Luis Trípolli


Créditos: Thiago Oliveira

Quem?!?! Pioneiro em fotografia de moda no Brasil.

INÍCIO
Emílio: Você fez coisas em uma época que era muito difícil. Porque hoje em dia a gente tem uma certa liberdade, mas na tua época, quando você começou…
Luis Trípolli: Para começo de conversa, não tinha modelo. As mulheres que posavam para fotografia eram consideradas prostitutas. Então,na época, você não podia nem convidar alguém, as meninas de família, porque era uma ofensa. Como também, a profissão de fotógrafo.
Bola: Era isso que eu queria saber, com relação a sua profissão.
Luis Trípolli: Segundo a minha tia eu ia ser igual ao “pé sujo”, que era um fotógrafo de 3×4 que tinha no Grajaú, bairro que eu morava no Rio de Janeiro, que andava com uma sandália que era menor que o pé dele, então o calcanhar ficava sujo, entendeu? Então, foi uma briga fantástica nos anos 60 para eu conseguir… Porque, na verdade, eu sempre gostei muto de ver revista e desenhar, então, como eu ainda não tinha idade, me colocaram como ouvinte na Escola de Belas Artes do Rio, onde me usavam um pouco como Office boy. E foi numa dessas idas e vindas, que eu fui entregar um rolo de filme para revelar e o fotógrafo que estava no laboratório perguntou se eu não queria ver o processo. Eu disse que queria e aí, quando eu comecei a ver aquela história da projeção no papel, aquilo foi pura mágica. E foi aí que eu descobri que era aquilo que eu queria fazer. Arrumei um trabalho um trabalho de Office boy na escola de propaganda que era do Fernando Barbosa Lima, no centro do Rio de Janeiro, e com meus dois primeiros salários eu comprei uma câmera muito vagabunda e aí não dei sossego para mais ninguém.

CÂMERAS DIGITAIS
Bola: Você falou no começo que o que te encantou foi você ver o processo de revelação das fotos e tal. E esse negócio da máquina digital, você acha que veio para o bem ou para o mal?
Luis Trípolli: Para o bem, veio para o bem. Primeiro porque permitiu o acesso de milhares de pessoas que têm talento – e no Brasil se tem muita gente talentosa e com olho bom para fotografia – e, também, barateou e facilitou demais. Porque um sujeito que queria ser fotógrafo há 20 anos tinha que gastar uma grana e ralar demais, inclusive tinha que ter laboratório, que é uma coisa bem cara. Hoje, você com um notebook ou um computador em casa e uma pequena câmera, para você ter ideia, até com um telefone celular você consegue fazer coisa muito boa e mostrar o seu talento. Então, isso abriu as portas para muita gente boa, graças a Deus, porque ta cheio de gente, que vio lá de trás, e ta enganando por aí. E eu apóio muito os jovens, porque o Brasil está muito chato e careta em matéria de imagens. E eu acho que deve haver uma mudança. E deve ter algum nordestino, gaúcho, ou sei lá, que tê novas ideias e passaram a ter acesso também. O importante é que os editores deixem de ser caretas, porque eles abrem as revistas estrangeiras e pedem para a gente imitar. Ou seja, mal o cara começa ele já não tem estilo, porque ele vai ter que copiar alguém.

SEDUÇÃO
Emílio: A Sabrina Sato ficou apaixonada por você e inclusive disse que viria aqui hoje, porque você viria aqui. Ela fez umas fotos com você que ficaram espetaculares. E eu queria saber se, antes de fotografar, você senta com a modelo, dá as ideias para o ensaio e tenta meio que seduzir a pessoa.
Luis Trípolli: Sim, claro. Porque se não houver isso, Emílio, a foto não vai ficar legal. Vai ser mais alguma coisa qualquer. Porque naquele momento de tirar a foto, que você fica atrás da câmera, você se apaixona pela modelo. E a minha função é fazer com que a modelo se torne o personagem. E, ao mesmo, tempo, se eu quero que o leitor se encante com aquele personagem, seja homem ou mulher, eu tenho que fazer com que ele olhe para mim de uma maneira que vá me seduzir, porque, dá mesma for,a ela vai seduzir quem abrir a revista.


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Luis Trípolli