Aos 88 anos, Arlete Salles estreia seu primeiro monólogo, no Teatro Fernando Torres (Foto: Divulgação)

Há um cemitério, um caixão e uma amiga que partiu. E surpreendentemente, muito riso. É nesse território incomum, entre a dor da despedida e a graça de uma vida inteira de cumplicidade, que Arlete Salles estreia seu novo espetáculo, “Mande Notícias do Mundo de Lá“, dia 11 de julho de 2026, no Teatro Fernando Torres. Escrito e dirigido por Carlos Jardim, o espetáculo marca um divisor de águas na trajetória de uma das atrizes mais celebradas do país que, depois de décadas, encara o primeiro monólogo da sua carreira. A temporada vai até 2 de agosto, sábado, às 20h e domingo, às 19h.

Em cena, Arlete Salles dá vida a Eulália Eugênia, uma mulher exuberante e cheia de histórias de pavor da morte. Ainda assim, ela precisa enfrentar seu pior pesadelo: ir ao cemitério dar adeus a Rosimere, amiga de muitos anos e de muitas aventuras. Como ninguém mais compareceu ao velório, é Eulália quem se aproxima do caixão para que a amiga saiba que não foi totalmente abandonada, e ali, entre lembranças e implicâncias antigas, nasce o humor afiado e a emoção genuína.

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“Nunca foi um projeto meu ficar sozinha no palco, falando, falando… Eu achava bonito assistir a outros colegas fazendo isso. Achava muito corajoso”, conta Arlete. A veterana decidiu aceitar o desafio ao conhecer profundamente o texto de Jardim. “Eu senti muitas qualidades e me identifiquei em vários pontos. Você precisa ler mais de uma vez, mais de duas, mais de três, para descobrir as sutilezas, as voltas, as subidas e descidas de um bom monólogo”, explica.

Para a consagrada atriz, dar vida a essa personagem é também falar de si mesma:

“Em vários momentos, me identifico com a Eulália, porque é um trabalho sobre etaridade. Ele trata da vida de uma mulher com a minha idade. Então, falo de muitas coisas que estão presentes na minha vida, que eu conheço, que eu sinto, que eu vivencio diariamente”, afirma a atriz, que resume sua visão sobre envelhecer com uma frase definitiva: “envelhecer é um grande desafio, mas é muito pior partir jovem, sem ter aproveitado essa maravilha que é a vida, que é viver.”

Apaixonado por teatro e jornalista com 41 anos de experiência em coberturas factuais, e por isso mesmo, um grande conhecedor de personagens e histórias, Carlos Jardim construiu o texto para explorar a versatilidade de Arlete, capaz de ir do riso fácil à emoção mais profunda em segundos.

“Arlete tem um tempo de comédia raro, sabe fazer pausas e entonações que valorizam imensamente o texto. E tem uma emoção genuína, que aflora com facilidade e emociona a todos. No texto, abuso das passagens quase bruscas entre o drama e a comédia. E Arlete pula de uma emoção à outra com uma facilidade que impressiona”, revela.

A escolha pelo humor, segundo Jardim, não é acaso: é uma forma de encarar de frente temas que costumam ser tratados com peso excessivo, como a passagem do tempo. Para ele, falar de perdas que a vida traz, também é falar de lembranças.

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“O envelhecimento traz a inevitável constatação de que o fim pode chegar a qualquer momento. Isso pode gerar angústia ou despertar em nós uma urgência de fazer valer o tempo que nos resta. Acredito sinceramente que o humor é a chave para deixar tudo mais leve, inclusive na maneira de encarar essas limitações”, diz.

O diretor e autor ainda resume o tamanho do desafio que é ver uma atriz consagrada se lançar, pela primeira vez, sozinha em cena.

“Acho fascinante uma atriz gigante como a Arlete, que não precisa provar nada a ninguém, aceitar se desafiar a essa altura da carreira fazendo seu primeiro monólogo. É se jogar no trapézio sem rede de proteção. Como diretor, tento facilitar esse voo. E posso garantir que será um voo lindo e surpreendente”, conclui.

SINOPSE:

Eulália Eugênia tem pavor da morte, mas precisa encarar seu maior pesadelo quando tem que ir ao cemitério se despedir de Rosimere, companheira de décadas e de tantas peripécias. Como o velório está vazio, é ela quem se aproxima do caixão para garantir que a amiga não parta sozinha. Entre lembranças e implicâncias, alterna gargalhadas e lágrimas em uma reflexão sincera sobre envelhecer e perder quem se ama.

FICHA TÉCNICA:

Com: Arlete Salles

Texto e direção: Carlos Jardim

Iluminação:

Figurino:

Fotografia:

Produção de elenco:

Comunicação: Lucas Sancho

Direção de produção: Miçairi Guimarães e Sandro Chaim

Produção executiva:

Realização: Magic Arts

Assessoria de imprensa: Prisma Colab

SERVIÇO:

Mande Notícias do Mundo de Lá

Temporada: De 11 de julho de 2026 a 2 de agosto de 2026

Horários: Sábados, às 20h | Domingos, às 19h

Local: Teatro Fernando Torres

Endereço: Rua Padre Estevão Pernet, 588, São Paulo – SP

Duração: 70 minutos

Classificação:

Valores: Entre R$65 e R$140

Antecipados: https://bileto.sympla.com.br/event/121521


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Aos 88 anos, Arlete Salles estreia seu primeiro monólogo, no Teatro Fernando Torres