
Crescem complicações em cirurgias plásticas e especialista alerta para riscos e banalização (Foto: Divulgação)
O aumento de complicações associadas a procedimentos estéticos no Brasil tem chamado a atenção de entidades médicas e órgãos reguladores. Dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e repercutidos pela Associação Paulista de Medicina (APM) indicam um crescimento expressivo no número de sindicâncias e denúncias envolvendo a área.
Segundo o levantamento, houve um aumento de aproximadamente 41% nas sindicâncias envolvendo médicos entre 2023 e 2025, além de uma alta de mais de 90% nas denúncias relacionadas a profissionais não médicos no mesmo período. As ocorrências envolvem desde infrações éticas até complicações graves em procedimentos realizados fora do ambiente médico adequado.
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Para o cirurgião plástico Dr. Márcio Harada, o crescimento dos casos expõe uma combinação perigosa entre a expansão do mercado e a banalização dos procedimentos. “Existe uma falsa sensação de segurança em relação à cirurgia plástica. O que vemos na prática é que muitas pessoas ainda não entendem que se trata de uma cirurgia de fato, com todos os riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico”, afirma.
O crescimento frenético do setor ajuda a explicar esse cenário. O mercado de estética no Brasil movimenta bilhões de reais por ano e segue em forte expansão, impulsionado pela alta demanda e pela popularização de procedimentos minimamente invasivos, um fenômeno amplamente potencializado pelas redes sociais. “Quando um procedimento médico passa a ser tratado como consumo, perde-se a percepção de risco. E isso é extremamente perigoso, porque o corpo humano não responde como um produto de mercado”, alerta Harada.
Segundo o especialista, o problema se agrava quando os procedimentos são realizados fora do ambiente hospitalar ou sem a estrutura adequada para intercorrências, pois as complicações podem ter sérios riscos como infecções, necrose e a necessidade de múltiplas cirurgias corretivas. “Esses casos chegam para nós já em estágio avançado. Muitas vezes, o paciente não teve nenhum tipo de orientação adequada antes do procedimento ou foi submetido a técnicas mal feitas”, pontua Dr. Harada.
Estudos internacionais apontam que a mortalidade em cirurgias estéticas é considerada baixa quando os procedimentos são realizados em pacientes adequadamente selecionados e em ambiente seguro, segundo levantamento da American Society for Aesthetic Plastic Surgery indicam taxas em torno de uma morte a cada 47 mil procedimentos de lipoaspiração isolada, embora o risco aumente significativamente quando diferentes cirurgias são associadas na mesma operação.
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“O risco não é apenas do procedimento em si, mas da soma de variáveis. Paciente, técnica cirúrgica, tempo operatório e estrutura hospitalar precisam estar alinhados. Quando um desses pilares falha, o risco aumenta exponencialmente. Em cirurgia plástica, o tempo de resposta é determinante para o desfecho do paciente”, explica Harada.
Para o especialista, a segurança depende de três pilares fundamentais: formação adequada, estrutura hospitalar e seleção criteriosa do paciente. “Segurança não pode ser negociável. O resultado estético é importante, mas ele nunca pode vir antes da integridade do paciente”, conclui.
Sobre o Dr. Márcio Harada
O Dr. Márcio Harada é cirurgião plástico com clínica em São Paulo (SP) e uma trajetória marcada por disciplina e superação, influência de sua origem em uma família de imigrantes japoneses. Formado com sólida base em cirurgia geral e plástica, teve passagens pela Santa Casa de São Paulo e atuação voluntária no Hospital Sírio-Libanês.
Especialista em procedimentos de contorno corporal, mamas e face, destaca-se pelo foco em resultados naturais, harmônicos e seguros. É reconhecido por sua atuação em cirurgias de Mommy Makeover e na correção do chamado “umbigo triste” pós-plástica, que impacta a autoestima de muitas mulheres. Com abordagem humanizada e acompanhamento próximo no pré e pós-operatório, o médico prioriza segurança, ética e personalização em cada paciente, reforçando a cirurgia plástica como ferramenta de autoestima e qualidade de vida.
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