Largar os estudos e abrir mão de sair com os amigos é comum entre jovens que engravidam na faixa dos 18 anos. Se ser mãe já é um desafio para mulheres mais velhas e estabilizadas, imagine o quanto pode ser difícil para uma jovem encarar uma gravidez precoce?

“Engravidei com 18 anos do meu namorado de um ano e meio de relacionamento. Na época eu estava estudando e trabalhando, então tive que desencanar do estudo e continuei trabalhando até o último dia de gravidez porque precisava do dinheiro. E quando o bebê fez seis meses eu voltei a trabalhar”, diz Viviane Braga de Toledo, de 29 anos.

Ela ainda afirma que no começo sofreu muito, pois abriu mão de fazer várias coisas, como viajar. “Do dia pra noite deixei de ser menina para ser mãe e até os dois anos do bebê eu não tinha estrutura emocional.”

Até os três meses, a gravidez foi um choque para todos. “Eu venho de uma família ‘quadrada’. Eu não podia viajar, tinha um pai ciumento. Eles ficaram muito assustados, mas só choravam. Aí quando eu estava de sete meses meu pai comprou um apartamento para mim.”

A operadora de televendas Juliana de Souza Costa também engravidou aos 18 anos (hoje ela tem 27) do namorado, mas foi uma gravidez planejada. “Não me dava bem com meus pais e quis sair de casa. Estou até hoje com o meu parceiro.”

“Na época, eu tinha terminado o segundo grau e trabalhava no comércio. Quando meus pais souberam, não gostaram da noticia, então fui morar com meu marido na casa da minha sogra. O apoio veio na parte financeira, mas nunca pude contar com eles em relação a ajudar a criar meu filho. Já as minhas amigas me apoiaram e tinham a mesma opinião: que eu era nova e tudo iria mudar na minha vida”, conta.

Já a gravidez da estudante de jornalismo Gabriela Caruso Francischini do Nascimento, de 21 anos, que ficou grávida aos 19, foi mais fácil, apesar da surpresa. Gabriela teve o apoio da família e diz que quem mais teve problemas para aceitar a situação foi ela mesma. “Foi um grande susto, pois eu estava indo para o 2° semestre da faculdade e me desesperei. Foi com meu namorado, estávamos há três anos juntos. Hoje ele é meu marido já vamos fazer dois anos de casados.”

Ela aconselha: “sem dúvida, meu filho é minha vida e eu não trocaria ele por nada nesse mundo. Entretanto tudo tem sua hora e ter um filho não é brincadeira, é muita, muita responsabilidade e pra vida toda. Acho que cada um sabe sua hora, acho que o influencia não é a sua idade e sim as condições em que você vai ter esse filho. Se você for jovem sem dúvida terá que abrir mão de muitas festas, baladas, viagens, etc. É preciso ter uma estabilidade financeira, um parceiro legal”.

As outras mamães também dizem que não se arrependem de terem ficado grávidas. “Não me arrependo de ter ficado grávida tanto é que tenho três filhos já. É claro que a vida muda totalmente, mas para mim, ser mãe é uma dádiva e sou muito feliz em ter essa família”, diz Juliana. “Faria tudo de novo. No começo assusta, mas a criança te dá muito amor e você passa a ver que valeu a pena. Mas eu acho que toda menina tem que esperar, porque a jovem é diferente da mulher madura. Se você não tem uma estrutura emocional, isso pode se refletir no filho no futuro”, conclui Viviane.


int(1)

Mulheres falam sobre o desafio de tornarem mãe jovens

Sair da versão mobile