Com a vitória sobre argentinos e chilenos nesta rodada passada das eliminatórias, a seleção brasileira carimbou o passaporte para a África do Sul, em 2010. A consolidação da vaga no mundial chegou com três rodadas de antecedência, ainda em Rosário, na Argentina, e, pensando nas últimas atuações do Brasil em Copas do Mundo, fica a pergunta: quando a equipe canarinho parte em busca do título em um bom momento dentro dos gramados, qual o seu desempenho?

Diante da participação assegurada, todos palpitam sobre as reais condições em que o Brasil chega ao torneio mais importante de todos. Será de salto alto, cheio de si e acomodado? Não seria melhor ter garantido a classificação posteriormente para já chegar ao outro continente no pique certinho, na pegada? O grupo praticamente fechado de jogadores não limita o espaço para novas promessas que, quem sabe, surjam até a convocação final?

As edições de eliminatórias dos últimos seis mundiais mostraram realidades diferentes. Em cada Copa, o Brasil viveu um momento específico no período de classificação, e outro, no torneio. Relembre como foram estas ocasiões vividas pela seleção:

Eliminatórias da Copa do Mundo de 1986 – Tranqüilidade na ida, frustração na volta

Para conseguir chegar ao mundial do México, a seleção brasileira comandada por Telê Santana disputou o Grupo 3 das eliminatórias daquele ano, que eram disputadas em um formato diferente. Na chave brasileira encontrava-se o Paraguai e a Bolívia (só o melhor avançava), e o Brasil não encontrou dificuldades para vencer e empatar uma vez com cada equipe e se classificar. Na Copa, a frustrante derrota nos pênaltis para a França encerrou a trajetória de um dos grupos de jogadores brasucas mais qualificados da história.

Eliminatórias da Copa do Mundo de 1990 – Apuros e mau futebol

Em 1990, o formato das eliminatórias ainda era o mesmo: três seleções em uma chave, e apenas a melhor se garantia da Copa. Com Venezuela e Chile no Grupo, o Brasil passou um dos maiores apuros na história para ir ao mundial. Após vencer facilmente os venezuelanos nos dois embates, um fraco empate contra o Chile, fora de casa, deixou a decisão da vaga para última partida, no Maracanã.

A partida foi vencida pelos brasileiros, na marra, naquele jogo marcado pelo rojão jogado dentro de campo, e a cena protagonizada pelo goleiro Rojas, que cortou o rosto com uma lâmina, foi punido e banido do futebol. No mundial, na Itália, a eliminação frente à maior rival, Argentina, e a volta para casa com o rótulo de seleção defensiva e da prática do jogo feio

Eliminatórias da Copa de 1994 – Superação do começo ao fim e um herói

Os jogadores que participaram da campanha das eliminatórias para a Copa dos Estados Unidos nunca foram reconhecidos por serem craques adorados pela torcida. Salvo uma exceção: Romário. Depois de resultados inéditos e inacreditáveis, como por exemplo, a derrota por 2 a 0 para a Bolívia, o técnico Carlos Alberto Parreira resolveu chamar o ‘baixinho’ para as partidas finais do Brasil, que, diante da mudança do formato de disputa, precisava chegar nos dois primeiros lugares da chave de cinco seleções.

Na partida decisiva contra o Uruguai, no Maracanã, o atacante da camisa número 11 deu um gostinho ao povo brasileiro do que estaria por vir no ano seguinte, em terras americanas. Resolveu o jogo sozinho, marcou os dois gols do placar de 2 a 0 para a seleção e começava, ali, a garantir o tetracampeonato mundial que chegaria em 1994.

Eliminatórias da Copa de 2002 – Perrengue e redenção

O Brasil não precisou disputar as eliminatórias da Copa de 1998, na França, pois o campeão da Copa anterior não entrava nestes confrontos. Após o fiasco frente a Zidane e companhia, na eliminatória seguinte (a primeira realizada no sistema de pontos corridos) entre 10 equipes (quatro vagas na jogada), a seleção sofreu muito para garantir a vaga no mundial da Coréia e do Japão.

Com Ronaldo recuperando-se de lesão, Felipão não atendeu a torcida e, desta vez, Romário não foi convocado para as eliminatórias. Quem resolveu a parada para o Brasil diante da Venezuela, no último e decisivo jogo, foi Luizão, ex-atacante do Corinthians que vivia ótima fase, e que com os gols salvadores, carimbou o seu passaporte e o da seleção para a disputa no Oriente. O resultado da Copa todos lembram…

Eliminatórias da Copa de 2006 – Salto alto, festa e fracasso

A alteração no modo de disputa das eliminatórias (com o atual campeão da Copa tendo que participar obrigatoriamente da fase de classificação) pareceu ter mudado a postura do Brasil em relação à eliminatória passada. Já acostumada com os pontos corridos, a seleção brasileira não deu bobeira e se garantiu na Copa de 2006, na Alemanha, com facilidade, no 1º lugar geral entre as 10 seleções sul-americanas.

O time que jogava bonito e contava com o famoso ‘quadrado mágico” deu gosto ao torcedor brasileiro. O título da Copa das Confederações badalou ainda mais o grupo de atletas que partiu rumo à Weggis, na Suíça, para a preparação para o mundial. O problema é que a badalação beirou ao absurdo, os treinos mal existiam e, depois de partidas razoáveis na 1ª fase de grupos da Copa, o Brasil caiu diante da França, nas quartas-de-final.


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Relembre as classificações do Brasil em eliminatórias de Copa do Mundo