Filha de Maira Cardi é internada em hospital nos EUA; saiba mais sobre doença da bebê (Foto: Instagram/Maira Cardi)

A internação da filha da influenciadora Maíra Cardi, de apenas seis meses, nos Estados Unidos por bronquiolite trouxe à tona um alerta importante para pais e cuidadores: apesar de comum, a doença está entre as principais causas de internação hospitalar em bebês e pode evoluir rapidamente para quadros graves.

A bronquiolite é uma infecção respiratória que atinge principalmente crianças menores de dois anos e provoca inflamação nos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. Como essas estruturas são naturalmente mais estreitas nos bebês, qualquer processo inflamatório pode comprometer significativamente a respiração.

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“A bronquiolite costuma começar como um resfriado simples, mas pode piorar em poucos dias. O que preocupa é justamente essa evolução rápida, especialmente em bebês pequenos”, explica a Profª Dra. Elisabeth Fernandes, Pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Segundo a especialista, o principal agente da doença é o vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e associado a até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos. A maioria das crianças terá contato com esse vírus até os dois anos de idade.

“É uma doença altamente contagiosa, que se espalha com facilidade, principalmente em ambientes fechados e no contato com pessoas resfriadas. Por isso, a prevenção no dia a dia é fundamental”, reforça.

Os primeiros sintomas costumam ser leves, como coriza, espirros, tosse e febre baixa. No entanto, entre o terceiro e o quinto dia, o quadro pode se agravar, com respiração acelerada, chiado no peito, cansaço e dificuldade para mamar.

“Atenção especial deve ser dada aos sinais de alerta, como esforço para respirar, costelas afundando, lábios arroxeados e sonolência excessiva. Nesses casos, é fundamental procurar atendimento imediato”, alerta a pediatra.

Alguns grupos apresentam maior risco de evolução grave, como prematuros, bebês com doenças cardíacas, pulmonares crônicas, síndrome de Down ou imunidade comprometida.

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O tratamento da bronquiolite é, na maioria das vezes, de suporte, com hidratação, lavagem nasal e acompanhamento. Em situações mais graves, pode ser necessário oxigênio, internação e suporte respiratório.

“Ainda não existe um medicamento específico para curar a bronquiolite. Por isso, identificar precocemente os sintomas e acompanhar a evolução faz toda a diferença no desfecho”, destaca a especialista.

Nos últimos anos, no entanto, houve avanços importantes na prevenção. Entre eles, a vacinação da gestante contra o VSR, que permite a transferência de anticorpos para o bebê ainda na gestação, e o uso de anticorpos monoclonais, como o Nirsevimabe, indicado para proteção dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida.

“Essas estratégias representam uma mudança importante no cenário da doença, porque ajudam a reduzir internações e casos graves, especialmente nos grupos de maior risco”, explica.

Além dessas medidas, cuidados simples continuam sendo essenciais: higienização frequente das mãos, evitar contato com pessoas doentes, ambientes fechados e exposição ao cigarro.

“O caso que ganhou visibilidade reforça algo que nós, pediatras, já vemos na prática: a bronquiolite não deve ser subestimada. Informação e prevenção são as principais ferramentas para proteger os bebês”, finaliza a Dra. Elisabeth Fernandes.

Dra. Elisabeth Canova Fernandes

Pediatra

CRM 94686

RQE 105.527

  • Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC.
  • Residência médica em pediatria pela FMUSP
  • Complementação especializada em reumatologia pediátrica pelo Instituto da Criança – FMUSP
  • Título de especialista em Pediatria pela SBP
  • Título de especialista em reumatologia pediátrica pela SBP e SBR
  • Mestrado e doutorado em pediatria pela FMUSP
  • Pós-graduação em nutrição infantil pela Boston Umjversity e também pela Ludwig Maximilian University of Munich.
  • Professora de graduação em Medicina na Universidade São Caetano do Sul.
  • Médica proprietária da Clínica Pediátrica Crescer Participação ativa em diversos congressos nacionais e internacionais em pediatria voltados para alimentação infantil, amamentação, cuidados com o bebê e doenças comuns da primeira infância.
  • Palestrante frequente nos temas de amamentação, alimentação infantil e primeiros cuidados com o bebê.


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