
Festas de fim de ano elevam ansiedade e aumentam procura por terapia; diz psicóloga Jamille Façanha (Foto: Divulgação)
As festas de fim de ano são tradicionalmente associadas a celebração, união e descanso. Na prática, porém, esse período costuma gerar o efeito inverso em boa parte das pessoas. A psicóloga Jamille Façanha observa aumento significativo na procura por terapia entre novembro e janeiro, reflexo de um conjunto de gatilhos emocionais que emergem durante os reencontros familiares.
Pesquisas recentes reforçam esse cenário. O relatório Holiday Mental Health 2025, da LifeStance Health, mostra que 57% dos entrevistados consideram a temporada de festas estressante, enquanto 51% relatam sentir solidão mesmo acompanhados. O American Institute of Stress aponta que 70% das pessoas experimentam mais estresse no fim do ano, e conflitos familiares aparecem entre os principais fatores.
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Segundo Jamille, esses dados refletem a realidade clínica: “O fim de ano expõe feridas antigas, expectativas irreais e cobranças implícitas. A combinação disso com o peso simbólico das festas cria um ambiente emocionalmente carregado.”
Entre os gatilhos mais frequentes, ela destaca:
- Luto e ausências: a cadeira vazia, que era a preferida de um membro da família, reacende memórias de perdas recentes ou antigas.
• Cobranças sociais: comentários sobre namoro, carreira, aparência ou vida financeira geram ansiedade, vergonha e comparação.
• Memórias difíceis: reencontros podem trazer à tona vivências negativas da infância ou de períodos conflituosos.
• Idealização das festas: a pressão para “estar feliz” aumenta a culpa e o sentimento de inadequação.
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Jamille explica que muitas pessoas chegam ao consultório após as festas relatando exaustão emocional, crises de ansiedade, insônia e conflitos internos intensificados. “Há quem passe semanas antecipando situações desconfortáveis. Para quem já vive luto, transtornos de ansiedade ou relações familiares frágeis, esse período potencializa tudo.”
Como lidar com o período
A psicóloga recomenda que cada pessoa avalie antecipadamente seus limites emocionais, estabeleça fronteiras claras e planeje pausas durante as reuniões familiares. Técnicas de regulação emocional, foco em autocuidado e conversas assertivas ajudam a reduzir danos. “Não é preciso se expor a situações que machucam. O direito ao limite é saudável.”
Jamille lembra que buscar terapia após o período festivo pode ser fundamental: “O pós-festa é um momento de ressignificação. A terapia ajuda a entender o que emergiu, reorganizar a vida emocional e construir estratégias para encontros futuros.”
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