
Sociedade da urgência forma jovens menos preparados para lidar com desafios, diz especialista (Foto: Divulgação)
Nunca houve uma geração com tanto acesso à informação, tecnologia e inteligência artificial. Ao mesmo tempo, especialistas observam um crescimento da dificuldade de lidar com frustrações, esperar resultados e enfrentar processos que exigem constância. Para o especialista em Kaizen e autogestão, Junior Campos Prado, esse cenário revela um desafio que vai muito além da tecnologia: formar pessoas emocionalmente preparadas para um mundo cada vez mais acelerado.
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Segundo ele, embora os recursos digitais tenham ampliado o acesso ao conhecimento e acelerado a aprendizagem, isso não significa, necessariamente, que as novas gerações estejam mais preparadas para enfrentar os desafios da vida pessoal e profissional. “Estamos formando jovens altamente conectados, mas muitas vezes emocionalmente despreparados para lidar com o mundo real. Jovens que sabem deslizar o dedo pela tela com enorme habilidade, mas têm dificuldade de sustentar atenção por mais tempo. Jovens que recebem respostas imediatas dos aplicativos, mas se angustiam quando a vida demora”, discorre.
Na avaliação de Junior, a cultura da velocidade tem alterado a forma como as pessoas encaram o desenvolvimento profissional, os relacionamentos e até a educação. Acostumadas a respostas instantâneas, muitas passam a enxergar qualquer processo mais longo como um sinal de fracasso. Ele ainda explica que a própria neurociência ajuda a compreender esse comportamento. O cérebro responde rapidamente aos estímulos proporcionados por notificações, recompensas e retornos imediatos, treinando a mente para buscar gratificação constante.
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Para o especialista, essa realidade também exige uma reflexão sobre o papel da educação e da família na formação das novas gerações. Mais do que oferecer acesso à tecnologia, é necessário desenvolver competências como disciplina, responsabilidade, paciência e autogestão. “Estamos muito preocupados em oferecer conteúdo, mas nem sempre estamos formando estrutura interna. Não adianta ter acesso a milhares de informações se a pessoa não consegue organizar a própria rotina, cumprir compromissos, controlar impulsos, estudar com constância e lidar com críticas sem se desmontar”, complementa.
Apesar das transformações provocadas pela tecnologia e pela inteligência artificial, ele acredita que as competências humanas continuarão sendo determinantes para o futuro. “Não precisamos escolher entre tecnologia e humanidade. Precisamos unir as duas. Queremos jovens que dominem ferramentas digitais, mas que também saibam dominar a si mesmos. Jovens que saibam usar inteligência artificial, mas que não percam inteligência emocional”, avalia Campos Prado.
Para Junior Campos Prado, a sociedade precisa deixar de preparar pessoas apenas para acessar informação e passar a prepará-las para sustentar escolhas, enfrentar dificuldades e construir resultados consistentes ao longo do tempo. “A geração da urgência precisa reaprender a esperar. Não para aceitar menos da vida, mas para construir melhor. Porque quem não suporta o tempo da construção dificilmente sustenta o peso da conquista”, finaliza.
Sobre Junior Campos Prado
Engenheiro civil formado pela USP, campeão mundial de karatê e especialista em autogestão, Junior Campos Prado é fundador e presidente do Instituto Kaizen de Empreendedorismo e Autogestão. Inspirado na filosofia japonesa Kaizen, que significa “mudança para melhor”, desenvolveu um método que une propósito, disciplina e equilíbrio emocional para transformar líderes e empresas. Praticante de artes marciais desde os seis anos e multicampeão brasileiro, Junior conquistou, em 2025, o título mundial de karatê em Roma, aos 60 anos, consolidando sua trajetória de superação e constância. Também é autor do livro Kaizen para Grandes Conquistas (Buzz Editora, selo Unno) e referência em liderança consciente e alta performance sustentável.
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