Divulgação Rafaela Silva é ouro na Rio 2016!

A luta pelo racismo é diária e incomoda muita gente. Muitas vezes, pessoas tratam a discussão de temas importantes relacionados ao combate ao preconceito como vitimismo, se negando a assumir que o Brasil tem, sim, muita gente racista. Nós mesmos aqui do Virgula sempre recebemos dezenas de críticas quando falamos sobre essas questões de forma mais incisiva.

Muitos desses hoje estão aplaudindo a vitória de Rafaela Silva.

Nascida e criada na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, Rafaela ganhou o primeiro ouro brasil nas Olimpíadas realizadas na Cidade Maravilhosa nesta segunda-feira (8), concretizando uma história de superação pautada na luta pelos direitos da mulher negra, pela igualdade social e contra os crimes de ódio cometidos através das redes sociais.

Acontece que Rafaela foi bastante xingada quando eliminada de forma precoce pela húngara Hedvig Karakas – a quem derrotou hoje – por ter lhe aplicado um golpe ilegal durante a luta. Chegou como promessa e saiu sem medalha.

Jornal O Globo/Reprodução Rafaela foi alvo de racismo em 2012

Foi xingada de macaca e várias outras coisas. Não se calou. De cabeça quente, respondeu cada tweet com palavrões e garantiu que voltaria para 2016. Na época, nem a CBJ (Confederação Brasileira de Judô), nem o COB (Comitê Olímpico do Brasil) ficaram ao lado de Rafaela. Disseram que ela errou em responder os racistas e colocaram a atuação dela nos anos seguintes em risco.

Twitter/Reprodução Na ocasião, atletas como Neymar defenderam a judoca

“Eu cheguei no quarto, peguei meu celular querendo um amparo, uma ajuda, uma mensagem e só tinha mensagem falando que lugar de macaco era na jaula, não era na olimpíada, que eu era a vergonha pra minha família, então, eu acho que doeu muito”, disse ela, em entrevista ao Esporte Espetacular, da Globo, pouco antes dos Jogos.

Daí em diante, a judoca teve que enfrentar quadros de depressão para conseguir um ciclo olímpico vitorioso, coroado com o ouro em casa.

“Acho que eu pude provar o que eu queria que era mostrar que eu sou capaz que eles tavam me criticando num momento de derrota mas que eu poderia dar a volta por cima. Um ano antes eu queria desistir do esporte e um ano depois eu me tornei a primeira brasileira campeã mundial de judô”, completou, na mesma entrevista.

Popstars das Olimpíadas do Rio


Créditos: Reprodução/Facebook

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O racismo quase destruiu Rafaela Silva antes de ouro na Rio 2016

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