Com o auge da crise financeira internacional no final do ano passado, os investidores estrangeiros deixaram o Brasil em um efeito de manada. Essa saída repentina refletiu em valorização do dólar e queda brusca das ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Com a melhora do cenário econômico em todo o mundo, aos poucos a situação tem voltado ao normal. Um exemplo é a representatividade do capital estrangeiro nas operações no mercado acionário brasileiro, que não para de aumentar. Em julho, por exemplo, os investidores externos já representam 38% do total movimentado na Bovespa.

Essa nova situação tem dois aspectos. O primeiro é positivo, pois mostra que as empresas brasileiras são atrativas para os investidores de outros países, o que ajuda a trazer dinheiro para o Brasil. O lado negativo é que, no caso de uma nova piora no cenário internacional, esse capital deve sair com rapidez da nossa bolsa, podendo causar novas quedas bruscas.

Para mostrar que o risco de uma nova desvalorização das ações é possível, o jornal Folha de S. Paulo fez um levantamento levando em consideração os últimos 30 meses. Segundo a publicação, em 75% dos meses, o resultado da Bovespa (alta ou baixa) foi reflexo do saldo dos negócios externos. Ou seja, se estrangeiros mais venderam que compraram ações, a Bolsa caiu. E vice-versa.

A reportagem do jornal ouviu o chefe da mesa de operações da HSBC Corretora, José Augusto Miranda. Ele explicou que quando o capital é especulativo, ele vem e vai com muita velocidade. “Isso ficou claro no segundo semestre do ano passado, com a saída forte de recursos externos no período de agravamento da crise econômica”.

O ano passado o balanço das operações dos estrangeiros ficou negativo em R$ 24,63 bilhões, pior resultado da história. As perdas de 2008 chegaram a 41,22%, pior resultado desde 1972. Agora, em 2009, a Bovespa já acumula alta de 45%.


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Capital estrangeiro já representa 38% do movimento da Bovespa

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