Quem passou pela adolescência sem grandes problemas com espinhas pode se surpreender ao perceber o surgimento de acne depois dos 30 anos. Apesar de ser frequentemente associada à adolescência, a acne também pode aparecer ou se intensificar na vida adulta.

Segundo o Dr. Julian Fraga, dermatologista do Instituto Fraga de Dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a acne adulta é multifatorial e pode estar relacionada à predisposição genética, alterações hormonais, estresse, uso de medicamentos ou produtos com potencial comedogênico, além de fatores ambientais e comportamentais.

Entre os principais fatores que podem estar relacionados ao surgimento ou à piora da acne depois dos 30 anos estão:

1. Alterações hormonais

A influência hormonal merece destaque na acne adulta. O aumento relativo da atividade androgênica pode estimular a produção de sebo e favorecer a obstrução dos folículos, contribuindo para a formação das lesões.

Alterações hormonais também podem estar relacionadas ao início ou à troca de anticoncepcionais e à suspensão de determinados hormônios.

2. Estresse

O estresse também pode contribuir para a piora da acne por meio de alterações neuroendócrinas e inflamatórias. Além disso, pode interferir no sono e nos hábitos cotidianos, fatores que também podem influenciar o quadro.

Por isso, períodos de maior estresse podem coincidir com o surgimento ou a intensificação das espinhas em algumas pessoas.

3. Produtos e medicamentos

Alguns cosméticos e medicamentos podem contribuir para a piora da acne. Produtos muito oclusivos ou inadequados para o tipo de pele podem favorecer a obstrução dos folículos.

Por isso, é importante observar não apenas os produtos utilizados na rotina de cuidados, mas também medicamentos que possam estar relacionados ao aparecimento ou agravamento das lesões.

4. Alimentação

A alimentação não é considerada uma causa isolada da acne, mas pode ter influência em algumas pessoas. Dietas com alto índice glicêmico podem estimular vias relacionadas à produção de sebo e à inflamação.

Em determinados indivíduos, o consumo elevado de laticínios também pode estar associado à piora do quadro.

"O importante é diferenciar os fatores que podem desencadear ou agravar a acne de suas causas propriamente ditas", explica Dr. Julian Fraga.

5. Predisposição genética e fatores individuais

A predisposição genética também pode estar relacionada à acne adulta. Mesmo pessoas que não tiveram acne significativa durante a adolescência podem desenvolver o quadro posteriormente quando ocorre uma mudança na atividade das glândulas sebáceas, na resposta hormonal ou na inflamação perifolicular.

Mudanças na rotina de cuidados com a pele, estresse, medicamentos e alterações hormonais podem atuar como gatilhos.

Em alguns casos, a acne de início tardio também pode ser um sinal de alguma alteração hormonal que merece investigação.

Acne adulta pode ser diferente em mulheres e homens?

Existem algumas diferenças na forma como a acne adulta pode se apresentar. Nas mulheres, é comum que as lesões tenham predomínio na região inferior da face, mandíbula e mento. O quadro também pode apresentar um padrão de recorrência relacionado ao ciclo menstrual.

Quando existe início súbito ou piora importante acompanhada de irregularidade menstrual, aumento de pelos, queda de cabelo ou outros sinais de hiperandrogenismo, é importante considerar uma investigação hormonal.

Nos homens, a influência androgênica também é importante. A acne pode ser mais inflamatória e extensa, além de haver maior risco de cicatrizes em alguns casos.

Independentemente do sexo, quadros muito inflamatórios, de início abrupto ou resistentes ao tratamento merecem avaliação individualizada.

Quando procurar um dermatologista?

Espinhas persistentes, recorrentes, inflamatórias ou dolorosas já são motivos para buscar avaliação dermatológica, especialmente quando deixam manchas ou cicatrizes.

Também é importante procurar o especialista quando a acne surge de forma súbita depois dos 30 anos, apresenta piora progressiva, não responde aos cuidados habituais ou existe suspeita de influência hormonal ou medicamentosa.

O dermatologista pode diferenciar a acne de outras condições que apresentam manifestações semelhantes e identificar os fatores envolvidos em cada caso.

"Depois dos 30, não é preciso simplesmente conviver com as espinhas. A acne adulta tem tratamento e deve ser investigada de acordo com cada paciente", finaliza Dr. Julian Fraga.