Preenchimento facial evolui e pacientes buscam rejuvenescimento sem perder a identidade (Foto: Divulgação)

Os procedimentos estéticos faciais vêm passando por uma transformação nos últimos anos. Se antes a busca era por mudanças mais evidentes, hoje o foco está na naturalidade, na prevenção e na preservação da identidade de cada paciente. Nesse cenário, o preenchimento com ácido hialurônico se consolidou como uma das intervenções mais procuradas nos consultórios.

Em entrevista exclusiva ao Vírgula, o Dr. Carlucio Ragognete, médico especialista em cirurgia plástica da face com mais de 20 anos de experiência, explica como o procedimento evoluiu, quais são seus limites e de que forma ele pode complementar técnicas cirúrgicas mais avançadas, como o Deep Plane Facelift.

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Referência na área e também atuante na formação de médicos no Brasil e no exterior, incluindo cursos realizados em Portugal, o especialista destaca que o principal desafio da estética facial moderna é promover rejuvenescimento sem descaracterizar o paciente. Confira:

O preenchimento com ácido hialurônico se tornou um dos procedimentos estéticos mais procurados dos últimos anos. Na sua visão, o que mudou na forma como os pacientes enxergam esse tipo de intervenção?

Acredito que houve uma mudança importante na forma como as pessoas entendem o envelhecimento. Antigamente, muitos procuravam procedimentos apenas para corrigir algo que já estava muito evidente. Hoje existe uma preocupação maior com prevenção e manutenção. O preenchimento passou a ser visto como uma ferramenta para preservar características faciais e retardar alguns sinais do envelhecimento, desde que seja realizado com critério, indicação correta e respeito à anatomia do paciente.

A mudança reflete uma tendência crescente na medicina estética: o paciente atual busca resultados mais discretos e personalizados, priorizando aparência saudável e harmônica em vez de transformações radicais.

O preenchimento facial com ácido hialurônico pode complementar procedimentos cirúrgicos como o Deep Plane Facelift? Em quais casos essa associação costuma trazer melhores resultados?

Sim. São tratamentos diferentes e muitas vezes complementares. O Deep Plane reposiciona estruturas que sofreram queda ao longo do tempo. Já o ácido hialurônico pode ser utilizado para restaurar perdas de volume específicas, principalmente em regiões onde existe esvaziamento natural dos compartimentos de gordura da face. Quando bem indicado, o preenchimento pode refinar e complementar o resultado cirúrgico. O importante é entender que reposicionar tecidos e repor volume são objetivos diferentes. Um não substitui o outro.

Com mais de 20 anos de experiência em cirurgia da face, quais são os erros mais comuns que podem ser observados em pacientes que já realizaram preenchimentos anteriormente?

O erro mais comum é tentar tratar um problema estrutural apenas com volume. Quando existe flacidez ou queda dos tecidos, adicionar mais produto nem sempre resolve e, em alguns casos, pode até piorar o aspecto facial. Também observo pacientes que acumularam preenchimentos ao longo dos anos sem um planejamento global. Isso pode gerar distorções de proporção, perda de definição anatômica e um aspecto artificial. Meu objetivo sempre é preservar a naturalidade e respeitar as características individuais de cada rosto.

Segundo o especialista, a avaliação individualizada continua sendo um dos fatores mais importantes para alcançar resultados equilibrados e duradouros.

O ácido hialurônico pode ser utilizado tanto para rejuvenescimento quanto para harmonização facial. Como identificar o limite entre valorização estética e transformação excessiva do rosto?

O limite está na naturalidade. Quando alguém olha para o paciente e percebe uma pessoa descansada, saudável e bem cuidada, normalmente estamos no caminho certo. Quando o procedimento chama mais atenção do que a própria pessoa, provavelmente esse limite foi ultrapassado. A estética facial deve valorizar a identidade do paciente, não substituí-la. Eu costumo dizer que o melhor procedimento é aquele que melhora a aparência sem apagar a história e as características individuais de quem está à nossa frente.

Ao longo da carreira, você também se destacou pela atuação acadêmica, formando médicos no Brasil e no exterior, inclusive com cursos em Portugal. Como a experiência no ensino influencia sua prática clínica e sua visão sobre estética facial?

Ensinar obriga o médico a estudar continuamente, questionar conceitos e aprofundar o conhecimento anatômico e científico. Isso traz um enorme benefício para a prática clínica. A medicina estética evolui constantemente, mas os princípios anatômicos permanecem. Quando ensinamos, reforçamos a responsabilidade de compreender profundamente essas estruturas e transmitir técnicas seguras e fundamentadas. Além disso, o contato com colegas de diferentes países amplia a visão sobre tendências, resultados e expectativas dos pacientes, sempre mantendo o compromisso com a segurança e a naturalidade.

Hoje muitos pacientes buscam rejuvenescimento sem perder a própria identidade. O que mudou no perfil dos procedimentos faciais nos últimos anos e quais são as maiores demandas do público que procura sua clínica?

A principal mudança foi a busca por naturalidade. Há alguns anos existia uma procura maior por transformações evidentes. Hoje a maioria dos pacientes quer parecer melhor, mas sem parecer que fez alguma coisa. Na minha clínica, as maiores demandas estão relacionadas ao rejuvenescimento da face e do pescoço, especialmente perda do contorno mandibular, flacidez cervical, queda dos tecidos da face e envelhecimento do olhar.

As pessoas querem continuar se reconhecendo no espelho. Elas não procuram um novo rosto. Procuram uma versão mais descansada, mais leve e mais compatível com a vitalidade que ainda sentem por dentro. Isso, para mim, representa a verdadeira essência do rejuvenescimento facial moderno.

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Para o especialista, o futuro da estética facial está justamente nesse equilíbrio entre técnica, ciência e individualidade. Em vez de seguir padrões, os pacientes têm buscado procedimentos que respeitem suas características e valorizem sua própria identidade, uma mudança que tem redefinido os conceitos de beleza e rejuvenescimento na medicina contemporânea.

Nesse contexto, o sucesso de qualquer tratamento depende cada vez menos da quantidade de procedimentos realizados e mais da capacidade de compreender as necessidades de cada paciente. Para Dr. Carlucio, a combinação entre conhecimento, planejamento individualizado e expectativas realistas é o que permite alcançar resultados harmoniosos e duradouros, preservando não apenas a aparência, mas também a identidade de cada rosto.

Sobre o Dr. Carlucio

Carlucio Ragognete é médico especialista em cirurgia da face, com mais de 20 anos de experiência e atuação reconhecida nacional e internacionalmente. Formado pela Universidade do Vale do Sapucaí, com especialização em Otorrinolaringologia, construiu carreira sólida com foco em cirurgia plástica facial estética e funcional. Foi coordenador de pós-graduação na área por quase uma década e atua como palestrante em eventos científicos no Brasil e no exterior. À frente da clínica Dr. Carlucio Ragognete, especializada em cirurgia plástica da face e dermatologia, localizada em São Paulo, é referência em técnicas avançadas de rejuvenescimento com resultados naturais, unindo precisão científica e sensibilidade estética.


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Preenchimento facial evolui e pacientes buscam rejuvenescimento sem perder a identidade