Michael Jackson morreu nesta quinta-feira (25) aos 50 anos, vítima de uma parada cardíaca.

O cantor sofreu o ataque do coração no início desta tarde e foi levado ao hospital UCLA Medical Center, em Los Angeles, mas, segundo o jornal, os paramédicos não conseguiram reanimá-lo. Ele não tinha pulso quando foi atendido pelos médicos.

MEMÓRIA

A enxurrada períodica de notícias escandalosas envolvendo o nome de Michael Jackson desde os anos 90 fez muita gente esquecer uma verdade incontestável: ele foi um dos dois maiores artistas pop dos últimos 50 anos (o outro foi Elvis). E é esse o Michael Jackson que seus milhões de fãs ao redor do mundo vão guardar na memória.

Então, vamos esquecer um pouco as acusações de pedofilia, o bebê sendo balançado na varanda do hotel, as máscaras anti-germes e as sucessivas cirurgias plásticas que transformaram seu nariz num pedacinho de cartilagem.

Vamos lembrar do menino-prodígio que, aos 10 anos, subia nos palcos já como líder de seu grupo, o Jackson 5, e que, com seu carisma solar e passos de dança impecáveis, ofuscava todos seus companheiros de banda/irmãos mais velhos. Desde essa época, Michael era famoso, adorado e vendia milhões de discos, carregado por hits como “ABC” e “I Want You Back”.

CARREIRA-SOLO

A carreira-solo era inevitável. Mesmo durante a existência do Jackson 5 (depois rebatizados de The Jacksons), Michael já era levado para gravar sozinho no estúdio, gerando sucessos como “Ben” e “I’ll Be There”. E tratado como A estrela, O especial.

Seu pai o educou segundo uma disciplina rígida (sua mãe era testemunha de Jeová), e consta que era comum que Michael apanhasse. É nesse misto de tratamento de reizinho com severidade familiar, de privilégio com trabalho incessante, que foi criado o menino Michael. Alguém acha estranho ele ter virado o que virou? Michael Jackson nunca viveu como gente normal.

Em 1979, Michael lançou Off the Wall, produzido pelo maestro Quincy Jones. O disco foi um sucesso global e abriu caminho para o álbum em que Michael deixou de ser apenas um cantor muito famoso para virar um fenômeno musical que só encontra paralelo em Elvis Presley. Este álbum era Thrilller, que saiu em 1982.

THRILLER

Todas, eu disse todas, as músicas de Thriller viraram hits. “Billie Jean”, “Beat It”, “Human Nature”, a faixa-título, são todos clássicos eternos. O disco é até hoje o álbum mais bem-sucedido da história, tendo vendido entre 100 e 109 milhões de cópias. Muito do sucesso do disco veio da aposta de MJ numa nova mídia, os video-clipes, que o mundo assistia e tentava copiar seus incríveis passos de dança (como o Moonwalk, o passinho para trás assumidamente inspirado no breakdance).

Mas Michael, sendo Michael, não fazia clipes, fazia super-produções. O vídeo de “Thriller” tinha 13 minutos e foi dirigido por John Landis, que fez os Irmãos Cara-de-Pau. A estreia de um novo clipe no Fantástico, que era onde se viam novos clipes na TV brasileira no começo dos anos 80, era um evento nacional que todo mundo comentava no dia seguinte.

PÓS-THRILLER

A performance de Thriller foi tão superlativa que seria diíficil repetí-la. O disco seguinte, Bad (1987), foi um estouro também, com várias músicas em número um, mas o impacto já foi bastante menor (vendeu “apenas” oito milhões de cópias). Para muitos críticos, ele não atingia a genialidade artística e comercial de Thriller, repetindo algumas de suas fórmulas. Dangerous, de 91, teve sucessos como “Black or White” e “Remember the Time”, mas tinha um conjunto bem irregular.

A essa altura, as excentricidades de Michael Jackson já alimentavam os tablóides de todo o mundo. Ele dormia numa câmara hiperbárica para retardar seu envelhecimento. Ele comprou um rancho na Califórnia para morar e o batizou de Neverland (Terra do Nunca). Lá montou parque de diversões, trenzinho, salas cheias de brinquedos e um pequeno zoológico. E sua predileção por ficar mais na companhia de crianças do que de adultos ganhou fama. Ele adquiriu os direitos para todo o catálogo das músicas dos Beatles (depois Paul McCartney recompraria parte delas).

CURVA DESCENDENTE

Em 1993, a carreira de Michael Jackson começou uma longa e triste curva descendente. Ele foi acusado de molestar um menino de 13 anos que frequentava sempre sua casa. Levado para os tribunais, seu nome foi arrastado na lama dos tablóides. Ao mesmo tempo, ele passou por uma clínica de reabilitação para curar um vício em analgésicos. O casamento com Lisa Marie Presley (filha de Elvis) em 94 não durou muito; 19 meses depois eles já estavam separados.

Em 95, o sucesso do single “You Are Not Alone” acenou para uma recuperação de sua carreira. Musicalmente, era talvez a coisa mais melosa e sem graça que ele já gravou. E foi fogo de palha. O álbum que trazia a música, HIStory, basicamente uma coletânea, foi uma decepção nas vendagens.

No ano seguinte, Michael casou de novo, com a enfermeira Debbie Rowe. Com ela teve dois filhos, Prince Michael Jackson Jr. e Paris Michael Katherine Jackson. Em 1999, eles se divorciaram.

O álbum Invincible, o primeiro de material todo inédito desde Dangerous, foi lançado em 2001. Apesar de vender razoavelmente bem, não chegava aos pés da fase dourada do cantor e logo foi esquecido.

Este ano, uma série de 50 shows em Londres foi anunciada, como mais uma tentativa de retorno triunfal de Michael Jackson. Os ingressos esgotaram para todos os shows e pela primeira vez em muito tempo o foco das notícias sobre Michael Jackson tinha a ver com música e não com algum escândalo. Pena que ele não teve tempo de coroar novamente o seu reinado no pop.

 

Como estaria Michael Jackson sem as cirurgias


Créditos: Pinterest

 

 

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Michael Jackson (1958-2009)

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