Após um período de paralisação provocado pela perda de suas contas no Instagram e no Threads, Angélica Morango está retomando as atividades da All In, produtora de conteúdo voltado ao público adulto. Os últimos lançamentos da empresa aconteceram em dezembro de 2025. Agora, a nova fase terá como uma das principais novidades a produção de um game interativo e seriado.

Segundo Angélica, a derrubada dos perfis provocou inicialmente um forte impacto emocional. Ela compara a situação ao desaparecimento repentino de uma empresa construída durante anos.

“É como investir em uma loja por 13 anos, solidificar a marca, diversificar produtos, investir em publicidade e, de repente, chegar para trabalhar pela manhã e ela simplesmente ter desaparecido. Fornecedores, parceiros de negócios e clientes deixam de ter acesso a você e, além disso, não sabem o que de fato aconteceu. Fica uma mácula”, afirma.

O impacto financeiro veio logo em seguida. Para Angélica, o Instagram funcionava como uma extensão de seu trabalho, reunindo portfólio, bastidores das produções, resultados e um canal direto de relacionamento com o público.

“O Instagram era, definitivamente, um braço do meu trabalho. Você cria uma conexão direta com as pessoas, mostra seu dia a dia, os bastidores e os resultados. É um grande portfólio. Perder essa visibilidade e o contato direto com mais de 125 mil pessoas, sem que a Meta apontasse um motivo para a suspensão das contas, foi e ainda está sendo muito difícil”, relata.

Sem as contas no Instagram e no Threads, o público deixou de acompanhar o que estava acontecendo na produtora e de conhecer seus novos projetos. A redução da visibilidade afetou diretamente o número de assinantes e, consequentemente, a capacidade de investimento da empresa.

“Sem as contas, o público deixa de saber o que está acontecendo e quais são as novidades. Isso tem impacto direto nas assinaturas. Com bem menos assinantes, há menos faturamento. E menos faturamento significa menos investimento em novas produções. É um ciclo caótico”, explica.

Angélica afirma ter ingressado com uma ação contra a Meta e diz que, até o momento, a empresa não devolveu suas contas no Instagram e no Threads nem teria informado, no processo, a razão específica para o banimento.

A criadora de conteúdo também relata conhecer pessoalmente pelo menos 20 produtores que tiveram seus perfis banidos nos últimos meses. Segundo ela, essas pessoas não teriam violado as regras das plataformas.

“Isso não pode ser normalizado. É uma injustiça que estamos combatendo ao lado dos meus advogados”, declara.

A experiência também provocou uma mudança na estratégia de comunicação de Angélica. Mesmo sem recuperar as contas antigas, ela decidiu retomar as atividades e reduzir a dependência de uma ou de poucas plataformas.

“Entendi que, quando se alcança determinado espaço, é muito importante não depender de uma ou de poucas ferramentas de comunicação, como as contas da Meta. É preciso ter um plano de comunicação contínuo. Por isso, recentemente contratei uma assessoria especializada”, conta.

Nova fase terá diversificação

Em um ano e meio de atividade, a All In produziu 13 curtas-metragens e sete minidocumentários. Para a retomada, a empresa pretende preservar a qualidade cinematográfica das produções e ampliar os formatos oferecidos ao público.

A primeira novidade será um game interativo e seriado voltado ao público adulto. A proposta é apostar em uma experiência sensual e divertida, com diferentes brincadeiras, sem necessariamente se limitar ao conteúdo sexual explícito.

O centro de produção da All In continuará em São Paulo. A partir de 2027, entretanto, a previsão é realizar gravações também em outros estados. "O objetivo, além de manter a qualidade das produções cinematográficas da All In, é a diversificação”, conclui Angélica.