Um dos estádios mais charmosos e antigos da cidade de São Paulo, a Rua Javari, pertencente ao Juventus, virou novo alvo da especulação imobiliária.

O clube – e o estádio – se encontram em uma área nobre e disputada da cidade, a Mooca, por sua proximidade com o centro e o caráter ainda residencial. Por isso, as propostas para transformar a romântica praça esportiva em um condomínio de alto padrão não são raras. 

Segundo o “UOL”, o terreno do estádio sozinho vale mais de R$ 100 milhões e, se for incluído o clube, o valor quadruplica. As propostas para seduzir a diretoria são as mais diversas, incluindo a construção de uma outra arena, mais moderna, usando a área social ou outro terreno na Capital.

As a questão é mais ampla e passa por uma coisa que nenhum dinheiro pode bancar: a alma mooquense, um bairro cujos moradores mostram orgulho tamanho que se sentem mais cidadãos de lá do que da cidade. O presidente do clube, Antonio Gonsalez, externa esse sentimento: “Não vamos vender a Rua Javari para as construtoras. Vieram construtoras daqui, de Santos. Eles querem fazer uma Arena Javari na área social do clube para ficar com o a área do estádio. Mas não tem negociação. O clube é dos sócios. Não temos dívida”.

O mandatário juventino recusa propostas, mas sabe que uma eventual “balançada” pode causar uma chuva de outras ofertas: “se um dia aceitarmos negociação, aí que vão chover milhões de propostas”.

As únicas conversas que o clube aceitaria seriam a respeito de algumas áreas não utilizadas, mas sem mexer no estádio ou nas partes sociais mais agitadas, o que, avalia-se, poderia render R$ 20 milhões ao clube. 

Há ainda o sonho de ter uma casa maior – a atual não tem iluminação e comporta apenas 5 mil torcedores – para receber jogos contra grandes, como Corinthians e São Paulo, mesmo com resistência dos antigos, que defendem que a Rua Javari deva manter seu traços originais: “O torcedor fala em tradição, mas vai ver se ele não vai gostar de ter uma arena 30 mil pessoas e receber os grandes em casa. Lógico que vai”, diz o mandatário.


int(1)

Rua Javari resiste ao assédio de imobiliárias