Desfile Daspre


Créditos: gabriel quintão

Quem pensa em moda tem logo na cabeça ícones como Gisele Bündchen, Isabeli Fontana e grifes chiques que povoam o imaginário fashion. Mas a moda e as portas que a moda abrem vão muito além das modelos famosas e dos estilistas consagrados. Prova disso é a grife de presidiárias Daspre, que hoje reintegra mulheres ávidas por uma segunda chance.

Desde a sua criação, já passaram pelo projeto mais de 300 detentas e a reincidência no crime tem sido zero. Atualmente, cerca de 70 mulheres estão participando das oficinas onde aprendem não só um ofício, mas também regras de convivência e de conduta. Além de terem o reconhecimento de seu trabalho e o direito ao benefício da remição de pena (a cada três dias de trabalho, um dia é descontado da pena), todas recebem bolsa no valor de ¾ do salário mínimo (R$ 408 atualmente) e, as do regime semi-aberto, recebem também vales transporte e refeição.

“A Daspre existe desde 2008 e seu objetivo inicial era qualificar através do artesanato, técnicas de costura, bordado, entre outras. Com o apoio do Fundo Social de Solidariedade, da dona Lu Alckmin, o projeto se transformou numa escola de moda que dá uma segunda chance a muitas mulheres que já erraram um dia, mas que querem aprender e recomeçar suas vidas com uma profissão honesta”, declarou Rosália Andreucci Andrade, Chefe de Gabinete na FUNAP (fundação vinculada à Secretaria de Administração Penitenciária, que desenvolve projetos na área de educação, de trabalho e de assistência jurídica).

Atualmente, são cinco oficinas de artesanato: duas na Penitenciária Feminina de Santana, uma na Penitenciária Feminina do Butantã, uma na Penitenciária Feminina de Tremembé e uma na sede da FUNAP, onde presas em regime semiaberto, da Penitenciária Feminina do Butantã, trabalham como costureiras e artesãs.

Na manhã desta terça (6/9), durante o primeiro encontro nacional para reintegração de ex-detentos, o Começar de Novo, as roupas feitas pelas presidiárias fashionistas foram apresentadas. Ali, numa passarela montada no auditório da Fiesp, na Avenida Paulista, não teve Gisele ou Isabeli na passarela, mas Raquel, Natália e outras belas presas que tiveram seu dia de top model. 


As modelos antes da produção para a passarela

Raquel Castro (33) se empolga ao falar do projeto: “Há muito preconceito com presidiárias e esta é uma grande oportunidade. Pra mim foi um presente de Deus! Sempre gostei de moda e antes de ser presa até já tinha feito alguns trabalhos em eventos como modelo. Na verdade isso não é tão novidade assim pra mim. Tem sido maravilhoso, torço para que as portas se abram quando eu sair daqui”, disse a bela morena. Raquel já está presa há 2 anos e 7 meses por tráfico de drogas e deve ser libertada em janeiro de 2012. Além de atuar como modelo para a grife e de se aventurar com bordado, ela ainda faz curso de maquiagem e de inglês dentro da prisão.

“Acho extraordinária essa oportunidade porque é algo que beneficia quem não teve orientação antes de ser presa, eu sou uma dessas pessoas. Já fui modelo antes e pra mim está sendo muito importante representar a grife das presidiárias. Não que eu queira ingressar nessa carreira depois que sair, pois sei que é muito difícil e sei que as possibilidades são muito pequenas, mas isso tudo mostra um outro lado de quem vive atrás das grades. Um lado ser humano, de reabilitação, de aprender de novo. Assim a gente ganha consciência e pode mostrar que o erro faz parte do ser humano. É uma segunda chance”, diz Natália Manuela, 26 anos, que sonha em estudar odontologia após sair da prisão no final de 2012.

A madrinha do projeto, Lu Alckmin, esteve no desfile: “Essas mulheres são pessoas que erraram, mas que estão tendo essa segunda chance com sua dignidade resgatada. É desta forma que podemos transformar um país”, afirmou a Primeira-dama do Estado de São Paulo.

Para saber mais sobre o projeto, acesse: www.daspre.sp.gov.br/projeto.html 

Veja na galeria o trabalho dessas mulheres e constate se for capaz: moda é muito mais que a São Paulo Fashion Week!


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Grife Daspre dá segunda chance a presidiárias através da moda