As Áreas Protegidas na Amazônia (Arpas) inibem o desmatamento na região e por meio de cálculos de probabilidades, utilizando os dados de desmatamento entre 2002 e 2007, um estudo afirma que podem contribuir para que o Brasil evite a emissão de 5,1 bilhões de carbono na atmosfera até 2050.  Esse total representa 16% das emissões anuais de todo o mundo, ou 70% da meta de redução de emissões prevista para o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto.

Os levantamentos e projeções dos dados estão disponíveis no estudo “Redução das emissões de carbono do desmatamento no Brasil: O papel do programa Áreas Protegidas na Amazônia (Arpa)”, realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e pelo WWF Brasil.  Foi a primeira vez que o programa Arpa teve uma avaliação para identificar a contribuição potencial das unidades de conservação na redução futura (até 2050).

Para simular o desmatamento foi utilizado o SimAmazônia-2.  O modelo, desenvolvido pelo projeto “Cenários para a Amazônia Brasileira”, incorpora diversos fatores que influenciam o desmatamento na região como os fluxos migratórios regionais, projetos de pavimentação de estradas, taxas de expansão da agricultura e pecuária, bem como o papel inibidor das áreas protegidas tanto em escala local como regional.

Nas projeções foi identificado que somente a expansão das unidades de conservação ocorrida entre 2003-2007 poderá induzir até 2050 uma redução das emissões que variem na ordem de 3,3 a 1,1 bilhões de toneladas de carbono.  Desse total, entre 0,43 e 0,14 de toneladas são atribuíveis às 13 unidades cridas até 2007 com apoio do Arpa.  Somando as unidades de conservação criadas entre 2003-2007 adicionadas aos 127 mil km² de novas unidades em processo de estabelecimento, deve resultar numa redução de emissões de carbono variando entre 4,3 e 1,2 bilhões de toneladas.

Do total, conforme indica o estudo, “entre 1,4 e 0,47 bilhões de toneladas de carbono ou 5,1 bilhões de toneladas de CO2 seriam atribuíveis às unidades de conservação com apoio do Arpa”.  Uma cifra equivalente a aproximadamente 16% das emissões anuais provenientes de todas as fontes globais de emissões.

Foram incluídas na análise áreas de proteção integral, uso sustentável, áreas militares e terras indígenas e nestes locais foi identificado que “a probabilidade de ocorrer desmatamento nas zonas de entorno das áreas protegidas é em até dez vezes superior àquela do seu interior e cresce em direção às zonas mais distantes dos limites das áreas protegidas”.

O Estudo foi apresentado na Câmara dos Deputados no dia 19 deste mês durante um café da manhã com deputados e pretende incentivar o governo brasileiro a criar novas áreas protegidas, além de implementar a gestão em longo prazo.  O evento foi promovido pelo Ipam e pela Frente Parlamentar Ambientalistas, com apoio do WWF – Brasil.

Lançado em 2002 por meio do Decreto Federal nº 4.326 e com início operacional em 2003, o Arpa tem como meta garantir a proteção de ecossistemas amazônicos, sobretudo floretas, em unidades de conservação abrangendo um total de 563 mil km² e é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e implementado pelo Instituto Chico Medes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com governos estaduais e municipais da Amazônia que aderiram ao programa.


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Áreas protegidas na Amazônia podem contribuir com 70% da meta de redução de emissão de carbono, diz estudo

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