O sul da Amazônia brasileira foi o ponto de partida da recente passagem de Leonardo DiCaprio pelo Brasil. No Rio Azul Jungle Lodge, o fundador da Re:wild permaneceu alguns dias conhecendo a biodiversidade da região e iniciativas voltadas à sua conservação.

Acompanhado de Vittoria Ceretti, Todd Graves, Laura Harrier e Helly Nahmad, DiCaprio participou de atividades na floresta e no rio. A programação também abriu espaço para conversas e troca de experiências com representantes do Instituto Líbio e da Re:wild sobre os desafios e as oportunidades de conservação nessa região, o Escudo Sul da Amazônia.

A agenda no Brasil foi coordenada por Rodrigo Medeiros, Senior Brazil Lead da Re:wild, e Wes Sechrest, cofundador, CEO e presidente do Conselho da organização. No Rio Azul, o grupo foi recebido pela presidente do Instituto Líbio, Raquel Machado, e pelos conselheiros Irlau Machado, Chris Mesquita e Irina Arango.

Sem uma programação protocolar, os dias transcorreram de forma integrada à rotina do lugar: almoço à beira do rio, passeios de barco e caiaque, trilhas pela floresta e observação da fauna. Uma das trilhas terminou na Lagoa da Anta, e o grupo também passou uma tarde divertida na Lagoa Azul.

Entre os encontros com a vida selvagem estiveram macacos-aranha, os queixadas, as araras retornando ao dormitório ao final do dia e uma espécie que despertou especial interesse: o Brilho-de-Fogo (Topaza pella), o maior beija-flor do Brasil e uma das aves mais procuradas por birdwatchers que vêm de diferentes partes do mundo para observar a biodiversidade da região.

O encontro aconteceu em um território onde já foram registradas quase 600 espécies de aves e sete espécies de primatas, uma diversidade que há 25 anos atrai ao Rio Azul visitantes interessados em conhecer a Amazônia por meio da observação da natureza e do ecoturismo.

Do acolhimento da fauna à conservação de territórios

A passagem pelo Rio Azul também permitiu ao grupo conhecer mais de perto a atuação do Instituto Líbio. Nascido a partir do trabalho de acolhimento e reabilitação de animais silvestres, o Instituto ampliou sua atuação ao longo dos anos e hoje desenvolve uma abordagem mais abrangente de conservação, que inclui a proteção da fauna, de seus habitats e dos territórios dos quais ela depende.

Hoje, o Instituto atua em quatro biomas brasileiros — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal —, reunindo iniciativas de acolhimento da fauna, educação ambiental, proteção de habitats, reservas naturais e conservação de territórios.

Para Raquel Machado, presidente do Instituto Líbio, essa evolução reflete uma compreensão cada vez mais abrangente sobre o que significa proteger a vida silvestre.

“Nossa história começou muito ligada ao cuidado de animais silvestres. Com o tempo, tornou-se cada vez mais evidente que proteger a fauna significa também proteger os habitats e os territórios dos quais ela depende. Receber pessoas profundamente comprometidas com a conservação e poder compartilhar o que estamos construindo foi uma oportunidade muito importante de troca e aprendizado.”

Uma agenda de conservação em escala

A visita acontece em um momento de aproximação entre o Instituto Líbio e a Re:wild em torno da conservação do sul da Amazônia. A região faz parte do Southern Amazon Shield, iniciativa que busca contribuir para a proteção de mais de 5,8 milhões de hectares de florestas, rios e outros ecossistemas naturais em uma das áreas sob maior pressão na Amazônia.

A proposta envolve uma paisagem de conservação formada por áreas protegidas, territórios indígenas e reservas privadas, associada a ações de proteção de bacias hidrográficas, monitoramento territorial e prevenção de incêndios.

Conhecer o Rio Azul permitiu ao grupo observar, no próprio território, como biodiversidade, conservação e desenvolvimento de alternativas sustentáveis e o ecoturismo, podem estar conectados.

Para Chris Mesquita, conselheira do Instituto Líbio, essa experiência ajuda a tornar concreta uma discussão que muitas vezes parece distante.

“Quando estamos na floresta, observamos os animais e conhecemos os ambientes dos quais eles dependem, a conservação deixa de ser uma ideia abstrata. No Rio Azul, temos o privilégio de conviver com uma biodiversidade extraordinária e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de contribuir para que ela continue existindo. Compartilhar esse território com pessoas comprometidas com a proteção da natureza torna essa responsabilidade ainda mais evidente.”

Depois da passagem pelo Rio Azul, Leonardo DiCaprio seguiu para outros destinos no Brasil ligados à sua agenda de conservação.

Para o Rio Azul e o Instituto Líbio, sua presença deixa uma oportunidade que vai além da própria visita: ampliar a atenção sobre uma região de extraordinária biodiversidade e sobre a importância de construir caminhos capazes de proteger a natureza, fortalecer quem vive no território e gerar valor a partir da floresta em pé.