
Futuro do agro mineiro passa por água, inovação e sucessão no campo (Foto: Divulgação)
O agronegócio mineiro atravessa um momento de transformação. Líder nacional na produção de café e maior bacia leiteira do Brasil, Minas Gerais consolidou-se como uma das principais forças do agro brasileiro, combinando tradição produtiva, inovação tecnológica e crescente presença nos mercados internacionais.
Os números ajudam a dimensionar essa relevância. O estado responde por aproximadamente metade da produção nacional de café, lidera a produção brasileira de leite, possui um dos maiores rebanhos bovinos do país e se destaca ainda nas cadeias da soja, milho, feijão, cana-de-açúcar, frutas, florestas plantadas e genética animal.
Ao mesmo tempo em que amplia produtividade e competitividade, o setor enfrenta desafios cada vez mais complexos. Infraestrutura, logística, custos de produção, sucessão familiar, qualificação de mão de obra, entraves causados pela legislação ambiental e mudanças climáticas passaram a ocupar posição estratégica na agenda do produtor rural.
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No Norte de Minas, esses desafios ganham contornos ainda mais expressivos.
Localizada em uma área de transição entre o Cerrado e a Caatinga, a região convive historicamente com longos períodos de estiagem e irregularidade pluviométrica. Nesse contexto, a segurança hídrica deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar um dos principais fatores de competitividade econômica do setor agropecuário.
A região possui forte vocação para a pecuária de corte e leite, agricultura irrigada, fruticultura, produção florestal, genética animal e agricultura familiar. No entanto, a disponibilidade de água passou a influenciar diretamente a capacidade de expansão, produtividade e sustentabilidade dessas atividades.
Para especialistas e lideranças do setor, o futuro do agro norte-mineiro dependerá da ampliação dos investimentos em irrigação, reservação de água, recuperação de nascentes, tecnologias de manejo e conservação do solo e infraestrutura hídrica capaz de aumentar a resiliência das propriedades rurais.
“O grande desafio do Norte de Minas não é apenas produzir mais. É produzir com sustentabilidade, segurança hídrica e competitividade. Precisamos avançar em políticas públicas, inovação e gestão eficiente dos recursos naturais para garantir o futuro da atividade rural”, afirma o presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, Flávio Gonçalves Oliveira.
Mas a água não é o único tema que preocupa o setor. Outro desafio decisivo para o futuro do campo está relacionado à sucessão familiar. A continuidade das propriedades rurais depende cada vez mais da capacidade de atrair e manter jovens qualificados no ambiente produtivo.
O novo agro exige gestão, tecnologia, conhecimento de mercado, sustentabilidade e visão empresarial. Nesse cenário, cresce o protagonismo feminino. Mulheres assumem propriedades, lideram empreendimentos, ocupam espaços em entidades representativas e ampliam sua participação em segmentos historicamente dominados pelos homens. A valorização dessas lideranças faz parte da estratégia de fortalecimento do setor e ganha visibilidade em iniciativas como o Elas do Campo, realizado durante a Expomontes e voltado ao debate sobre liderança, empreendedorismo e comunicação no agronegócio.
Expomontes: muito além de uma feira
Em um cenário marcado por desafios estruturais, eventos agropecuários passaram a desempenhar um papel que vai muito além da exposição de animais ou da realização de negócios.
A Expomontes tornou-se um ambiente de articulação econômica, tecnológica e institucional para o Norte de Minas. Realizada pela Sociedade Rural de Montes Claros, a feira consolidou-se como uma das maiores vitrines do agronegócio mineiro e um espaço legítimo para a apresentação de demandas e construção de soluções para o setor.
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Durante dez dias, produtores rurais, pesquisadores, empresas, lideranças setoriais e representantes do poder público se reúnem para discutir temas estratégicos como segurança hídrica, infraestrutura, logística, crédito rural, conectividade no campo, inovação tecnológica e sustentabilidade.
A edição de 2026 deverá reunir cerca de 300 mil visitantes, movimentar aproximadamente R$ 400 milhões na economia regional e gerar cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos. A programação contempla mais de 500 atividades, incluindo seminários, palestras técnicas, julgamentos de animais, leilões, rodadas de negócios, exposições, encontros setoriais e competições equestres. Somente os estandes devem movimentar cerca de R$ 150 milhões em negócios, reforçando o papel da feira como uma das principais plataformas de relacionamento empresarial do interior brasileiro. Uma das agências de crédito presentes disponibilizará, por exemplo, R$ 120 milhões em linhas de financiamento.
Mas talvez o maior legado da Expomontes esteja fora dos números. Ao reunir produtores de diferentes segmentos e regiões, a feira fortalece a representatividade do setor e amplia a capacidade de diálogo entre quem produz, quem pesquisa, quem investe e quem formula políticas públicas.
Conecta Agro Expomontes: quando a feira vira negócio
Uma das grandes apostas da 52ª edição é o Conecta Agro Expomontes, projeto inédito desenvolvido em parceria entre a Sociedade Rural de Montes Claros e o Sebrae Minas. Mais do que uma atividade paralela, o Conecta Agro representa uma mudança de mentalidade: a Expomontes não é apenas um espaço de exposição, mas uma plataforma real de geração de negócios, relacionamento estratégico e desenvolvimento empresarial.
O projeto nasce de um diagnóstico claro: estar presente na feira não é suficiente. É preciso preparar quem expõe para aproveitar ao máximo cada contato, cada conversa e cada oportunidade gerada pelo ambiente único que a Expomontes proporciona.
“Não basta expor, é preciso gerar negócios” — esse lema resume a filosofia do Conecta Agro e orienta toda a sua estrutura, que combina capacitação técnica, conexões estratégicas e uma rodada de negócios que reunirá, num mesmo espaço, quem compra e quem vende.
A iniciativa prevê módulos de capacitação prática voltados a expositores e feirantes, com foco em atendimento ao cliente, experiência de compra, organização de estandes para conversão de vendas, captação de leads e estratégias de pós-venda. Os encontros são conduzidos por analistas do Sebrae Minas e acontecem nas semanas que antecedem a feira.
O ponto alto da programação é a rodada de negócios, marcada para o dia 30 de junho, que reunirá prestadores de serviços, empresas do agro e produtores rurais em um formato estruturado para gerar conexões reais e fechar parcerias. No dia seguinte, 1º de julho, um ciclo de palestras com especialistas em mercado, gestão e liderança encerra a programação do projeto.
“Os empresários precisam estar tecnicamente preparados para fortalecer sua marca, se posicionar no mercado e fazer negócios. Com as capacitações, buscamos potencializar as vendas e resultados durante a exposição agropecuária, possibilitando que os empresários aproveitem ao máximo as oportunidades oferecidas pelo ambiente da feira, que é uma grande e importante vitrine do agronegócio norte-mineiro”, destaca o analista do Sebrae Minas, Mateus Santos.
Para a Sociedade Rural, o projeto reforça o posicionamento da Expomontes como uma das maiores plataformas de negócios do interior do Brasil — muito além do entretenimento.
“O Conecta Agro fortalece diretamente os expositores, aproxima empresas, produtores, fornecedores e investidores, além de ampliar o potencial comercial da feira. Quando o expositor vende mais, faz conexões e gera resultados, toda a Expomontes se fortalece”, afirma Flávio Gonçalves Oliveira, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros.
Quem já participou da primeira fase de capacitações relata resultados concretos. A KS Irrigações, expositora pela segunda vez consecutiva, chegou para a edição 2026 ainda mais preparada. “A rodada de negócios será muito importante para nós, porque cria oportunidades reais de negociação e aproxima a empresa de um público altamente estratégico dentro da feira. Sem dúvida, será um dos pontos altos da nossa participação”, destaca o diretor Matheus Henrique Souto.
Em um ambiente de rápidas transformações tecnológicas e climáticas, o desenvolvimento do agro mineiro dependerá cada vez menos da expansão territorial e cada vez mais da capacidade de produzir com eficiência, sustentabilidade e inteligência.
Nesse contexto, o Norte de Minas surge como um laboratório de adaptação e inovação. E a Expomontes, mais do que um evento, consolida-se como um dos principais espaços de reflexão sobre os caminhos que definirão o futuro do agronegócio brasileiro.
Porque o futuro do campo não será construído apenas por máquinas, genética ou tecnologia. Será construído por pessoas capazes de transformar desafios em oportunidades e garantir que as próximas gerações continuem produzindo, inovando e desenvolvendo uma das atividades mais importantes da economia nacional.
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