
Especialista Tisciane Carrera conta ao Virgula sobre método desenvolvido contra celulite e mercado dos procedimentos (Foto: Divulgação)
O Virgula conversou com Tisciane Carrera, farmacêutica esteta e cirurgiã-dentista, especialista em Harmonização Orofacial e Corporal. Ela falou sobre os procedimentos disponíveis hoje no mercado, sobre o perigo dos procedimentos de alto risco e outros assuntos da área.
Tisciane também é especialista na atuação voltada ao envelhecimento e rejuvenescimento do glúteo feminino. Ela falou sobre celulite e sobre o método que desenvolveu “para tratar o envelhecimento glúteo de forma global, priorizando naturalidade, segurança e harmonia corporal, sem a busca por resultados artificiais ou excessivos”.
O PMMA continua gerando controvérsia porque existe uma diferença importante entre o benefício que ele oferece e os desafios que pode representar ao longo do tempo.
Diferentemente dos preenchedores reabsorvíveis, trata-se de um material de caráter permanente, o que significa que qualquer resultado — positivo ou negativo — pode acompanhar a paciente por muitos anos. O grande problema é que muitas pessoas tomam essa decisão considerando apenas o resultado imediato, sem compreender completamente as implicações de conviver com um material definitivo no organismo.
É importante destacar que o PMMA possui indicações médicas específicas e reconhecidas, como correções reconstrutivas e determinados casos de lipodistrofia. Nessas situações, existe uma análise criteriosa da relação risco-benefício. A controvérsia surge principalmente quando o produto passa a ser utilizado para fins puramente estéticos, especialmente em grandes volumes corporais.
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Outro aspecto relevante é que o corpo está em constante transformação. A pele envelhece, ocorre perda de colágeno, mudanças hormonais, oscilações de peso, gestações e alterações naturais da anatomia corporal. Quando se utiliza um material permanente, a capacidade de adaptação a essas mudanças torna-se mais limitada.
Acredito que a estética moderna deve priorizar não apenas o resultado de hoje, mas também a segurança e a qualidade de vida da paciente daqui a cinco, dez ou vinte anos.
Por isso, minha escolha profissional é investir em tratamentos que respeitem a biologia, acompanhem a evolução natural do corpo feminino e preservem aquilo que considero mais importante: a segurança da paciente.
Os principais riscos associados ao uso inadequado do PMMA estão relacionados às possíveis reações que o organismo pode desenvolver após a aplicação.
Entre as complicações mais frequentes estão formação de nódulos, granulomas, processos inflamatórios crônicos, endurecimento dos tecidos, assimetrias, migração do produto e deformidades estéticas. Em situações mais graves, podem ocorrer infecções, necrose tecidual e comprometimento funcional da região tratada.
Quando utilizado em grandes volumes corporais, especialmente nos glúteos, os riscos podem ser ainda maiores. A literatura descreve casos de embolia, insuficiência renal, hipercalcemia e outras complicações sistêmicas potencialmente graves.
Um dos maiores desafios é que, em muitos casos, o tratamento dessas complicações é complexo. Mesmo quando há necessidade de intervenções cirúrgicas corretivas, nem sempre é possível remover totalmente o material ou restaurar completamente os tecidos afetados.
Por isso, a discussão sobre o PMMA vai além da ocorrência das complicações em si. Ela envolve também a dificuldade de manejo quando esses problemas acontecem.
Na minha visão, quando o objetivo é exclusivamente estético, devemos priorizar tratamentos que ofereçam segurança, previsibilidade e possibilidade de adaptação ao longo do envelhecimento natural do corpo. A estética moderna precisa pensar não apenas no resultado imediato, mas também no impacto que essa escolha terá daqui a alguns anos.
Quais alternativas existem hoje para mulheres que desejam melhorar contorno corporal, textura da pele e aparência da região glútea sem recorrer a procedimentos de alto risco?
Atualmente, existem diversas opções seguras e cientificamente embasadas para tratar a região glútea sem a necessidade de procedimentos de maior risco. Entre elas, destacam-se os materiais biocompatíveis, como o ácido hialurônico, que pode ser utilizado para promover projeção, contorno e harmonização da região de forma previsível e personalizada.
Também contamos com bioestimuladores de colágeno, que atuam estimulando a produção natural de colágeno pelo organismo, contribuindo para a melhora da firmeza, da qualidade da pele e dos sinais de envelhecimento da região glútea.
Além disso, diferentes tecnologias corporais podem ser associadas ao tratamento, auxiliando na melhora da textura da pele, da flacidez e de alterações estruturais como a celulite.
No entanto, é importante compreender que o tratamento ideal raramente está em uma única técnica. O glúteo feminino sofre alterações ao longo dos anos que envolvem pele, tecido subcutâneo, sustentação e contorno corporal. Por isso, a tendência atual é adotar uma abordagem regenerativa e personalizada, combinando recursos de acordo com as necessidades de cada paciente.
Essa é a base do CelluLift Method
, método que desenvolvi para tratar o envelhecimento glúteo de forma global, priorizando naturalidade, segurança e harmonia corporal, sem a busca por resultados artificiais ou excessivos.
Na sua visão, o mercado está caminhando para uma estética mais consciente e natural?
Sem dúvida. Como profissional que atua há anos no embelezamento e rejuvenescimento glúteo, percebo uma mudança muito clara no comportamento das pacientes e na própria evolução da medicina estética. Estamos saindo de uma era focada exclusivamente em volume para entrar em uma era focada em qualidade tecidual, regeneração e naturalidade. Hoje, a mulher busca um glúteo bonito, harmonioso e compatível com seu corpo, não necessariamente um glúteo maior a qualquer custo.
Na minha prática, acredito que o verdadeiro embelezamento glúteo acontece quando conseguimos associar ciência, segurança e naturalidade. Por isso, priorizo materiais biocompatíveis, bioestimulação de colágeno, tecnologias e protocolos regenerativos capazes de melhorar contorno, sustentação e qualidade da pele, respeitando a anatomia e as características individuais de cada mulher.
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O futuro da estética corporal não está nos excessos. Está na capacidade de compreender que o glúteo feminino envelhece e que, muitas vezes, tratar esse envelhecimento de forma inteligente gera resultados mais bonitos, elegantes e duradouros do que simplesmente adicionar volume.
A estética mais moderna não busca transformar mulheres em versões padronizadas. Ela busca valorizar sua beleza individual com responsabilidade, segurança e sofisticação.
Como equilibrar desejo de melhora estética com preservação da identidade corporal?
Acredito que esse seja um dos maiores desafios, e uma das maiores responsabilidades, de quem trabalha com estética. A melhora estética deve realçar atributos, corrigir incômodos e restaurar características que foram se perdendo com o tempo, mas sem apagar a identidade corporal da paciente. Quando o tratamento é bem conduzido, as pessoas percebem que a mulher está mais bonita, mais harmoniosa e mais confiante, mas não conseguem identificar exatamente o que foi feito.
No caso da região glútea, isso significa respeitar a anatomia, as proporções corporais e o biotipo de cada mulher. Um resultado bonito não é aquele que segue uma tendência ou um padrão imposto, mas aquele que se integra naturalmente ao restante do corpo.
Por isso, antes de pensar em volume, é fundamental avaliar aspectos como qualidade da pele, flacidez, celulite, sustentação dos tecidos e o processo de envelhecimento da região. Muitas vezes, a verdadeira transformação está na recuperação da firmeza, do contorno e da harmonia corporal, e não necessariamente em aumentar medidas.
A estética que defendo não é sobre criar um corpo, mas sobre revelar a melhor versão daquele corpo. Preservar a identidade corporal significa respeitar a história, as características e a individualidade de cada mulher, utilizando a ciência para potencializar sua beleza de forma segura, elegante e natural.
Muitas pacientes acreditam que a celulite está relacionada apenas ao excesso de gordura. O que realmente causa a celulite?
Esse é um dos maiores mitos da estética corporal. A celulite não é simplesmente excesso de gordura. Na verdade, ela é uma alteração estrutural multifatorial que envolve pele, tecido subcutâneo, septos fibrosos, circulação local, inflamação e fatores hormonais.
Por isso, vemos mulheres magras com graus importantes de celulite e mulheres com maior percentual de gordura que apresentam pouca alteração. A gordura pode contribuir para a aparência da celulite, mas ela não é a única responsável. Quando olhamos para a região glútea de forma mais aprofundada, percebemos que a qualidade da pele, a flacidez dos tecidos e o processo de envelhecimento têm um papel fundamental na formação e na progressão dessas irregularidades. É justamente essa visão mais ampla que permite tratamentos mais eficazes e resultados mais duradouros.
Por que a celulite continua sendo uma das principais queixas estéticas das mulheres?
Porque ela impacta diretamente a forma como muitas mulheres enxergam o próprio corpo. Mesmo quando existe um bom condicionamento físico, a presença da celulite pode gerar desconforto ao usar biquíni, roupas mais justas ou simplesmente ao se olhar no espelho.
Além disso, a celulite é extremamente prevalente. Estima-se que a grande maioria das mulheres apresente algum grau dessa alteração ao longo da vida, principalmente devido às características anatômicas femininas e às influências hormonais.
Outro ponto importante é que, durante muito tempo, os tratamentos focaram apenas em aspectos isolados da celulite. Hoje entendemos que é necessário abordar o tecido como um todo, considerando envelhecimento, qualidade da pele, fibroses e sustentação tecidual.
Como surgiu a ideia de desenvolver o CelluLift Method?
O CelluLift Method
nasceu da observação clínica de centenas de mulheres ao longo dos anos. Percebi que muitas pacientes chegavam ao consultório pedindo volume glúteo, quando na verdade o que mais as incomodava era a perda de firmeza, o aparecimento da celulite, a piora da textura da pele e a mudança do contorno corporal com o passar do tempo.
Foi então que comecei a estudar o glúteo feminino sob uma perspectiva pouco explorada: a do envelhecimento. Assim como o rosto envelhece, o glúteo também envelhece. Existem alterações na pele, nos tecidos de sustentação, no colágeno e na arquitetura da região. O método surgiu justamente para tratar essas transformações de forma global, respeitando a anatomia feminina e priorizando resultados naturais.
O que diferencia o CelluLift Method das abordagens mais tradicionais disponíveis no mercado?
A principal diferença é que o CelluLift Method
não foi criado para aumentar glúteos. Ele foi desenvolvido para tratar o envelhecimento glúteo. Enquanto muitas abordagens concentram-se apenas em volume, o método avalia múltiplos pilares: qualidade da pele, celulite, flacidez, sustentação tecidual, contorno corporal e proporção estética.
Isso permite uma estratégia personalizada, que pode envolver bioestimulação de colágeno, materiais absorvíveis e biocompativeis, tecnologias e protocolos regenerativos, sempre de acordo com as necessidades de cada paciente. O objetivo não é criar um resultado padronizado, mas restaurar harmonia, firmeza e beleza natural de forma segura e sofisticada.
Que mensagem você gostaria de deixar para mulheres que desejam melhorar a aparência do corpo, mas têm receio de resultados artificiais?
Hoje temos recursos capazes de promover melhorias significativas respeitando a individualidade, a anatomia e a identidade corporal de cada mulher.
Meu conselho é que ela busque tratamentos que valorizem o que já existe, em vez de tentar criar um corpo que não é seu. O objetivo não deve ser parecer outra pessoa, mas uma versão mais bonita e harmoniosa de si mesma.
Além disso, o resultado não depende apenas da técnica utilizada, mas também da escolha de materiais seguros, de qualidade comprovada, e da experiência do profissional responsável. Uma boa indicação de tratamento é aquela que considera não apenas o resultado estético, mas também a segurança, a naturalidade e o bem-estar da paciente a longo prazo.
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