Henrique Padilha/Divulgação Julian Lennon

Julian Lennon está com duas exposições na Leica Gallery de São Paulo: Cycle e Rock’n’ Roll Suite. Na abertura, na quarta (26), até Kate Moss passou por lá. O filho mais velho de John Lennon, que inspirou hinos como Hey Jude e Lucy in the Sky With Diamonds, recebeu alguns jornalistas, entre eles o Virgula Música.

Nós perguntamos para fotógrafo, cantor, compositor, produtor e filantropo de 54 anos sobre qual foi a principal mensagem deixada por seu pai ao mundo e a resposta foi surpreendente. “Tem algumas coisas, na verdade. Uma, que ele não foi um bom pai. Duas, ele certamente acreditou em paz e amor, mas como eu disse antes, isso nunca chegou até mim. Então, você sabe, ele vivia sob dois pesos e duas medidas, até onde eu posso entender. Eu deixei isso para lá. Certamente, o perdoei. Consegui entender a vida que ele teve. Levou um bom tempo para eu entender isso, de verdade. Demorei para entender isso”, afirmou.

“Ele queria paz tanto quanto eu quero paz, tanto quanto qualquer um de nós quer paz. Por sorte, alguns de nós tem uma plataforma melhor para passar esta mensagem ou de lembrar as pessoas sobre isso. Então, de muitas maneiras, eu aprendi bem com isso. E por isso que procuro passar esta mesma mensagem para a mídia nas plataformas que eu trabalho”, completou.

Julian lembrou também da mãe, Cynthia Powell (1939-2015). “Foi minha mãe que realmente me deu amor. Ela me ensinou como voar sem asas. Que não importa a situação em que você esteja, se você quer algo, tem isso na cabeça e acredita, tudo é possível, tudo é alcançável”, falou.

Em 2007, Julian Lennon e sua mãe criaram a White Feather Foundation. A fundação levanta fundos para causas humanitárias, ambientais e projetos de descontaminação de água. Para Julian, a fundação não tem apenas um caráter filantrópico, mas também foi um chamado pessoal. “Meu pai me disse uma vez, que quando ele morresse, teria uma forma dele me mostrar que ele está bem e que tudo ficaria bem, a mensagem viria até mim na forma de uma pena branca. Então algo aconteceu comigo, durante a turnê do álbum Photograph Smile, pela Austrália, um ancião aborígene da tribo Mirning me deu uma pena branca e isso realmente me deixou sem ar”.

A série Cycle foi produzida em 2016 quando, próximo da data do seu aniversário, Julian Lennon decidiu arrumar as malas e explorar por dez dias lugares como Vietnã, Malásia, Bali e Bornéo.

Já a exposição Rock’n’Roll Suíte ficará no acervo Leica Gallery São Paulo. Na série, que passou pelos Estados Unidos em 2013, Julian registra os ícones mundiais da música e revela ao espectador momentos íntimos de astros do rock. Com sensibilidade e perspectivas bem sacadas, características marcantes do seu trabalho, Julian Lennon humaniza grandes nomes da música como Bono Vox e Alice Cooper.


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