Burnout na medicina leva profissionais a repensarem modelo tradicional de carreira (Foto: Divulgação)

A síndrome de burnout tem se tornado uma preocupação crescente na medicina brasileira. Estudos realizados com diferentes especialidades e contextos de atuação revelam um cenário de sobrecarga que afeta diretamente a saúde mental dos profissionais. Um levantamento conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 62,5% dos médicos diagnosticados com burnout trabalhavam mais de 61 horas por semana e todos possuíam mais de três vínculos profissionais simultâneos. Diante desse cenário, cresce o número de médicos que passam a questionar o modelo tradicional de carreira baseado em múltiplos plantões e longas jornadas, buscando alternativas que ofereçam maior equilíbrio entre realização profissional, saúde mental e qualidade de vida.

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O radiologista Felipe Carneiro conhece essa realidade de perto. Antes de se tornar empreendedor e CEO da Doctor360, escola especializada em empreendedorismo médico, ele vivenciou a rotina intensa de múltiplos plantões e a pressão constante por produtividade. “Durante muito tempo, eu acreditava que trabalhar cada vez mais era o único caminho para crescer na medicina. Mas chega um momento em que o corpo e a mente começam a dar sinais claros de desgaste. Muitos médicos percebem que, mesmo trabalhando mais horas, não necessariamente estão construindo uma carreira sustentável ou uma vida equilibrada”, afirma.

A reflexão tem ganhado força especialmente entre as novas gerações de médicos, que passaram a questionar a lógica de que sucesso profissional depende exclusivamente do aumento da carga de trabalho. Em vez disso, cresce o interesse por modelos que envolvem gestão de carreira, posicionamento profissional, consultórios próprios, empreendedorismo e diversificação das fontes de receita.

Para a gastroenterologista Natália Carneiro, fundadora da Doctor360, o problema não está apenas no excesso de trabalho, mas na falta de preparo para administrar a própria carreira. “Durante a faculdade e a residência, somos treinados para cuidar de pacientes, mas raramente aprendemos sobre gestão, planejamento financeiro, marketing médico ou construção de um negócio. Muitos profissionais acabam entrando em uma rotina de plantões sucessivos porque não conhecem outras possibilidades de atuação”, explica.

Segundo ela, o empreendedorismo médico não significa abandonar a prática clínica, mas desenvolver estratégias que permitam ao profissional ter mais autonomia sobre sua rotina e suas decisões. “Empreender na medicina é criar um modelo de atuação que faça sentido para sua realidade e seus objetivos. Isso pode significar abrir um consultório, estruturar melhor um serviço, fortalecer sua autoridade profissional ou construir uma agenda mais equilibrada. O objetivo é que o médico deixe de ser apenas executor e passe a ser protagonista da própria carreira”, diz Natália.

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Felipe acredita que o debate sobre burnout precisa avançar para além do diagnóstico do problema. “É importante falar sobre saúde mental, mas também precisamos discutir as causas estruturais do esgotamento. Muitos médicos estão sobrecarregados porque nunca aprenderam a construir alternativas. Quando o profissional entende que pode organizar sua carreira de forma estratégica, ele passa a ter mais controle sobre seu tempo, sua renda e sua qualidade de vida”, afirma.

Para os especialistas, a transformação da medicina passa não apenas por avanços tecnológicos e científicos, mas também pela construção de modelos de trabalho mais humanos e sustentáveis. Em um cenário de crescente preocupação com o bem-estar dos profissionais da saúde, a capacidade de equilibrar excelência médica e qualidade de vida tende a se tornar um dos principais desafios da profissão nos próximos anos.

“Não existe medicina de excelência sem médicos saudáveis. Cuidar da carreira, da saúde mental e da qualidade de vida não é um luxo, mas uma necessidade para quem deseja construir uma trajetória longa, sustentável e verdadeiramente bem-sucedida”, conclui Natália.

Veja mais no Site da Doctor 360.

Doctor 360

A Doctor 360 é uma escola de empreendedorismo médico fundada em 2024, que nasceu da experiência prática de seus fundadores ao reconstruírem suas próprias carreiras na medicina. A empresa oferece programas de mentoria estratégica voltados a médicos especialistas que desejam estruturar consultórios privados, fortalecer seu posicionamento e conquistar mais autonomia profissional. Com metodologia validada em 26 especialidades e mais de 200 médicos formados em todo o Brasil e no exterior, a Doctor 360 integra gestão, estratégia, mentalidade e propósito. Seu foco é transformar médicos em protagonistas da própria trajetória, promovendo carreiras mais sustentáveis, previsíveis e alinhadas com seus valores.


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Burnout na medicina leva profissionais a repensarem modelo tradicional de carreira