Caso de empresa cuja tecnologia confundiu pessoas a sacos de lixo no CE ainda não tem resposta (Foto: Reprodução)

Imagina a necessidade de utilizar um sistema para identificar rostos de suspeitos de crimes e dar de cara co uma tecnologia que apresenta falhas bizarras do tipo confundir as faces das pessoas com vários objetos, entre os quais até sacos de lixo. E mais grave: ter os contratos firmados investigados por suspeita de conluio em processos licitatórios.

Esta situação é real e acontece desde 2025 no Ceará, onde o Ministério Público investiga os contratos do governo estadual através da Etice, Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará, com a empresa privada IPQ Tecnologia, responsável por videomonitoramento e armazenamento de dados em nuvem. Só o sistema de câmeras atual para o Estado contaria com 2,5 mil unidades.

O videomonitoramento vem apresentando falhas constantes desde a implantação, chegando a confundir pessoas com diversos objetos, como até sacos de lixo, quando o rosto é escaneado. O sistema chega a apontar até 86% de precisão quando a falha gritante acontece. Das 2,5 mil câmeras que seriam utilizadas, apenas 100, segundo o jornal “O Antagonista” possuem reconhecimento facial e nenhuma delas possuem Inteligência Artificial.

Mas os problemas se tornam maiores do que simplesmente tecnológicos. Os contratos estão sendo investigados pelo Ministério Público do Ceará por suspeita de irregularidades nas licitações, que chegaram a ser suspensas pelo Tribunal de Contas do Ceará, somando valor de R$ 254 milhões em 2025. A IPQ está no epicentro de um procedimento administrativo instaurado pela Procuradoria-Geral do Estado do Ceará por supostas práticas anticoncorrenciais em pregões eletrônicos no âmbito da Etice, segundo documento que apresentou denúncia.

E não é só no Ceará que a empresa está enfrentando problemas quanto a investigações sobre supostas irregularidades. Ainda de acordo com “O Antagonista”, a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul suspendeu a vigência de uma ata de registro de preços, no valor de R$ 71 milhões de reais neste ano, firmada com a empresa IPQ Tecnologia LTDA para contratação e manutenção de serviços de monitoramento eletrônico.

O acordo no Rio Grande do Sul com a empresa começaria a valer em fevereiro deste ano, mas foi derrubado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, também por suspeita de valor elevado quanto a licitações.

Ainda não houve respostas sobre o andamento da investigação do Ministério Público do Ceará sobre o caso no governo do Ceará, cujos contratos efetivos para videomonitoramento no Estado poderiam chegar até R$ 1,5 bilhão.


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Caso de empresa cuja tecnologia confundiu pessoas a sacos de lixo no CE ainda não tem resposta