Além de Wanderley Luxemburgo no Flamengo e Luis Felipe Scolari, no Palmeiras, o treinador do Grêmio, Renato Gaúcho também está na classe dos “todo-poderosos” do futebol brasileiro.

A frase que melhor pode definir a situação é que Renato “prende e manda soltar”. Ele escolhe contratações, locais de treinamento, define programação, escala o time, afasta jogadores, muda posições… enfim, um verdadeiro manager.

O problema é que essa posição incomoda – e muito – a diretoria do clube. A gota d’água foi o pedido público de dispensa das partidas da equipe fora de casa sob a alegação de “estafa” e pediu para ser poupado inclusive do clássico contra o Internacional, agendado para a cidade de Rivera, no Uruguai.

“Estou cansado, conversei com a diretoria e penso que no interior eu praticamente não vou mais fazer os jogos porque posso ter cabeça de comandar o time daqui. Daqui a pouco o cansaço toma conta de mim e eu não consigo pensar direito. São vários jogos seguidos, o Gre-Nal ainda não comuniquei, mas não vou, vai outro. A não ser que eu me transforme em um homem de ferro. Preciso estar com a cabeça tranquila para pensar. Se os jogadores são poupados, o treinador tem que ser também”. Tradução: ele não quer dirigir a equipe nas partidas do Gauchão fora de Porto Alegre.

O problema maior não foi o inusitado pedido em si, mas sim ter tornado o assunto público antes de uma discussão interna sobre o assunto, dependendo da performance da equipe no início do Gaúcho. 

“A decisão não é dele, é da diretoria. O Renato é treinador e vai acompanhar o time em todos os jogos. Estamos disputando duas competições e o Renato vai acompanhar nas duas. Em determinadas situações até podemos decidir internamente, mas isto será uma exceção, que não será tratada pela imprensa”, decretou o vide de futebol Antônio Vicente Martins, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Isso, somado às turbulências para renovação de contrato, pedido de reforços, palpites no departamento médico e cobranças por mais celeridade nas contratações deixam a crise interna do clube ainda mais grave. Em que se pese o bom relacionamento entre Renato e o elenco, isso pode até mesmo custar seu cargo.

Em tempo: apesar do “chiado”, ele deve ganhar suas folgas nas partidas em que os reservas atuarão no interior.


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Renato Gaúcho pede folga para "tranquilizar a cabeça" e irrita diretoria do Grêmio

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