Reprodução/Instagram @reveracidade

Quando o domingo amanhece ensolarado, ele divide a humanidade em dois grupos: o que abre a janela, se anima e vai aproveitar cada instante do sol lá fora, e o que cobre a cabeça com os lençóis, bradando “mas por que não está chovendo, ó céus?”. Eu faço parte do segundo grupo, com muito orgulho. Fins de semana nublados e chuvosos são, para mim, muito mais produtivos: eu cozinho, arrumo a casa, vejo amigos em programas com começo, meio e fim e sinto-me desobrigada de explicar caso queira ficar no sofá, enleada nas cobertas. Por isso, aceitei o desafio que os tempos atuais pediam: com tantos programas disponíveis em eventos do Facebook, escolheria os mais populares e tiraria um domingo de sol para participar de todos eles. Ai.

Pre-para!

O método de escolha dos eventos foi de acordo com o número de amigos meus dizendo que iriam, assim pelos menos eu teria companhia para enfrentar esse martírio. Também precisei criar uma logística para que não ficasse ziguezagueando pela cidade e pudesse abusar de transporte público entre um e outro evento. Confesso que planejei ir além e alugar uma bicicleta para usar a ciclovia da Avenida Paulista, mas, já diriam nossas avós, “devagar com o andor que o santo é de barro” – e eu já tenho uma placa de titânio no queixo, não preciso de uma segunda.

Então ficou assim: no domingo eu ia acordar cedo, meditar no centro da cidade, almoçar em um festival japonês na Vila Mariana, ouvir um jazz no Museu da Casa Brasileira e terminar a noite num evento na Casa das Caldeiras. Vamos ver como ficou?

1º Evento

Reprodução/Facebook

Parte da Virada Sustentável, que rolou neste final de semana, a Meditação nas Alturas parecia uma ideia ótima! Imagina subir no topo do Edifício Martinelli de manhãzinha e meditar? Delícia. Só que o que aconteceu na realidade foi isso:

Perdi a hora… (Bia Bonduki/Snapchat)

Bola pra frente, tem outros troféu. Aproveitei para dormir o que não havia dormido na semana, tomar meu café da manhã com calma e me preparar para passar um dia fora de casa. Uma das coisas que mais me aborrece nos programas de rua em São Paulo é o tanto que temos que nos preparar: é enfrentar fila, é ter dinheiro vivo na carteira, é estar com crédito no Bilhete Único, é levar o carregador de celular para emergências, é garantir que não vai passar frio demais ou calor demais. Tudo tem que ser pensado, ou seu passeio pode miar. Tem gente que tira de letra, mas eu mesma detesto passar apuros e prefiro voltar pra casa (e não sair mais – “viu, viu, quem mandou?”)

Eu até quis fotografar meus trajes e indicar para os leitores, caso vocês sejam como eu e não tenham muita experiência em passeios longos pela metrópole. Aí vai a dica:

(Bia Bonduki/Snapchat)

 

2º Evento

Reprodução/Facebook

Uma vez pronta, parti para o próximo evento, que era o almoço na Associação Hokkaido de Cultura e Assistência. No ano passado, o Festival de Lamen de Hokkaido teve tamanho sucesso que tudo acabou em questão de minutos, então seria prudente chegar antes do horário proposto, que era 11h30. Ainda assim eu já estava atrasada, então combinei com alguns amigos, mas fui pensando em saídas caso chegasse lá e não tivesse um fio de macarrão pra contar história.

Deu tudo certo! Cheguei lá e o movimento era ameno, ainda tinha lamen e estavam providenciando mais guiozas. Logo os amigos chegaram e almoçamos todos. Fica a dica para o próximo ano – e tomara que faça frio, que almoçar lamen quentinho no calorão que tava é dureza.

(Bia Bonduki/Snapchat)

 

3º Evento

Reprodução/Facebook

De pandulho cheio, peguei um metrô e um ônibus para o Museu da Casa Brasileira, onde acontecia outro evento da Virada Sustentável, o Jazz Ao Pôr do Sol. Ainda era cedo para o sol se pôr, mas era o cenário perfeito para o descanso pós-prandial. Lá, alguns food trucks vendiam comidas e bebidas e as pessoas se sentavam sobre cangas para ouvir um DJ tocar discos de jazz, que mais tarde foram acompanhados por uma banda. Encontrei até meu irmão por lá, olha como é bom sair de casa! Sentei-me por ali com um amigo e fiquei curtindo a natureza.

Só que o evento era, digamos, sofisticado demais para o meu gosto. Não a música, a frequência. Depois de uma hora foi dando aquela vontade de ir embora, que nada de novo ia acontecer, e foi o que fizemos. Não sem antes registrar a conquista:

Vim, vi, venci (Bia Bonduki/Snapchat)

 

4º Evento

Reprodução/Facebook

Agora, o jeito era ir de táxi até o Festival Mundo Pensante, na Casa das Caldeiras. Confesso que, a essa altura do campeonato, só o espírito de comprometimento com a pauta estava me segurando na missão. Se fossem amigos me convidando, eu já teria dado uma banana a todos eles e voltado para casa. Mas segui, firme. O evento era contrastante com o anterior, até porque lá também tocava jazz, mas o clima era outro. O público era mais novo, mais tranquilo e mais engajado. Havia um mercadinho no andar de baixo com produtos orgânicos, comidas veganas, coisas que, mesmo eu não consumindo, me fizeram parar para olhar. E o ambiente da Casa é muito interessante – quem não foi, sempre é hora de conhecer as estruturas antigas de fábrica. Não fiquei muito: o cansaço apitava, meus amigos tinham outros compromissos e já estava anoitecendo. Mas, pelo menos, foi mais uma missão…

(Bia Bonduki/Snapchat)

 

Conclusão

Eu tinha certeza que finalizaria esta matéria dizendo “que horror, eu nunca mais faço isso, da próxima vez me mandem deitar em cobras no Butantã”, mas a verdade é que… foi divertido? O dia passou rápido, eu vi três grupos de amigos diferentes, fora os que eu encontrei por acaso (até família eu encontrei!), andei de ônibus, de metrô, andei a pé – o que é importante – e ainda pude registrar a experiência para quem, assim como eu, torce o nariz para isso de “ocupar a cidade”. Se eu vou continuar defendendo meu direito de passar o final de semana 287% deitada? Claro! Se eu vou comprar uma bike e vou sair para explorar São Paulo? Eu aviso quando isso acontecer. O pensamento final é que, até para quem não está acostumado, tem muita coisa para se fazer por aqui. Esta cidade é muito rica culturalmente e os programas chegam a sobrar. Com um pouco de organização, você consegue transformar seu sábado e domingo em dias de passeios intermináveis, de “viver a cidade” mesmo, como diz o pixo.

Agora eu vou lá, fazer um escalda-pés e terminar a listinha de lugares que nunca visitei. :)


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