Radialista Monika Leão fala sobre a importância da mulher no rádio (Foto: Daivulgação)

O rádio segue vivo, pulsante e necessário. Em um mundo dominado por telas, algoritmos e excesso de estímulos visuais, ele continua ocupando um lugar íntimo na vida das pessoas. O rádio acompanha no trânsito, no trabalho, em casa, nas madrugadas solitárias e nas manhãs apressadas. Ele informa, acolhe, provoca risos, desperta memórias e cria vínculos reais. Mais do que um meio de comunicação, o rádio é presença, é voz que atravessa rotinas e gera identificação.

Nesse cenário onde os homens ainda são maioria, a presença feminina carrega peso simbólico e representatividade. Profissionais como Monika Leão ajudam a romper padrões históricos e mostram que o rádio também é território de mulheres, de sensibilidade, firmeza, escuta e energia. Alto astral, espontânea e profundamente conectada com o público, Monika construiu uma trajetória sólida em diferentes emissoras e formatos, sempre mantendo um compromisso claro com a comunicação humana, direta e verdadeira.

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Leia abaixo a entrevista na íntegra com Monika Leão.

Como começou sua relação com o rádio?

O rádio é, de certa forma, uma herança familiar. Aquela que eu não quis ser, mas foi. Sempre vi meus pais ouvindo rádio. Meu pai, antes de sair para trabalhar, ouvia o programa O Pulo do Gato, na época apresentado por José Paulo de Andrade, o Primeira Hora, lembro até da musiquinha “No arrrr Primeira Hora, Rede Bandeirantes de Rádio…”, o Jornal da Manhã com Roberto Müller Cardoso e o famoso “Repita”. Minha mãe curtia Eli Corrêa, Rádio Cidade, a Nova. Crescendo, fui acompanhando as rádios que os primos ouviam e criando meu próprio gosto pelo rádio. Mas, até aí, nunca pensei que um dia trabalharia com isso.

O que você acredita que mantém o rádio tão fascinante para os ouvintes?

O rádio é feito por pessoas, para pessoas. Em algum momento do seu dia, ele vai estar lá tocando a música certa, trazendo conforto, um abraço. O rádio é recíproco, é o “pra já”. Está sempre pronto para surpreender, divertir, informar, gerar frio na barriga, roubar sorrisos. O rádio te faz dançar fora de hora. É amor, é conversa, é alívio, é bem-estar, é companhia.

E qual é o papel da voz feminina nesse cenário?

A voz feminina e a masculina têm o mesmo papel no rádio. Eu não segrego. Acredito no poder do nós. Nenhum locutor ou locutora entra em um estúdio à toa. Não é um trabalho fácil internamente para que o que chega do lado de lá tenha o efeito desejado. A voz é a ponta do iceberg de um trabalho coletivo. Tem muita gente por trás para que ela chegue do jeito certo, com o propósito certo. Já trabalhei em rádios de todos os segmentos, para públicos completamente diferentes. São quase 20 rádios no meu currículo. Minha voz chega com propósitos diferentes dependendo do projeto, mas minha meta pessoal é sempre a mesma: roubar pelo menos um sorriso no fim do dia.

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Você está atualmente em duas grandes emissoras. Como encara esse momento da carreira?

Em junho de 2025, após sair de uma rádio, eu afirmei que terminaria o ano em duas grandes rádios. Virou meta, virou objetivo. Aquela fé no invisível. Eu tinha certeza de que isso ia acontecer, mesmo sem saber como. Como diria Walt Disney, se você pode sonhar… São dois desafios gigantes, cada um em um segmento, com públicos e propostas completamente diferentes. Era exatamente o que eu precisava. Quem sabe até para realmente me despedir do rádio.

Que conselho daria a quem deseja seguir no rádio?

O rádio se atualiza o tempo todo. Veio a TV, o MP3, o Napster, o Spotify, o YouTube, e o rádio não morreu. Ele se reinventou. Se você quer trabalhar no rádio, seja como o rádio. E lembre-se: ele é feito por pessoas, para pessoas.

O universo do rádio ainda é machista?

Sem generalizar, mas olhando sem venda nos olhos, o mundo segue meio machista, sim. E o rádio está inserido nesse contexto. Tem muita gente que trabalha em rádio que também é machista. Eu lido com isso protegendo minha saúde mental. Não normalizo, questiono. E quando uma mulher questiona, muitas vezes é vista como alguém que ataca, que é difícil de lidar. Já reparou nisso? Mas o silêncio é aceitação, e não dá para compactuar com isso.

A trajetória de Monika Leão reforça que o rádio continua sendo um espaço de transformação, escuta e afeto. E que vozes femininas não apenas cabem nesse universo, como são essenciais para torná-lo mais diverso, sensível e conectado com a realidade de quem está do outro lado do dial.

Atualmente Monika Leão comanda programas nas rádios Top FM e Antena Um. Saiba mais sobre a vida da radislista no Instagram.


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Radialista Monika Leão fala sobre a importância da mulher no rádio