Depois de passar anos pendurado na parede de casa, o quadro estava pronto para ser vendido. Seu dono sempre achou que se tratava de uma réplica, mas era o original. O susto foi o preço em que ele foi avaliado: 250 mil libras (R$ 676 mil).

O programa de televisão Antiques Roadshow é um sucesso na Inglaterra desde 1979, e já tem versões internacionais em outros sete países. O programa promove feiras de antiguidade, e uma equipe de especialistas contextualiza algumas peças, falando sobre arte e história.

Numa dessas feiras, em Greenwich, o escritor aposentado de 60 anos, que não quis revelar seu nome, levou uma pintura que estava em sua parede há décadas. Ele achou que estava vendendo uma reprodução, uma cópia, e que o valor não seria alto. Quando os especialistas verificaram a obra atestaram a sua originalidade e seu real valor. “Eu estou estupefato – disse o proprietário ao The Sun – vale mais do que a minha própria casa!”.

O quadro é uma pintura do Sir William Orpen, artista oficial da Primeira Guerra Mundial e foi avaliado em 25 mil Libras (R$ 676 mil). A mulher retratada era sua amante, Yvonne Aubicque.
    
Essa foi a pintura de valor mais alto nos 31 anos do programa. O episódio vai ao ar nessa segunda feira lá na Inglaterra.

Todo mundo achava que era cópia, mas o retrato que ficou décadas na parede é original e vale uma boa grana! (Foto: Reprodução/Daily Mail)

Todo mundo achava que era cópia, mas o retrato que ficou décadas na parede é original e vale uma boa grana! (Foto: Reprodução/Daily Mail)

O RETRATO

Como o programa não passa aqui, vamos contar resumidamente como essa obra foi parar na parede do inglês sem que ele soubesse seu real valor. A história é incrível.

O pintor William Orpen era designado pela coroa britânica para retratar os horrores da guerra, e estava proibido de fazer pinturas particulares. Quando retratou sua jovem amante, alegou que era o retrato de uma espiã.

Um tenente viu a pintura e achou a história muito estranha, uma vez que as duas principais espiãs da guerra já haviam sido mortas. Ele então disse que era uma espiã alemã, prestes a ser executada. Essa versão também não colou. Quando chegou à corte marcial, ele teve que contar a verdade, mas a essa altura ele já estava amigo do tenente e do Lorde Beaverbrook, que passou o pano no problema.

Depois da guerra, William Orpen pintou outra versão do retrato, e presenteou ao Lorde. Essa versão, e não cópia, foi vendida logo depois da Segunda Guerra para o tio do atual proprietário (porque ele não quis falar o nome? Ia facilitar tanto a história). O tio não tinha idéia do valor da obra, só comprou porque achou bonita. O sobrinho continuou com o quadro pelo mesmo motivo.

A assinatura dizia Nepro Mailliw, que é William Orpen de trás para frente. Quem percebeu esse detalhe, fez a pesquisa e descobriu toda a história da versão foi o especialista do Antiques Roadshow Rupert Maas. “O Museu de Guerra do Império disse ao proprietário que o trabalho era um cópia, mas eu pude identificar que não se tratava de uma cópia, e sim uma versão”, disse Maas ao The Sun. “Ela é mais quente que a original e pode ser até mais atrativa por causa disso”, completou.

Quantas pessoas ao redor do mundo não podem estar sentadas em tesouros da humanidade e nem saberem disso? Cuide bem dos quadros velhos que você receber de herança, quem sabe um dia não consegue vender para algum caçador de relíquias?


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Quadro que não era cópia é avaliado em R$ 676 mil