As pernas são dos maiores objetos do fetichismo masculino e, por tabela, as meias que as envolvem, as cintas-ligas que marcam as coxas e os pés que sobem nos saltos agulha – tudo abordado pelas fotografias do livro The Big Book of Legs (O Grande Livro das Pernas, em tradução livre).

A americana Dian Hanson, editora dos livros sobre sexo da Taschen, conversou com a Agência Efe em sua casa em Los Angeles sobre o tema da nova publicação: as pernas femininas e o consequente caminho carnal rumo ao “pecado original”.

Assim, The Big Book of Legs é o terceiro volume de uma saga fetichista que já publicou um livro que presta homenagem aos seios fartos e outro que retrata os pênis de tamanho com tamanho acima da média.

Entretanto, a série não chegou ao fim. A incansável Hanson revelou à Efe que já está elaborando o próximo “grande livro”, o qual fará a alegria dos amantes da parte traseira da anatomia.

À primeira vista, o estilo de The Big Book of Legs se assemelha aos dois volumes anteriores da série, mas a editora admitiu que foi “mais difícil e mais livre desenhar a capa e a contracapa”, que convidam a leitor a participar de um jogo.

A brincadeira ocorre da seguinte forma: de início, é possível ver duas belas coxas femininas com cintas-ligas pretas e uma calcinha vermelha. Em seguida, o leitor nota que todas essas peças podem ser retiradas para observar o que se esconde por trás delas.

Em suas quase 400 páginas, The Big Book of Legs exibe cerca de 400 fotos de modelos que posam para fotógrafos de estúdios ou de revistas eróticas americanas e que demonstram como as pernas fizeram parte da libertação feminina, desde a Revolução Francesa à sexual.

São imagens que narram desde os espetáculos de cabaré do final do século XIX ao surgimento das minissaias; as meias de seda nos anos 20, as de nylon nos 40, os saltos agulha nos 50 até as revistas masculinas coloridas na década de 60.

Segundo Hanson, editar as fotos foi um processo árduo, já que só ela – entre outros que também o fizeram – analisou “milhares de fotografias” de modelos que posaram com desenvoltura em ambientes ao ar livre, em estúdios ou em casas.

Porém, Hanson não partiu do zero neste projeto, já que acumulava a experiência de ter dirigido a revista Legs Show (Show das Pernas) durante 15 anos. Por isso, ela já sabia onde procurar material.

Segundo a autora, as pernas “representam o poder feminino”, já que “manifestam a liberdade da mulher”.

Mostrar as pernas e usar saltos é “uma forma de apresentação em sociedade” da mulher, segundo Hanson.

A autora expôs sua teoria de que os homens que demonstram uma fraqueza fetichista por pernas e pés femininos pertencem a “uma sociedade sofisticada”, ao contrário dos que se fixam em outras partes do corpo da mulher.

Para ela, os homens que se derretem por seios são menos refinados e manifestam “uma propensão ao calor maternal”, enquanto que a fixação pelas nádegas “está ligada à cultura latina e negra”.

Quem se aventurar a buscar neste livro imagens de mitos de Hollywood, como Marilyn Monroe, Rita Hayworth ou Elizabeth Taylor, não vai encontrá-las porque “não tinham pernas realmente bonitas”, segundo a autora.

O objetivo de Hanson, segundo a própria, foi encontrar a estética “das pernas e da cena, além da qualidade da foto”, além de mostrar material fora “do gosto do homem contemporâneo”.

Entre as selecionadas do livro há um grande número de modelos desconhecidas e duas atrizes americanas, Betty Grable – ou As Pernas de Um Milhão de Dólares – e Betty Page, cujas “influências e visão foram decisiva entre os anos 40 e 60”.

Já entre o elenco de fotógrafos que retrataram as pernas existem muitos anônimos e, entre os conhecidos, se destacam Frank Powolny, Peter Gowland, Bunny Yeager e o casal Irving e Paula Klaw.


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Fetichismo e cintas-ligas são destaques em livro sobre pernas

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