estamos indo num caminho legal, ficamos muito tempo parados. E infelizmente não somos o Police. Queríamos fazer turnê grande, mas vamos devagarzinho e chegando naturalmente. As pessoas hoje já conhecem as músicas novas, cantam junto.

E como é a divulgação quando não tem mais rádios rock e a MTV toca outro tipo de música?
FM – De dez anos pra cá, mudou completamente o mercado. Antigamente tinha a MTV, tinha a 89 FM, a Brasil 2000, hoje mudou tudo. Mas tem Youtube, dá pra jogar a música no site e todo mundo baixa. Tem o Orkut e a nossa comunidade tem 5 mil pessoas. É uma mala-direta. Hoje você coloca uma música no site e quem baixa é fã. Tem vários vídeos do Viper no Youtube, vendemos o disco no site oficial, é um outro jeito de divulgar.

Pra terminar: e shows, vão rolar mais?
FM – Esse ano não tem mais, mas em janeiro já vamos ter outros.

Guitarrista e escritor

Felipe Machado, além de ser guitarrista do Viper, também é escritor. Coincidentemente ou não à volta da banda e do lançamento de um disco novo, ele também acaba de publicar seu segundo livro. O nome é O Martelo dos Deuses e é o sucessor de Olhos Cor de Chuva, estré de Felipe na literatura. O novo trabalho mostra a trajetória de um serial killer que decide matar pessoas más.

De cara já dá para enumerar algumas influências do Felipe e a principal delas é mesmo o cinema. “Sou fã do Kubrick (Laranja Mecânica, 2001 – Uma Odisséia no Espaço), Coppola e de diretores mais clássicos”, diz o escritor/guitarrista. Lendo O Martelo dos Deuses, a gente vê que a linguagem é bem por aí mesmo, mas as influências vêm de outros lugares também. “Jornais, TV, cultura em geral, tudo isso vira uma influência”, diz.

O livro mostra um protagonista violento, que mata as pessoas com marteladas no rosto. A linguagem é ágil e, muitas vezes, lembra um filme mesmo. Há a vontade de levar a história para o cinema? “Se arranjarmos um produtor, adoraria. Mas não tenho essa pretensão e o livro cumpre seu papel”, revela Felipe.

O Martelo dos Deuses já está à venda.

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Felipe Machado fala da volta do Viper em entrevista exclusiva. Leia mais!