No The Noite com Danilo Gentili desta quinta-feira (10), o programa marca os 25 anos do atentado de 11 de setembro de 2001 com um encontro de brasileiros que viveram aquele dia de diferentes maneiras. O jornalista Sérgio Aguiar, a fotógrafa Chris Day e os sobreviventes Larry de Faria Jr. e Tacito Cury compartilham lembranças de um dos acontecimentos mais marcantes da história recente.
Sérgio Aguiar cobriu o atentado e relembra a dimensão e a dificuldade de noticiar os acontecimentos em tempo real. “Era uma cobertura muito difícil porque a gente não tinha a facilidade que existe hoje de redes sociais, de vídeos que chegam com rapidez e de informação sendo compartilhada o tempo todo. O próprio Departamento de Defesa não sabia direito o que estava acontecendo. Então, os depoimentos dos sobreviventes eram fundamentais para a gente entender como estava o ambiente em Nova York e nos Estados Unidos”, conta.
Larry de Faria Jr viveu o ataque de dentro do World Trade Center. Ele trabalhava no 25º andar da Torre Norte quando o primeiro avião atingiu o prédio. “Eu tive a nítida impressão de que o prédio ia cair. Eu trabalhava no 25º andar de um prédio que tinha 107 andares e, quando o avião bateu, ele balançou de um jeito que eu nunca tinha sentido. Naquele momento, eu pensei que ele não ia aguentar”, relembra.
A fotógrafa Chris Day estava em Nova York para um trabalho de moda quando os ataques aconteceram. O que seria uma experiência profissional acabou se transformando em um registro histórico da reação da cidade. “Eu nunca tinha visto Nova York calada. Nova York é uma cidade que pulsa, e nos primeiros dias ela morreu. Eu me senti ali não como brasileira nem como americana, eu era um ser humano que estava vivendo uma tragédia”, conta.
Tacito Cury estava nos Estados Unidos no dia dos ataques e também registrou os acontecimentos com uma câmera fotográfica. Mas sua história ganhou um capítulo inesperado no dia seguinte, quando descobriu que um de seus alunos de inglês estava entre os terroristas envolvidos nos atentados. Ele procurou o FBI e acabou prestando depoimento às autoridades. “Eu sobrevivi no dia 11, dia 12 eu descubro o terrorista, dia 13 estava no olho da rua. Resumo da minha semana”, conta.
Além das histórias pessoais, Tacito relembra o preconceito enfrentado por pessoas de origem ou ascendência árabe. “Existe uma grande diferença entre muçulmano, árabe e terrorista. Depois do atentado, se era árabe ou muçulmano ou tivesse alguma semelhança, era terrorista. E a gente começou a sentir na pele essas questões”, afirma.
O especial revisita o 11 de setembro a partir das memórias de quem esteve próximo dos acontecimentos e testemunhou, em primeira mão, o impacto de uma tragédia que ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos.




