
Do analógico ao streaming: Estúdio Urutu e Algohits lançam série gravada 100% em fita magnética (Foto: Julia Missagia)
Em tempos de produções cada vez mais digitais, editadas e polidas por softwares, o Estúdio Urutu e a Algohits oficializam uma parceria que aposta justamente no caminho contrário: o som cru, quente e definitivo da fita magnética. A união marca o lançamento do URUTU FITAS, série audiovisual gravada 100% de forma analógica, em take único, no Centro Histórico de São Paulo, com distribuição mensal nas plataformas digitais.
O projeto reúne oito artistas em performances ao vivo, sem cortes, diante de público presente no estúdio. A série já começou com Carol Maia (ao vivo), lançada em 9 de abril, e seguiu com Lau e Eu (ao vivo), disponibilizada em 7 de maio.
Localizado entre as regiões da República e do Anhangabaú, o Estúdio Urutu se consolidou como um dos espaços mais singulares da cena musical paulistana. Por lá já passaram nomes como Toninho Horta, Zezé Motta, Alaíde Costa, Adrien Young, Linn da Quebrada, Don L, Cachorro Grande, Jadsa, Curumin, Di Mello e Wander Wildner.
Diferente das gravações convencionais atuais, o Urutu trabalha com uma lógica quase cinematográfica: nada de infinitas camadas digitais, correções excessivas ou atalhos de edição. O áudio é esculpido em uma mesa Soundcraft Ghost de 24 canais e registrado em um gravador de fita Tascam ATR80, preservando a textura, a compressão natural e as pequenas imperfeições que tornam cada take único.
Para Otavio Cintra, idealizador e diretor técnico do estúdio, o processo muda a relação do artista com a própria performance. “O fluxo de trabalho analógico no Urutu prioriza a permanência e a verdade da performance. No suporte magnético, a ausência do ‘desfazer’ confere à obra uma gravidade e uma textura sonora que o ambiente digital dificilmente consegue replicar.”
A proposta do URUTU FITAS é justamente transformar esse rigor técnico em experiência artística. Segundo Vicente Barroso, coordenador e curador do estúdio, a série registra artistas brasileiros em momentos de maturidade criativa.
“O URUTU FITAS é pensado para registrar artistas brasileiros que vivem hoje grandes momentos de maturidade em suas carreiras. Artistas em busca do registro definitivo e da força que um take único imprime na identidade do fonograma.”
Na parceria, a Algohits entra como hub de distribuição e estratégia, levando o conteúdo analógico para o ambiente digital sem apagar sua essência. Para Aline de Miranda, estrategista de comunicação do Estúdio Urutu, o diferencial está na união entre curadoria, técnica e alcance. “Estamos educando o algoritmo com som real. Através desta parceria, levamos a mística do analógico para o streaming, garantindo que o cuidado técnico do Estúdio Urutu se transforme em performance e alcance digital.”
Já Ivan Staicov, manager da Algohits, resume a proposta como um encontro entre tradição e escala. “A grande jogada é darmos o valor e a importância que o analógico merece sem perder a potência da distribuição em larga escala que só o digital hoje viabiliza.”
Com lançamentos mensais, o URUTU FITAS nasce como uma resposta à padronização sonora do mercado: um projeto que coloca a performance no centro, transforma o erro em linguagem e leva para o streaming uma estética que parecia restrita aos rolos de fita.
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