Sem esperar a declaração final da 19ª Cúpula Ibero-Americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a cidade de Estoril, em Portugal, nesta terça-feira (1º) minimizando a falta de consenso entre os líderes sobre a legitimidade do governo eleito em Honduras. O presidente reafirmou a posição brasileira de rejeitar o processo eleitoral hondurenho e não dialogar com o presidente eleito Porfírio Lobo.

“A reunião não precisaria ter uma posição conjunta. Não somos instância de deliberação sobre Honduras”, disse Lula. “O problema agora é muito mais de Honduras do que do Brasil.”

O presidente voltou a condenar as eleições realizadas sem que o presidente deposto Manuel Zelaya, tirado do poder em junho, tenha sido restituído ao cargo. “O golpista agiu cinicamente, deu um golpe no país e convocou eleição quando não tinha o direito de fazê-lo. Não dá para fazer concessão a golpista.”

Lula respondeu ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que acusou o governo brasileiro de “dupla moral” por aceitar as eleições iranianas, mas não as hondurenhas.

“O presidente do Irã concorreu as eleições, teve 62% dos votos, não se pode questionar o discurso da oposição, mas houve eleição dentro de uma regra em que não foi ferida a Constituição do país. Não dá para comparar com Honduras”, disse.

Segundo Lula, o próprio presidente da Costa Rica tinha feito um condicionante para reconhecer o governo de Honduras, que era a volta do presidente Manuel Zelaya, convocação das eleições, e a volta à normalidade.

“Não podemos compactuar com um golpe desta natureza. Daqui a pouco o errado é o Zelaya e o benfeitor é o golpista. Se isso prevalecer, a democracia correrá sério risco na América Latina e na América Central”, completou o presidente brasileiro.


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"Não dá para fazer concessão a golpista", diz Lula sobre eleição em Honduras

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