Qualquer fã de rock já sentiu uma certa curiosidade em saber como os álbuns mais clássicos do gênero foram gravados. Mas a ST2 Video resolveu ajudar o público brasileiro: está sendo lançada por aqui a série de DVDs “Classic Albums”.

São documentários que dão detalhes técnicos e curiosidades variadas sobre a produção de discos, incluindo entrevistas com os artistas, produtores, músicos de apoio e, em alguns casos, performances exclusivas gravadas em estúdio.

Elton John, por exemplo, tem “Goodbye Yellow Brick Road” dissecado — desde uma frustrada tentativa de gravação na Jamaica até a conclusão, em um chateau mal assombrado na França.

O DVD também ajuda a vencer qualquer preconceito que o espectador tenha quanto a John (provavelmente causado pelo excesso de baladas açucaradas nos anos 90).

Gus Dudgeon, produtor, e David Hentschel, engenheiro de som, mostram como algumas faixas ganharam a forma final, dando uma visão (e audição) que normalmente não se tem depois que o álbum chega às lojas. Há também demonstrações do guitarrista Davey Johnstone, que explica como compôs riffs e solos.

Mas, definitivamente, a melhor parte do documentário é o segmento dedicado à canção “Candle in the Wind”. “É o tipo de música que as pessoas dizem ‘se eu não a ouvisse novamente, ficaria muito feliz”‘, admite o próprio John.

A faixa foi sucesso três vezes: quando saiu em compacto na Inglaterra, na versão ao vivo lançada nos EUA e no single beneficente em homenagem à princesa Diana, em 1997.

EM NOVA YORK

Em 1972, Lou Reed lançava “Transformer”, disco que também mereceu um DVD da série “Classic Albums”. Basta dizer que o trabalho foi produzido por David Bowie (presente em exatos 26 segundos de entrevista) e Mick Ronson (então guitarrista do Spiders From Mars).

“Nunca tive uma molecada gritando por mim. Só gritavam pelo David. Em mim eles só jogavam seringas e baseados”, sintetiza Reed. “Essa não é uma frase ótima?”, completa, com um raro sorriso no rosto.

No começo da década de 70, depois de ter saído do Velvet Underground, ele foi um dos principais inspiradores do movimento punk.

Com os mesmo três acordes que produziriam dezenas de canções do Ramones nos anos seguintes, ele fez faixas como “Waiting for the Man” e “Vicious”. “Alguns me dizem ‘todas as suas músicas têm os mesmos acordes’ e eu digo ‘ok, não me ouça”‘, esbraveja o cantor.

O documentário também é eficiente ao mostrar como era a Nova York de Andy Warhol, com todos os aspirantes a artista e eventos excêntricos. Além disso, é interessante ver alguns dos personagens de “Walk on the Wild Side” falarem sobre a música — e afirmarem que não conheciam o artista na época.

Para os mais interessados na parte técnica, há uma detalhada explicação sobre a linha de baixo do clássico que era, na verdade, uma dobradinha entre um instrumento acústico e um elétrico, como explica (e demonstra) o músico de estúdio Herbie Flowers. “Foi para dar um pouco mais de atmosfera, de personalidade”.

Cada DVD traz ainda como bônus vários trechos das entrevistas que não foram usados na montagem final. As legendas são em espanhol ou português (de Portugal, diga-se de passagem).

Ainda fazem parte da série “Classic Albums” discos de Elvis Presley (o primeiro, que levou o nome do cantor), Jimi Hendrix (“Eletric Ladyland”), U2 (“The Joshua Tree”) e Iron Maiden (“The Number of the Beast”), entre outros.


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DVDs revelam bastidores de álbuns clássicos do rock

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