Mashup significa colagem. O termo originalmente veio da música, com a mistura de duas ou mais canções que resultam em uma só. O DJ Girl Talk é o grande expoente do gênero. Mas, na web, o mashup se multiplicou. Entre a geração “recorta e cola”, o mashup aparece em blogs, sites, álbuns de fotografias, mapas, redes sociais… Não tem fim.

O rei da colagem no país atende pelo nome de João Brasil. Músico formado na prestigiada Universidade de Berkeley, o artista é famoso por criar mashups em que combina ritmos e sons gringos com letras e batidas brasileiríssimas – lambada, em especial. Para exibir o seu poder de fogo, Brasil lançou neste ano o projeto 365 Mashups. A cada dia de 2010, o músico irá fazer um novo cut & paste. Há desde músicas que misturam Rita Lee com Jay-Z e Paralamas do Sucesso com Vampire Weekend, discursos de Steve Jobs com Lady e até misturas de vídeos virais do YouTube: Felipe Dylon tocando Iron Maiden versus o “Maior Trapézio de Curitiba”. Detalhe: tudo está sendo liberado para download.

Direto de Londres, João Brasil explicou a maluquice que é o 365 Mashups.

Como nasceu essa maluquice e qual é o seu ritmo de trabalho?
Minha mulher me sugeriu brincando essa ideia, três dias antes do Ano Novo. Eu levei a brincadeira a sério! Estou fazendo um por dia e estou levando em média duas horas com todo o processo. Estou querendo fazer um monte de uma vez para poder ter folga em datas especiais, mas ainda não consegui isso. (risos)

O que é o mashup? Ele já ultrapassou as barreiras musicais, não?
 O mashup é um trabalho de reciclagem, é cortar e colar o que já existe, transformando assim em algo que faz sentido para o “mashupeiro”. Ele pode ser aplicado em praticamente todas as mídias, não apenas na música: fotos, websites, logos, e por aí vai.

O mashup já existe há um tempo. Mas a internet e a “geração recorta e cola” estão impulsionando essa onda? Você acha que o excesso de informação e de tecnologia favorece o mashup?
Com certeza. A internet faz com que esse processo fique muito mais ágil. Eu tenho a ideia, baixo as músicas na internet, faço o mashup no meu software, o Ableton Live, subo o post no blog, divulgo pelo Twitter e pelo Facebook também.

Como você lida com os direitos autorais? Seus trabalhos são sempre liberados gratuitamente na rede e os mashups usam materiais de terceiros. Dá para tirar uma grana com isso? Como músico, você não é pressionado pela classe por ter tal postura?
Não vendo os mashups e sempre “linko” com o site/wikipedia dos artistas. É uma forma de divulgação. O Luiz Caldas, por exemplo, adorou o mashup com ele, a Céu postou o mashup no blog dela, o Emicida twitou … Eu não ganho dinheiro com isso. Tem algumas maneiras de ganhar dinheiro, fazendo parceria com a Amazon ou Google. Ainda estou estudando essa hipótese.

O universo nerd e geek aparece cada vez mais em seu trabalhos. Por quê?
Estou morando em Londres e estou fazendo um mestrado em design para mídia interativa. Durante a semana retrasada só se falava no iPad e no vídeo do Steve Jobs, então tive que fazer algo em cima disso. Os meus mashups me escolhem e não o contrário. É uma reação às informações que recebo.

Pretende fazer mais mashups só de vídeos?
Vão ser mistos: vídeos do YouTube, apenas áudio… Estou pensando, no mestrado, em fazer mashups interativos também. Isso vai ser uma loucura! (risos)

O blog irá virar um disco?
Vários discos vão sair ao longo do projeto: Já fiz o Black Album do Jay-Z no Brasil, estou no meio do Let It Be, dos Beatles, com baile funk, e agora acabei de começar o Mash Mash Carnival, que são hits misturados com batucada para o carnaval. Estou pensando em várias coisas: um calendário interativo com os 365 mashups, um ambiente multimídia … Minha cabeça não para!

 


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O universo de recorta e cola de João Brasil