O sexo feminino sofre mais com distúrbios como depressão, ansiedade, síndrome do pânico e osteoporose. “O estudos apontam para os hormônios femininos, ou para a falta deles, como os principais responsáveis pela maior exposição das mulheres às doenças. Além disso, estresse, dupla jornada no trabalho, fumo, dieta desbalanceada e sedentarismo também contribuem para fragilizar a saúde feminina”, afirma o ginecologista e obstetra, Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.

É justamente a partir do momento em que os hormônios começam a agir no corpo da menina que o acompanhamento ginecológico se faz essencial. “Além de ser importante para garantir a boa saúde, a visita a este profissional é uma ótima oportunidade para tirar da gaveta todas as dúvidas que ficam rondando a cabeça das meninas – entre os 12 e 15 anos -, especialmente quando o assunto é a sexualidade”, diz o ginecologista.

É preciso o conhecimento das transformações que ocorrem no corpo da menina no início da pré-adolescência. “Neste período de transição, o corpo feminino  ganha uma nova forma. O desenvolvimento dos seios, o aparecimento dos pelos pubianos e a primeira menstruação anunciam que é tempo de se conhecer. É neste momento que entra em cena o médico ginecologista, como um aliado que irá explicar e orientar as meninas sobre todas estas modificações hormonais e suas implicações”, explica Aléssio Calil Mathias.

Menarca precoce

O distúrbio hormonal mais comum na menina a partir dos oito anos é o surgimento da puberdade e da menarca – primeira menstruação – precoces. Se os primeiros sinais – como o desenvolvimento de mamas e pelos púbicos – ocorrerem aos oito anos, significa que a menarca acontecerá entre nove e dez anos, o que é normal. Porém, se aparecerem com menos de oito anos, aí sim, pode-se falar em puberdade precoce. “Entre as causas para o aparecimento da menarca precoce estão anomalias genéticas, distúrbios hormonais diversos e até tumores. Uma das consequências da menarca precoce é a diminuição do crescimento e da altura da criança. O tratamento vai depender da doença que causou a precocidade”, explica.

Cólicas

De 40% a 50% das adolescentes que apresentam cólica incapacitante, quer dizer, dor intensa que requer repouso e as impede de exercer as atividades normais podem apresentar endometriose na vida adulta. “A recorrência de cólicas incapacitantes pode ser o primeiro sintoma da endometriose, que pode levar à infertilidade na idade adulta e que tem muito mais chances de ser contornada com um diagnóstico precoce”, afirma Aléssio.

A endometriose é um problema que pode acometer meninas aos 14, 15 ou 16 anos. A doença se desenvolve lentamente e pode ser desencadeada logo no início da idade reprodutiva, antes mesmo de a menina ter sua primeira relação sexual. A ideia de que sentir dor ao menstruar não é nada demais é uma das razões para o diagnóstico tardio da doença. Segundo estimativas do Nepe, Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em Endometriose, meninas que começam a sofrer com os sintomas na adolescência chegam ao diagnóstico até 12 anos depois, quando muitos estragos já foram feitos ao corpo.


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Acompanhamento ginecológico é fundamental para mulheres

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